Don’t Be Afraid of the Frogs / Não Tenhas Medo dos Sapos

No Tengas Miedo (Don’t Be Afraid). Mural by VinZ Feel Free, 2012, Valencia, Spain

This wall is a tribute to the miner’s women (wifes, daughters, sisters, girlfriends…) who are in Asturias, León and Teruel, fighting for their labor rights while the miners walked 500 km to Madrid during the “Marcha negra” strike.” 

With these words, street artist VinZ Feel Free described the wall he recently painted in the Barrio del Carmen in Valencia. The coal miners’ protest shook the beginning of the summer in Spain. Faced with the austerity measures that have marked European economics in the last couple of years, the miners of the northern province of Asturias, took a walk to the capital, Madrid, to protest against the spanish government. It wasn’t a peaceful walk. Clashes with riot police along the road made news around the world. The miners’ despair at the prospect of loosing their jobs and livelihood made them loose fear, and the well known police brutality in such situations found firm resistance from the protestors and those who along the way started to join them.

VinZ Feel Free paid homage to the miners, using the iconography that has become his trademark in pasted posters all over town: naked bodies with colorful painted bird heads signifying purity and freedom – as opposed to frog heads, which the artist usually puts on cops and business men. Not long afterwards, the cops were gone from the mural. Painted over their guilt, and left the bird heads to defend themselves from an invisible attacker. (see image at the bottom after portuguese translation).

As my own homage to the artist and the cause, and with the intent of perpetuating a defaced work of street art with political comment that I find valuable, I chose VinZ’s free bird head women to illustrate my most recent project on Feminist Art – dasVagabundas, a visual archive of women, art, memory and revolt, with citations and links. From the ape heads of the Guerrilla Girls, to the colorful balaclavas of Pussy Riot, the bird heads of all free women now also stand as one more icon of female resistance.

No Tengas Miedo (Don’t Be Afraid), mural detail, VinZ Feel Free, 2012, Valencia, Spain

Este muro é um tributo ás mulheres dos mineiros (esposas, filhas, irmãs, namoradas…) que estão nas Asturias, León e Teruel, lutando por seus direitos trabalhistas enquanto os mineiros caminhavam 500 km para Madri durante a greve da “Marcha negra.” 

Com estas palavras, o artista de rua VinZ Feel Free descreveu o muro que tinha pintado recentemente no Barrio del Carmen em Valencia. O protesto dos mineiros abalou este principio de verão na Espanha. Perante as medidas de austeridade que marcaram a economia europeia dos últimos anos, os mineiros da província nortenha de Astúrias, marchou para a capital para protestar contra o governo espanhol. Não foi uma passeata pacifica. Confrontos com a policia de choque ao longo do caminho fizeram noticia em todo o mundo. O desespero dos mineiros perante a perspectiva de perderem seus empregos e modo de vida deixou-os sem medo, e a bem conhecida brutalidade policial nestas situações encontrou resistência firme dos manifestantes, bem como daqueles que a eles se foram juntando no caminho.

VinZ Feel Free presta homenagem aos mineiros, usando a iconografia que já é marca sua nos cartazes colados por toda a cidade: corpos nús com coloridas cabeças de pássaros significando pureza e liberdade – em oposição às cabeças de sapo que geralmente põe em policias e homens de negócios. Não passou muito tempo, os policias já não estavam no muro. Pintaram por cima para limpar a culpa, e deixaram as cabeças de pássaro se defendendo de um atacante invisível. (ver imagem em baixo).

Em jeito de homenagem ao artista e à causa, e com a intenção de perpetuar um destruído trabalho de arte de rua com comentário politico que valorizo, escolhi as cabeças de passarinho livre de VinZ para ilustrar o meu projeto mais recente em arte feminista – dasVagabundas, um arquivo visual de mulheres, arte, memória e revolta, com citações e links. Desde as cabeças de gorila das Guerrilla Girls, às coloridas balaclavas das Pussy Riot, as cabeças de pássaro de todas as mulheres livres são agora mais um icon de resistência feminista.

No Tengas Miedo (Don’t Be Afraid). Mural by VinZ Feel Free, 2012, Valencia, Spain. AFTER COP INTERVENTION. APÓS INTERVENÇÃO POLICIAL.


The Hijacking of the Olympic Games / O Sequestro dos Jogos Olímpicos

Space Hijackers on the Spoil Your Ballots battle bus

Four years ago, I left London. I had lived there for the previous four years. First in Brixton and then in Hackney. I met the people who really mattered in the city at the time I was there. Brian Haw, tireless protestor against sanctions and war in Afghanistan and Iraq, way before september 11. I met some members of Jean Charles Menezes‘ family, the Brazilian murdered by the Met Police, who somehow, in spite of being on surveillance, confused him with one of the suicide bombers whose attempt to explode the tube had failed the previous day. I grew disgusted with the city and the control and surveillance and highly patronizing authority figures, but I certainly met dozens of interesting people. Squatters, hackers, migrants and artivists. People that mattered, people concerned with the state of things and who try to make a difference. Obstructed by media constructed stereotypes that show them as troublemakers, they are resilient. In the end, look at our bankers and politicians. Who are the troublemakers? Who are the terrorists?

Serious people with serious principles, serious ethics and high ideals matter. People combining art, performance and activism are necessary.

Today, four years later from down here in the tropics, I think of them, those who are still there, seeing Hackney smashed under the speculation of the house market because of the f****** olympics. While mainstream media focuses on the event that starts tomorrow, the Space Hijackers have taken upon themselves the responsibility of being the Official Protestors of the 2012 London Olympic Games.

Space Hijackers action in Brick Lane, East London

The Space Hijackers have been hijacking spaces since 1999 and they did start by partying as if it was 1999 with the Circle Line Party, an event on that London tube line, with loud music, light and dancing … at least while in the tunnel. As the train got to the station,  everybody got back to their seats in silence. Then they moved on to hijack other spaces. Among many actions, were a cricket game, between two opposing anarchist and capitalist teams, in the heart of London’s financial district. There was also a party, cop uniform mandatory, in front of the Bank of England. And they even took their DSEi tank for a spin, during the G-20 talks.

Now they are taking back Hackney, reclaiming the public space as usual, calling off the bulldozers of the market. Their use of the Olympic logo got them banned from twitter. And, for their great delight, they got an email from the police wondering about their plans are for the Olympics.

I am most interested too and I will follow Space Hijackers’ action with the same interest as the british police.

I can’t wait to find out where Agent Unstoppable is planning to remove his trousers!

Activist group The Space Hijackers have announced their aquisition of a tank which they intend to use as a vehicle for protest at the Defence Systems and Equipment International arms fair which opens in London’s EXEL centre on 11th Sept they are keeping they will then be selling it to the highest bidder and will take no responsibility for how it is used after they sell it which is how they claim arms dealers opperate for more phone interview contact Robin Grizly Pioneer 0787 606 7703

Passaram quatro anos desde que deixei Londres. Tinha vivido lá nos quatro anos anteriores. Primeiro em Brixton e depois em Hackney. Conheci gente realmente importante como Brian Haw, incansável na luta contra as sanções e guerras no Afeganistão e Iraque, desde antes do 11 de setembro. Conheci familiares de Jean Charles Menezes, o brasileiro assassinado pela policia metropolitana, que sabe-se lá como, e apesar de estar de vigia, o confundiu com um dos homens suicidas que tinham tentando explodir o metrô no dia anterior. Fui ficando gradualmente enojada com aquela cidade, o controle, a vigilância e a atitude condescendente das autoridades, mas também conheci dezenas de pessoas interessantes. Ocupas, hackers, migrantes, artivistas. Gente que importa, gente preocupada com o estado das coisas, gente que tenta marcar a diferença. Obstruídos pelos estereótipos que a mídia criou que os retratam como desordeiros, eles resistem. E no final, vejam só os nossos banqueiros e os nossos políticos. Quem são os desordeiros? Quem são os terroristas?

Gente séria, com princípios sérios, ética e altos ideais importa. Gente que combina arte, performance e ativismo é precisa.

Hoje, quatro anos depois aqui nos trópicos, penso neles, aqueles que permaneceram, vendo hackney ser esmagado pelos bulldozers do mercado. E tudo por causa da merda dos Jogos Olímpicos. Enquanto a mídia corporativa foca no evento que começa amanhã, o grupo Space Hijackers tomou para si, a grande responsabilidade de ser o Reclamante Oficial dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012.

Mayday – a celebration of the police state by the Space Hijackers

Os Space Hijackers sequestram espaços desde 1999 e começaram festejando como se fosse mesmo 1999 com a festa da Circle Line, um evento naquela linha de metrô londrina, que tinha tudo – música bombando, luzes psicodélicas e dança… Pelo menos enquanto dentro do túnel. Chegando à estação todos se sentam em silêncio. Depois foram sequestrar outros espaços. Entre as muitas ações, houve um jogo de cricket entre as duas equipes oponentes de anarquistas e capitalistas, que teve lugar no coração do distrito financeiro da capital inglesa. Houve ainda uma festa de traje de policia obrigatório, em frente do Banco da Inglaterra. E chegaram a levar o seu tanque DSEi para dar uma volta durante o encontro da G-20.

E agora reclamam o espaço público como sempre, desta vez em Hackney onde atuam as máquinas de construção do mercado. Usaram o logo dos jogos Olímpicos e foram expulsos do twitter. E para sua grande alegria receberam um e-mail da polícia, interessada nos planos que têm para o evento olímpico.

Eu também fiquei muito interessada e vou seguir as ações dos Space Hijackers, com a mesma atenção que a policia britânica.

Mal posso esperar para descobrir onde o Agente Imparável vai tirar as calças!

Free hackney from the Olympics 2012. The Space Hijackers.

 


V for Vagina, not Vendetta / V de Vagina, não de Vingança

"Um pinto duro coloca a mulher no seu lugar" Lilith Adler, 1996.

“You’re on your own.” That’s how Lilith Adler’s statement regarding this image ends. The man in the picture, may be the handsome charming prince that every woman is said to be on the look out for, but he symbolizes how power and sex continue to reflect male dominance in society. It’s present in the image that shocked the conservative art world – because it is not the body of a woman we came accustomed to gaze at in western art  – and it is certainly present in the text accompanying the image. Because, what non-masochistic woman unwilling to submit, either haven’t heard that or something like it?

Lilith Adler died before she completed 40 years old. A young woman, a feminist, whose work was incredibly poignant in addressing the issue of gender power relations. She was only 10 years old when Linda Nochlin published her (in)famous essay “Why Have There Been No Great Women Artists?” addressing historical male dominance in the art world and market. A text that not only inspired countless women artists to address the question of male dominance in all areas, but also set art historians on a quest for female artists neglected by the history of art throughout centuries. Research far from being completed and male dominance far from being erased. You see it in attitudes, you still see it in the art world – including street art world, the street being symbolically male, while women still belong in the domesticity of the home. And mostly you see it in language. And I had a good hint at that very recently.

Less than two weeks ago, I nearly got attacked by a man, who thought it was very rude of me to push him away hard, after he tried to corner me and grab me by the waist. Since I didn’t act with submission like a good girl – or should I say, since I reacted like a woman – I immediately became a thin ugly bitch who was, and I quote, treating him like a dog. As if I treated animals like they were retarded misogynists! I had to tell two other guys before, to remove their hands off me when they approached me thinking they have the right to do so, or that it is charming and irresistible to a woman, that sort of closeness from a total stranger. One of them apologized – good, he might be learning something – the other called me rude. But the third one won the prize of the year (so far) for the “prick looking to straighten me out”. And he might have tried to do so, if I wasn’t immediately surrounded by friends and bar security. I’m thin, he was obese. I’m weaker, he’s stronger.

Documentary “Weapon of War: Confessions of Rape in Congo”, 2009 Documentário “Arma de Guerra: Confissões de Estupro no Congo”, 2009

Absurd. I reacted as I should. As every woman should. Male friends agree. What an idiot that guy. They tell me that. But then I hear the same friends say things like: such and such institutions “opened the legs” to such and such. Language. Opening the legs, an expression in Portuguese, which indicates submission by such to such. You can use it in any sense but the expression is sexually rooted, because, who opens her legs? Men or women?

Language. It is not an accident that “conquest” and “adventure” are expressions used to describe what was in fact western colonization of the world – or a sex affair. Male dominance of land and women. Because women came with the territory. And if I say “fuck that”, ” screw it”, “up yours”, I will be using other expressions, which clearly indicate sexual male dominance and came into common vocabulary to describe something we despise, give no value to and it’s under our power to dominate. Language.

Being a woman who will not be straightened out, who prefers casual relations with male friends who I can respect, who’s not afraid to stroll around town at early hours of the morning, I have to constantly face attitudes that, even if unsaid, denote that I am one of the following:

1) A bitch (language: female dog);

2) Feminazi (language: male’s submission to women because in their ignorance feminism is the opposite of misogyny);

3) Crazy (language: women should not walk by themselves at night, that being the crime rather than a possible assault or rape);

4) Lesbian (language: a women not interested in a particular man, according to that same man).

I must say I took some pleasure in watching Lisbeth’s vendetta on the prick who raped her, in The  Girl With the Dragon Tattoo, adapted from Stieg Larsson‘s first volume of the Millenium series, Men Who Hate Woman (ironically translated to Portuguese as Men Who Don’t Love Women. Language: Hate being different from Not To Love). But I don’t want to focus on a V for Vendetta. I prefer V for Vagina.

So I was interested in learning about V-Day, an initiative by Eve Ensler, author of the Vagina Monologues and a great promoter of the City of Joy a community of women in Kongo where rape victims have been able to heal from gender violence in that country. The Campaign “One Billion Rising” launched by the writer, is a call for women, and men who love them, to dance together wherever they are, until the violence stops. The date has been set to Feb. 14, 2013. Feminism asks for equality and respect between genders. And while women feel threatened when they go for a stroll at any hour of the day or night Feminism is a concept that needs to exist.

And maybe some day, we can call our V, a V for Victory, when we are no longer alone like Lilith Adler reminded us.

“Você está sozinha.” Assim termina o texto da artista Lilith Adler sobre a imagem que se segue. O homem retratado até parece o príncipe encantado com quem supostamente todas as mulheres sonham.

"Um pinto duro coloca a mulher no seu lugar" Lilith Adler, 1996.

Mas ele simboliza como poder e sexo continuam a ser reflexos de uma sociedade dominada pelo macho. A ideia está presente na imagem que chocou o lado conservador do mundo da arte – apenas porque não retrata o corpo da mulher que estamos habituados a observar na arte ocidental –, e está certamente presente no texto que acompanha a imagem. Que mulher não masoquista, que recusa submissão, não ouviu já esta fase ou algo parecido?

Lilith Adler morreu antes dos 40 anos de idade. Uma mulher jovem, com um portfólio aguçado que tratou o tema das relações de poder entre gêneros. Tinha apenas 10 anos quando Linda Nochlin publicou o seu famoso ensaio  “Why Have There Been No Great Women Artists” (Onde Estao as Grandes Mulheres da Arte?) indagando sobre o domínio masculino no mundo e mercado artístico. Um texto inspirador para que inúmeras mulheres artistas tratassem o tema do domínio masculino em todas as áreas da vida, e que lançou os historiadores da arte numa busca pelas artistas negligenciadas na disciplina ao longo dos séculos. Uma pesquisa longe de estar terminada e um domínio masculino longe de ser apagado. Vê-se pelas atitudes, ainda se vê no mundo da arte – incluindo na arte de rua, a rua sendo simbolicamente território do homem, enquanto as mulheres pertencem na esfera doméstica do lar. E principalmente, é notório na linguagem. Como testemunhei recentemente.

Há menos de duas semanas atrás, quase fui atacada por um homem, que achou muito rude da minha parte, o empurrar com força após me fechar num canto e me tentar agarrar pela cintura. Como não fui submissa como uma boa moça – ou seja, reagi como uma mulher – fui imediatamente agredida com os termos de vagabunda, magrela, feiosa que tinha, e cito, tratado o sujeito “que nem cachorro”. Como se eu tratasse os animais do mesmo jeito que trato um misoginista retardado! Antes já havia dito a outros dois machos que tirassem a mão de mim quando chegaram se achando no direito de me agarrar, ou pensando que é charmoso e irresistível para uma mulher esse tipo de proximidade vinda de um completo desconhecido. Um pediu desculpa – que bom, talvez tenha aprendido alguma coisa -, o outro disse que eu era grossa. Mas foi o terceiro que ganhou o premio do ano (ate agora) de “maior escroto querendo me colocar no lugar”. E talvez tivesse tentando se eu não fosse imediatamente rodeada de amigos (e amigas) e pelos seguranças do bar. Eu sou magra, ele é obeso. Eu sou mais fraca, ele é mais forte.

After-rape scene from “The Girl With The Dragon Tattoo”, 2011 Cena pós-estupro em “Os Homens Que Não Amavam as Mulheres”, 2011

Um absurdo. Eu reagi como devia. Como qualquer mulher devia. Os amigos homens concordam. Que idiota aquele tipo – eles disseram. Mas depois ouço os mesmo amigos em conversa dizerem coisas do tipo: tal instituição abriu as pernas para não sei que tal… Linguagem. Abrir as pernas, uma expressão que indica submissão de algo ou alguém a algo ou alguém. Pode ser usada em qualquer sentido, mas tem raízes sexuais porque afinal, quem abre as pernas? Homens ou mulheres?

Linguagem. Não é a toa que “conquista” e “aventura” são expressões usadas para descrever o que de fato foi a colonização ocidental do mundo – ou uma ligação sexual. Domínio masculino sobre terra e fêmeas. Porque as mulheres vinham com o território. E se eu disser “foda-se” ou “tomar no cú” estarei usando expressões, que claramente indicam domínio sexual masculino e que entraram na gíria para descrever algo que se despreza, não se dá valor, que está sob o nosso poder de dominar. Linguagem.

Sendo uma mulher que recusa ser colocada “no seu lugar”, que prefere relações casuais com homens que consigo respeitar e que não tem medo de passear de madrugada, sou constantemente confrontada com atitudes que, se não expressadas verbalmente, denotam um dos seguintes rótulos:

1) Vagabunda (linguagem: puta, cachorra);

2) Feminazi (linguagem: submissão do homem a mulher, porque na sua ignorância eles acham que feminismo é o oposto de machismo);

3) Louca (linguagem: as mulheres não devem andar por aí de madrugada como se fosse esse o crime, em vez do potencial de agressão e estupro);

4) Lésbica (linguagem: a mulher que não esta interessada num homem, de acordo com esse mesmo homem).

Devo dizer que tirei algum prazer em ver a vingança de Lisbeth com o escroto que a estuprou, em Os Homens Que Não Amam as Mulheres (The Girl With the Dragon Tattoo), adaptado do primeiro volume da serie Millenium do autor sueco Stieg Larsson, que no original se chama Os Homens Que Odeiam a Mulheres (Linguagem: Odiar é diferente de Não Amar e no entanto a versão portuguesa prefere um tom mais leve). Mas não quero me focar num V de Vendetta. Prefiro um V de Vagina.

Assim, fiquei muito interessada em saber que se aproxima o Dia V, uma iniciativa de Eve Ensler, autora dos Monólogos da Vagina e grande promotora da City of Joy (Cidade da Alegria), uma comunidade de mulheres no Congo, onde vitimas de estupro se reúnem para se ajudarem na recuperação de traumas relacionados com a violência contra as mulheres naquele país. A Campanha “One Billion Rising” (Um Bilhão Se Erguendo), lançada pela autora, é uma chamada a todas as mulheres e os homens que as amam, para dançarem juntos, onde quer que estejam, até a violência acabar, e a data foi marcada para o próximo dia 14 de fevereiro de 2013. Feminismo pede igualdade e respeito entre gêneros. E enquanto as mulheres se sentirem ameaçadas por resolverem dar uma caminhada seja de dia, seja de noite, Feminismo é um conceito que precisa de existir.

Talvez um dia a gente possa chamar o nosso V, V de Vitoria. Quando já não estivermos sozinhas, como nos lembrou Lilith Adler.

Artists “Occupy” Mission to Protest Violence Against Women, San Francisco, 2011 Artistas "Ocupam" o bairro Mission para Protestar a Violência Contra as Mulheres, San Francisco, 2011


GasLand, the Saudi Arabia of Natural Gas / Terra do Gás, a Arábia Saudita Do Gás Natural

ENGLISH VERSION WRITTEN AND TRANSLATED BY ME FOR SHVOONG

Imagine abrir a água na cozinha e poder incendiá-la. Você esperaria uma explosão?

Pois é isso mesmo que comunidades rurais nos Estados Unidos estão tirando das torneiras por todos os lugares onde se minera gás natural. Quando Josh Fox recebeu uma proposta de uma companhia de Petróleo e Gás para arrendar a sua propriedade de 80 mil metros quadrados, resolveu partir numa viagem por “GasLand“, a terra do gás, e descobrir que história era aquela. Depois de viver a vida inteira numa linda casa construida em 1972 por seus pais hippies, no estado da Pensilvânia, o diretor de cinema fez a descoberta surpreendente que a sua terra se situava sobre uma formação rochosa, conhecida por Marcellus Shale, e por vezes chamada de Arábia Saudita do Gás Natural.

Admirado com a facilidade de alugar a sua propriedade a uma companhia de Petróleo e Gás por cerca de 100.000 doláres, Josh começou por entrevistar seus vizinhos sobre a proposta da empresa. O resultado saiu este ano como um dos candidatos ao Oscar de melhor documentário. GasLand rastreia as regulações da indústria começando com o governo Bush e a lei da energia que passou no congresso Norte-Americano em 2005. A lei foi proposta por nada menos que Dick Cheney, então vice-presidente e antigo diretor executivo da empresa Halliburton, responsável pela tecnologia de mineração conhecida por Fraturamento Hidraulico ou Fracking, que é hoje usada por companhias como Encana, Williams, Chesapeake e Cabot Oil and Gas. Depois de descobrir que a nova lei de energia isentava essas companhias de regulamentos sobre a qualidade da água e do ar em vigor desde a administração Nixon, Josh ficou ainda mais desconfiado.
A suspeita levou-o por uma viagem no país, do Colorado ao Oklahoma, pelos campos de mineração da América, e ao interior das bacias rochosas onde se encontra o gás natural. A tecnologia fracking quebra essas bacias com um jato de água misturada com quimicos, jogado a cerca de 2500 metros de profundidade. O problema é que esses químicos são soltos no ar, na água, em todos os organismos vivos, destruindo o modo de vida de numerosas comunidades rurais, deixando pessoas e animais doentes. Sintomas tipicos incluem dores de cabeça, perda de olfato, desorientação, dores no corpo excruciantes e finalmente a morte. E apesar do fato das companhias de Petróleo e Gás não serem obrigadas a tornar público quais químicos são utilizados neste tipo de mineração, Josh Fox entrevista a ambientalista premiada Theo Colborn, cujo ativismo identificou cerca de 900 produtos químicos utilizados no Fracking e prejudiciais para a saúde humana.
GasLand destroi o mito do gás natural ser uma indústria limpa e segura, e enquanto Josh observa que a tecnologia Fracking promete se extender pelos campos da Europa, da Africa e da América Latina, somos deixados com a sensação desconfortável que em breve ar e água contaminados podem se alastrar do quintal do diretor ao nosso. Um documentário a não perder.

Take your dirty handcuffs off my naked body / Tira essas algemas sujas do meu corpo nú

Pepper sprayed - for defending the right to be naked / por defender o direito à nudez

Remember Station Beach? Two years on and it’s still attracting the crowds. And just before the Feast of the Flesh, it is now site for independent Carnival street blocks to practice the beats and tunes to parade around the city in less than two weeks. And in what city in the world, where a gathering of hundreds happens on a Saturday while the drums beat on and the beer rolls down, one citizen – at least one citizen – doesn’t get naked?

By the time I got there, it was over. Two men had been arrested for “indecent exposure” – but not to the hot sun. And a crowd had been peppered sprayed for chanting the lyrics of a samba about police brutality – relevant right? – while trying to prevent the arrest of their naked buddies. Meanwhile, the police, who indecently exposes massive batons and guns and chemical sprays on your face, all around town and on a daily basis, can decently grab a peaceful naked man with violence, where there has been no complaint, and spray citizens as they please with harmful chemicals. Isn’t that confusing?

And isn’t it funny that Brazil – famous for sensual mulattas and sex tourism, miniscule bikinis and bikini waxing, big buts shaking frenetically to please the masters and sell the country to tourists – has such a strict code of morality? Can’t you just come up to a man and gently tell him to put on his shorts because some people might be offended? Do you need an S&M situation where big men in uniform can just handcuff a naked person and force them into a car? And what sort of morality do you have when you are empowered to put on a glove and check anyone’s private parts in public, including minors, looking for whatever, as it is seen in the streets of Brazil everyday?

There’s this indecent exposure of agents of the law around town that offends me at a personal level. Can we outlaw them please?

WATCH THE VIDEO OF THE ARREST  playvideo?tv_vid_id=160685   VEJA O VIDEO DAS PRISÕES

Lembram-se da Praia da Estação? Dois anos e continua atraindo multidões. E nas vésperas da Festa da Carne, é agora lugar dos blocos de Carnaval de rua independentes praticarem as batidas e melodias a paradear pela cidade em menos de duas semanas. E em que cidade do mundo, num aglomerado de centenas de pessoas, num sabado marcado a percussão e corrido de muita cerveja, um cidadão – pelo menos um cidadão – não tira a roupa?

Quando cheguei já tinha terminado. Dois homens tinham sido presos por “exposicão indecente” – embora não ao sol quente. E um grupo ainda tinha sido varrido a spray de pimenta por se aproximar cantando a letra de um samba sobre brutalidade policial – olha que relevante – enquanto tentava impedir a prisão de seus companheiros desnudados. Entretanto, a policia, que indecentemente expõe seus batões, armas e sprays quimicos diariamente, pode com “decente” violência agarrar um homem nú, onde não houve denúncia, e jogar quimicos prejudiciais à saúde nos seus cidadãos. É confuso.

E não é engraçado que o Brasil – famoso pelas mulatas sensuais e o turismo sexual, bikinis minusculos e depilações brasileiras, bundas gigantes abanando freneticas para entretenimento dos senhores e para vender o país aos turistas – tenha um código moral tão rigido? Não se pode pedir a um homem para simplesmente pôr os calções caso haja alguém ofendido? É preciso uma situação sado-maso onde homens grandes em uniforme podem algemar um homem nú e força-lo a entrar num carro?  E que espécie de moralidade é essa eles terem poder de chegar, pôr uma luva e revistar as partes privadas de um cidadão, incluindo menores, à procura seja do que for, como se vê diariamente pelas ruas desse Brasil?

Existe uma exposição indecente de agentes da lei na cidade que me ofende pessoalmente. Podemos fazer uma lei para acabar com eles?

Não pode…                                                                                                                                 Can’t …

                                             Não pode.                                                        Can’t.

Ah… mas isso pode!                                                           Ah… yes we can!


Erasable Lives and Cairo Street Art / Vidas Apagaveis e Arte de Rua no Cairo

The Egyptian Revolution took place one year ago and was followed by an Arab spring of uprisings. Among the thousands who took to the streets were of course the young artists – a crowd by the way frequently found in these sorts of events, be it in Egypt or anywhere in the world. And among this young artists was one of the first martyrs of Tahrir Square, Ahmed Basiony, mentioned on this blog nearly a year ago. The violence of the early days of the revolution and the death of  friend, catalyzed an independent street art movement, the Young Artist’s Coalition, who spent 2011 celebrating the end of Mubarak’s 30 year reign, by filling the streets of Cairo with the colors of revolutionary graffiti. They came to the spotlight last July when they painted on Tahrir Square, the space signifying their revolution where so much happened and so many were butchered by their nation’s brutal riot police.They opened the debate around the institutional uses given to the public space, questioning them, in parallel to the much larger questioning of public institutions that was taking place around the Middle East.

And now, one year on, the revolution is far from over. Cairo fell once more in the hands of bureaucrats, and the police can once again simply grab a woman protestor of her clothes, stripping her and kicking her in the chest. Which shows that tirany still reigns, and therefore so does resistance. The Young Artist Coalition is made of people who lived their entire lives under the tirany of the Mubarak regime and for whom art became inseparable from resistance. How to erase the last 30 years of history that have been their own entire lives? And what about the last 60 years? 90 years?

Shift Delete 30 is an exhibition where 13 members of The Young Artist’s Coalition conceptualize that idea, while examining their own lives and the history of their country. The works of Bassem Yousri, Osama DawodAhmed El Samra, Mohamed Mohsen (aka Chetos), Osama Abdel Moneim, Islam Kamal, Mohamed Abdallah, Mohamed Ezz, Ahmed Abdel Fattah, Tamer Shahen, Amr Amer, Ibrahim Saad and Mostafa El Bana are currently being shown at Cairo’s Beit Al Uma (House of the Nation) – where ironically lived the first prime-minister of Egypt (1923), Saad Zaghloul, who had previously fought European colonization of his land. Another life of resistance that can never be deleted.

How many generations have been living erasable lives?

Vinegar .. Soldier .. Cola, by Mohamed Ezz

A revolução egípcia aconteceu tem um ano e foi seguida de uma primavera Arabe de revoltas. Entre os milhares que saíram para as ruas estavam obviamente os jovens artistas – gente que sempre aparece nestes eventos, seja no Egito ou onde for. E entre estes jovens artistas estava um dos primeiros martires de Tahrir Square, Ahmed Basiony, que mencionei neste blog vai fazer um ano. A violência daqueles primeiros dias e a morte de um amigo catalisaram um movimento de arte de rua independente, a Young Artist’s Coalition (Coligação de Jovens Artistas), que passaram 2011 celebrando o fim do reinado de Mubarak, enchendo as ruas do Cairo com as cores do graffiti da revolução. Ficaram mais conhecidos quando em julho pintaram a Praca de Tahrir, o espaço insignia da revolta onde tanto aconteceu e tantos foram massacrados pela brutal policia de choque. Abriram o debate sobre os fins institucionais dados ao espaço público, questionando os mesmos, paralelamente ao questionamento mais abrangente sobre as instituições púbicas que ocorria por todo Oriente Médio.

E agora, um ano depois, a revolução está longe de acabar. O Cairo mais uma vez caiu nas mãos dos burocratas, e a policia ainda pode arrastar uma mulher num protesto, rasgando-lhe a blusa e dando-lhe pontapés no peito. O que mostra que ainda reina a tirania, e portanto também a resistência. A Coligação de Jovens Artistas é feita de gente que viveu sua vida inteira sob a tirania do regime de Mubarak e para quem a arte se tornou inseparável da resistência. Como apagar os últimos 30 anos de historia, se estes foram sua vida inteira? E os últimos 60? 90?

Shift Delete 30 é uma exposição onde 13 membros da Coligação de Jovens Artistas conceitualizam essa ideia enquanto examinam suas próprias vidas e a historia de seu pais. Os trabalhos de Bassem Yousri, Osama DawodAhmed El Samra, Mohamed Mohsen (aka Chetos), Osama Abdel Moneim, Islam Kamal, Mohamed Abdallah, Mohamed Ezz, Ahmed Abdel Fattah, Tamer Shahen, Amr Amer, Ibrahim Saad and Mostafa El Bana estão em mostra na Beit Al Uma (Casa da Nação) no Cairo – onde ironicamente morou o primeiro ministro egipcio (1923), Saad Zaghloul, que no inicio do século lutou contra a colonização europeia da sua terra. Outra vida de resistência que jamais será apagada.

E quantas mais gerações viveram vidas apagáveis?

Bits and Pieces, by Tamer Shahen


Indigenous to the Internet / Nativos da Internet

Come 2012 and with the end of the world fast approaching it was time to change the looks on this blog. I also told myself I would begin writing here weekly, but somehow I’ve given myself more than half of the month to start on that promise. It took a real shook up, actually a shock to the system to make me jump on the keyboard. And it came once more from the north, from the draconian laws that idiotic North American bureaucrats are preparing in regards to the copyright and the internet. I’m talking about SOPA and PIPA, which will require of North American websites – Google, Facebook, WordPress, Wikipedia, you name it – that they police the content users post on the internet. So, I was happy with the blackout these sites performed last wednesday in protest of the proposed law, but will that be enough, or in 2012 this blog will have to be moved to an Icelander host?

What this legal stupidity would do for instance is that, for example, Wikipedia, served from the United States, would not be permitted to define for us what is Pirate Bay, a site served from outside the United States, with content in direct infrigement of north american copyright laws. Wikipedia, as WordPress, Google, all the big and small ones, have positioned themselves against SOPA and PIPA, but if the law passes there is not much to do and the North American internet will become as censored as the Chinese, with users hitting blocked content after blocked content.

Months ago, as I was trying to log in to my blog – this blog – I just couldn’t. Instead I had a message to contact wordpress. My blog had been blocked for infrigement, after being denounced by someone in Oregon. And so WordPress, based in California, was forced by law to shut me up. What did I do? I posted a beautful picture of the amazon river on a post about indigenous perils and survival in the jungle. Any picture posted here, when clicked, will take you to the website where I got it from. I don’t make any money of it, I don’t profit from my blog, I write for pure joy on topics I’m passionate about and I choose relevant illustrations for my content, from anywhere I can find it, crediting the site/artist or whatever. So, in my mind the kind of mentality that would go against that, is the mentality that puts profit before an important message about humanity and survival. And ironically it is that same mind, rooted on profit, that enslaves the indigenous and destroys their livelihood.

I share content. I don’t share the commercial capitalist possessive attitude that enrages people who feel it’s THEIR picture and NO-ONE can use it. Not even to illustrate a cause, an idea, with absolutely no profit in mind. What the bureaucrats don’t seem to understand is that the world changed, the internet is ours, we don’t like the buy-sell mentality, we want death to capitalism and build a society where we can freely share and inform. Are they so stupid that they don’t see that we will always find ways around their laws? That we are the fit who will survive this crucial point in evolution while them, the bureaucrats are condemed to extinction? Don’t they know we are native to the internet, that we are too many and that this is our land?

Finalmente chegou 2012 e com o fim do mundo se aproximando estava na altura de mudar o visual deste blog. Também me prometi escrever aqui semanalmente, mas entretanto deixei passar  meio mês. Foi preciso mexer comigo e me dar um choque para eu saltar no teclado. E veio mais uma vez do norte, das leis draconianas que os idiotas burocratas da America do Norte estão preparando relativamente aos direitos de autor e a internet. Falo da SOPA e da PIPA – Stop Online Piracy Act (Lei para Parar com a Pirataria Online) and Protect IP Act (Lei de protecao ao IP) – que exigirão de websites nos Estados Unidos – Google, Facebook, WordPress, Wikipedia, enfim todos – que policiem o conteúdo que seus usuários escolhem postar na internet. Assim, fiquei feliz com a greve de quarta feira destes sites em protesto a esta nova lei, mas será que isso chega, ou em 2012 este blog terá de passar para um servidor…  tipo na Islândia?

Um exemplo do que esta estupidez legal fará, é que a Wikipedia, que serve a partir dos Estados Unidos, não poderá definir para nós o que é o Pirate Bay, um site que serve, fora de território norte-americano, conteúdo em direta violação das leis de direito de autor norte-americanas. Wikipedia, tal como a WordPress, o Google, todos os grandes e pequenos, se posicionaram contra SOPA e PIPA, mas se a lei passar não há muito que possam fazer e a internet norte-americana será tão censurada quanto a chinesa, com usuários encontrado conteúdo bloqueado atrás de conteúdo bloqueado.

Meses atrás, tentei logar neste blog e não pude. Recebi uma mensagem para contatar a WordPress. Meu blog tinha sido bloqueado por infração, após ser denunciado por alguém no estado do Oregon. Assim a WordPress, sediada na Califórnia, foi forçada por lei a me silenciar. E o que eu fiz para merecer isso? Postei uma foto linda do rio Amazonas num texto dedicado aos indígenas e suas dificuldades de sobrevivência na selva. Qualquer foto aqui postada, quando clicada, leva o leitor, ao site de onde foi tirada. Não lucro com isso, escrevo sobre temas que me apaixonam e escolho ilustrações relevantes ao conteúdo, vindas de qualquer lugar, creditando o site/artista ou seja o que for. Assim, para mim, o tipo de mentalidade que seria contra isso, é a mentalidade que coloca o lucro antes de uma mensagem importante sobre humanidade e sobrevivência. E ironicamente é essa mentalidade, enraizada no lucro, que escraviza o indígena e destrói as suas tradições, o seu jeito de vida.

Compartilho conteúdo. Nao compartilho atitudes comerciais, capitalistas e possessivas, que deixam com raiva gente que sente que a foto é SUA, e NINGUEM pode usá-la. Nem mesmo para ilustrar uma causa, uma idéia, sem o objetivo do lucro. O que os burocratas parecem não compreender é que o mundo mudou, que a internet é nossa, que não gostamos da mentalidade de consumo, que queremos matar o capitalismo e construir uma sociedade onde se possa compartilhar informação livremente. Será que eles são tão estúpidos que nem vêem que sempre encontraremos formas de contornar as leis deles? Que somos os mais fortes que sobreviverão este momento crucial na evolução humana, enquanto eles, os burocratas, estão condenados a extinção? Será que eles não vêem que somos nativos da internet, que somos demasiados e que este é o nosso território?