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Monthly Archives: January 2011

Lately, sex has been pouring into my mailbox. Not that mailbox… the actual virtual one that lives in the cyberspace. First I read that British sculptor Jamie McCartney is creating internal moulds of real vaginas, and then I see the work of American artist Tom Galant who camouflages porn scenes with paper flowery motifs.

It all made me thing of Judy Chicago’s vaginas at The Dinner Table, or Georgia O’Keeffe’s flower-disguised pussies, or Cindy Sherman’s photographs of her own body. As the body, sex and life themselves, it’s all art.

Recently I’ve been to a graffiti exhibition where Desali, one of the most renowned street artists of Belo Horizonte, was asked to paint over his ‘pornographic’ aesthetics, apparently because of the children visitors…

If sex and body parts are explicit is that not considered art and it is therefore not proper to have it in an institutionalized cultural space? But if hundreds of secular art portraying static naked women, slowly ingraining in the minds of little boys the female body as an object to be gazed at, commented upon, until they reach their adulthood as the little brainwashed chauvinistic pigs that many of them are, then that’s ok?

Turns out the children are not to blame. They were the scapegoat. What the gallery didn’t like was the wording on the wall, which alludes to the mainstream cultural space as a prostitute. A space in which the work was done. Either way, since when is a public cultural space molded according to moral values that belong in the church? And since when is a public cultural space closed to the criticism that is integral to the contemporaneity that same space supposedly exhibits and encourages?

Censorship is for the moderns. And Desali is way ahead, way beyond the contemporary. I would say that the only reason to censor that artist is the naked Hello Kitty. Looking good by the way.

Ultimamente entra muito sexo na minha caixa de correio. Não nessa caixa… na outra, a que vive no espaço cibernautico. Primeiro li que o escultor britânico Jamie McCartney criou moldes internos vaginais, e depois vi o trabalho do americano Tom Galant que camuflaja cenas pornô com motivos florais em papel.

Tudo me fez pensar nas vaginas de Judy Chicago à Mesa de Jantar, ou nas xoxotas disfarçadas de flores de Georgia OKeeffe, e até nas fotografias que Cindy Sherman fazia do seu próprio corpo. Tal como o corpo, o sexo e a própria vida, é tudo arte.

Recentemente visitei uma exposição de graffiti onde Desali, um dos mais conhecidos artistas de rua de Belo Horizonte, viu a sua estética ‘pornográfica’ pintada por cima, aparentemente por causa das crianças visitantes…

Se o sexo é explícito isso não é considerado arte e não é próprio de ser exibido num espaço cultural institucionalizado? Mas e se centenas de pinturas seculares de mulheres nuas, lentamente incutindo nos garotinhos que o corpo feminino é um objeto para ser olhado, comentado, até chegarem à idade adulta e se tornarem nos machistinhas que muitos são, então tudo bem?

Afinal parece que as culpadas não são as crianças. Elas foram apenas o bode expiatório. O que a galeria não gostou foi da frase escrita que alude ao espaço cultural como uma prostituta. Um espaço onde o trabalho foi feito. E fosse como fosse, desde quando um espaço cultural público se molda de acordo com valores culturais que pertencem dentro da igreja? E desde quando um espaço cultural público se fecha à critica que é uma parte integral da contemporaneidade que esse mesmo espaço supostamente exibe e encoraja?

A censura é para os modernos. E o Desali está muito à frente. Tá pra lá do contemporâneo. Eu diria que a única razão para censurar o artista é a desnudada Hello Kitty. Que por acaso até ficou gatinha.

One year on, beachers goers of the inland mountain town are back to Station Square to defy the city hall’s decree against gatherings at one of the most popular public venues in the city of Belo Horizonte. Yesterday, under a torrid sun, dozens welcomed the water barrel truck and danced to the drums of Trovão de Minas, celebrating one year of humorous defiance against gentrification and the privatization of public spaces. Back to the beach of Belo Horizonte. Because the square is free.

Um ano depois, banhistas de uma cidade do interior voltam à Praia da Estação para desafiar um decreto da prefeitura contra aglomerações numa das praças mais populares de Belo Horizonte. Ontem, debaixo de um sol escaldante, dezenas deram as boas vindas ao caminhão pipa e dançaram ao som do batuque do Trovão de Minas, celebrando um ano de resistência bem humorada contra a gentrificação e a privatização dos espaços públicos. De volta à praia em Belo Horizonte. Porque a praça é livre.

photo by João Perdigão