Pintando muros / Painting walls


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As pinturas rupestres que ilustram os úteros terrestres, simbolizados pelas grutas e cavernas, foram tradicionalmente interpretados como cenas de caçadas que expressavam o modo de vida de nossos ancestrais.Teorias mais atuais vão mais além, considerando que pinturas rupestres terão sido expressões de vivências espirituais vividas por xamãs. Viagens a mundos interiores exteriorizadas nas paredes da mãe terra, executadas pelos próprios ancestrais que as praticavam.

Os San da Namíbia já ilustravam à 30.000 anos atrás tais experiências. Mitologias desse povo hoje conhecidas no ocidente através de pesquisas antropológicas foram registradas então. Rodeados de animais sagrados – porque representavam o ciclo da vida (alimento) e da morte (caçada) – figuras humanas foram registradas dançando cobertas com os elementos representativos daqueles animais. A arte é assim a prática mais antiga ilustrando culturas, crenças e experiências sociais e desse modo registando a nossa capacidade humana de expressar as vivências fisicas e espirituais que preenchem nossas vidas.

O mesmo continuamos a fazer hoje nos muros de nossas cidades onde artes murais como o grafitti canalizam as experiências, vivências, lutas, raivas e alegrias de artistas e comunidades. E a forma por vezes subversiva com que tal é feito apenas ilustra a repressão que proíbe que enchamos os nossos muros com a nossa história. Uma repressão que procura limitar a nossa capacidade humana de expressão presente à 30.000 anos e que deve por isso continuar a ser subvertida. Vivam os muros pintados!

 

Cave paintings, illustrating earthly wombs, were traditionally interpreted as hunting scenes which expressed our ancestor’s way of life. More contemporary theories go beyond such interpretations and see painted caves as expressions of spiritual experiences lived by shamans. Voyages to interior worlds, exteriorized on mother earth’s walls and executed by the same ancestors who practised them.

The San people from Namibia illustrated such experiences as far back as 30.000 years ago. Mythologies of this people’s culture, known to westerners today through the research work of anthropologists, were then replicated in cave walls. Surrounded by sacred animals – because they represented the cycle of life (food) and death (hunting) – human figures were registered while dancing covered with the accoutrements of those animals. Thus, art is the most ancient practice illustrating cultures, belief systems and social experiences, and registering our human ability for expressing the physical and spiritual livelihoods which fill our lives.

We do the same today in our city walls where mural art, such as graffiti, channel the experiences, livelihoods, struggles, anger and joy of artists and communities. And the subversive way in which that is often done is a consequence of the repression that forbids us to paint our walls with our histories. A repression which attempts to limit our 30.000 year old human ability of expression and which, for that reason, must be subverted. Long live painted walls.

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