Follow the drums / Sigam os tambores


Vozes de Mestres
On my way home the other day, I heard drums. As I came closer to the sound I saw a parade, heading in the same direction I was going. I decided to join them.
A double decker van led the way, followed by jugglers, dancers and a group of older women in popular dress that I later learnt were called Meninas de Sinhá (see http://www.myspace.com/meninasdesinha for info and tunes).
Last but not least, the drummers, a group called Baque de Trovão das Minas. Inspired by rhythms of the Northeast, such as Maracatu, this is also an experimental drumming band creating their own rhythm styles. http://www.trovaodasminas.blogger.com.br/
A girl explained that this was a celebration of ‘Vozes de Mestres’ (Voices of Masters), an encounter of popular cultures from the Brazilian northeast that was to be the theme of the winter festival of Ouro Branco.
I asked her where they were heading. “Casa do Conde” – she said
I had no idea where that was. “Well, you are about to find out”.
And so, instead of coming home to work on my lately much neglected blog, I decided to follow the drums.
Arturos Great choice. Among the many cultural expressions present were the ‘Guarda de Moçambique‘ representing the Comunidade dos Arturos located in the Belo Horizonte’s metropolitan area of Contagem. An all black community, composed of 45 families, all descendants of one man, Artur Camilo Silvério, born in 1885 four year previous to Brazilian abolition and son of a slave brought from Angola in the mid nineteenth-century when the Atlantic slave trade had in theory already been outlawed. Artur founded his community’s Brotherhood of Our Lady of the Rosary, the patron saint of slaves in colonial Brazil, also operating in Portugal at the time. And although its tradition disappeared from the colonial power, it persists to this day in the popular cultural expressions of the former colony. Artur descendants maintain the tradition alive, performing with rattles on their ankles while they dance around to the beautiful beat of the drum. Observing the group were the crowned Queen and King of Kongo that since colonisation represented the top hierarchy of slave organised resistance.
bumba_boi Another performance, the ‘Boi de Maracanã’ from the northern state of Maranhão, uses a variety of percussion instruments, such as rattles and tambourines. The central figure is the bull impersonated in the costume of the central dancer, around whom dance the caboclos, dressed in elaborated feather based costumes, celebrating indigenous and afro-descendant traditions, dedicated to patron saint John syncretised in the Orisha figures of Xangô and Vodum Badé.
Check their website at http://www.boidemaracana.com.br/ and watch this small videos to get an idea of what their performance looks like:
http://www.boidemaracana.com.br/videos.html
http://www.youtube.com/watch?v=A_JhpuLiMYc
The evening ended with a ‘samba de terreiro’ at the beat of ‘Fala Tambor’ http://falatambor.spaces.live.com/ a recreation of traditional slave cultural and religious expressions. A performance that with a bit of imagination can take you back in time, to the grounds of plantation slave quarters, when drumming and dancing provided slaves with a spiritual bridge to ancestral Africa, while the masters locked in their mansions shivered in fear for revolt.
Finally on my way home I tasted my delicious and unexpected encounter with history. Sometimes it is better to forget you plans, accept the unexpected, and simply follow the drumbeat.

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A caminho d casa outro dia, ouvi o som do batuque. Quando me aproximei descobri um cortejo indo na mesma direção que eu. Decidi juntar-me a eles.
Uma van de dois andares liderava o grupo, seguida por malabaristas, dançarinos e um grupo de mulheres mais velhas em traje popular, que mais tarde soube serem as Meninas de Sinhá (ver http://www.myspace.com/meninasdesinha para informação e música).
Por último, a percussão de um grupo chamado Baque de Trovão de Minas. Inspirados pelos ritmos Nordestinos, tal como o Maracatu, este é um grupo experimental criando também seus próprios ritmos. http://www.trovaodasminas.blogger.com.br/
Uma garota me explicou que esta era a celebração das ‘Vozes de Mestres’, um encontro de culturas populares do Nordeste Brasileiro, tema cetral do festival de inverno de Ouro Branco.
Perguntei para onde se dirigiam. “Casa do Conde” – respondeu.
Não tinha nem ideia onde isso ficava. “Então voçê vai conhecer hoje”.
E assim, em vez de vir para casa trabalhar no meu ultimamente negligenciado blog, decidi seguir os tambores.
Ótima escolha. Entre as muitas expressões culturais aí presentes estavam a ‘Guarda de Moçambique’ representando a Comunidade dos Arturos situada em Contagem, na área metropolitana de Belo Horizonte. Trata-se de uma comunidade negra composta pelas 45 familias descendantes de um homem, Artur Camilo Silvério, nascido em 1885, quatro anos antes da abolição e filho de um escravo trazido de Angola em meados do século XIX, quando o tráfico de escravos no Atlântico havia supostamente já sido proibido. Artur fundou a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário na sua comunidade para honrar a santa padroeira dos escravos no Brasil, que também existia no Portugal da época. E apesar dessa tradição ter já aí desaparecido, ela persiste até hoje nas expressões culturais da antiga colónia Portuguesa. Os descendentes de Artur continuam a tradição, dançando em roda com chocalhos presos nos tornozelos ao som do batuque. Observando o grupo estavam a Rainha e Rei do Kongo (com K de acordo com fonética Africana!) que desde a colonização eram os representantes do topo da hierarquia da resistência organizada dos escravos.
Outra expressão, manifestada pela atuação do ‘Boi de Maracanã’ do estado norte do Maranhão, usa uma variedade de intrumentos de percussão, tal como chocalhos e pandeiros. A figura central é o boi personificado no traje do dançarino central, à volta de quem bailam os caboclos, vestidos em elaborados trajes de plumas, numa celebração de tradição indigena e afro-descendente dedicada a São João sincretisado nas figuras da Orixás Xangô e Vodum Badé.
Dêem uma olhada no website deles http://www.boidemaracana.com.br/ e vejam estes pequenos videos só para ter uma ideia de como é uma atuação deste grupo:
http://www.boidemaracana.com.br/videos.html
http://www.youtube.com/watch?v=A_JhpuLiMYc

A noite terminou com um ‘samba de terreiro’ ao som da batida de ‘Fala Tambor’ http://falatambor.spaces.live.com/, uma recriação das tradicionais manifestações culturais dos escravos. Com um pouco de imaginação, esta atuação pode levar-nos atrás no tempo, aos terreiros das senzalas, quando batuque e dança contruiam para o escravo uma ponte espiritual á Africa ancestral, enquanto os senhores, fechados em seus casarões, tremiam de medo com a ideia de revolta.
Finalmente a caminho de casa, saboreei o meu delicioso e inesperado encontro com a história. Ás vezes o melhor é esquecer todos os nossos planos, aceitar o inesperado e simplesmente seguir o batuque.

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