If work was a good thing the rich would have grabbed it a long time ago / Se trabalhar fosse coisa boa, gente rica já se teria apoderado dele


Bush ad AristideAbove is an Haitian proverb, which, in original french crioule reads: ‘Si travay te bon bagay, moun rich la pran-l lontan’. Like most proverbs it shows the wisdom of a people. And Haitians know A LOT about work. They’re been working for centuries for the benefit of others.

During the past week mainstream news omitted the protests in the former French colony, where people demanded a raise in the country’s minimum wage. After all, they have to report on the swine flu and michael jackson I guess. Sick of earning less than 2 dollars a day, the people of Haiti took the streets and suffered the usual riot police repression that such manifestations frequently bring about. Minimum wage was nevertheless raised, now up to 3,75 dollars a day, that is for a 10 hour day of work, which mean 37 cents to the dollar per hour. Should they be happy about it? They were only asking for 5 dollars a day…

Sweat Shop

While their demand, and what they got, is still a miserable gain for a day’s work, and still the lowest minimum wage in the western hemisphere, there will always be those empty headed opinions that it must be enough for Haiti, where everything is so cheap. For tourists, right?  Of course, you don’t want to endanger the free trade area profits and make the first world pay more for the clothes manufactured in the island’s sweat shops. The costs must be kept low for the sake of Haiti’s development. And that is according a report by that wonderful impartial organisation whose aim is to keep all nations united. You know, the one seated in NYC? 

Well, it seems that in Haiti, work remains a really bad idea. It has been so for all of the island’s history. Haiti had the first all black revolution in the world, after it broke from France in 1804 following a 13 year old struggle against the slave masters. After all, French revolutionary ideas on liberty, equality and fraternity applied only to the colonial powers, not to those subjected to them. But even then, such concepts arrived in Haiti giving black slaves some ‘really bad ideas’. But wouldn’t you get them also after enduring centuries of cruel punishments such as quatre piquets – being whipped while having hands and arms tied to the ground – echelle – being whipped while tied to a ladder – or hamac – being whipped while suspended by arms and legs? Yep, the French, as all other colonial powers loved the whip, not to mention other sadistic options such as quartering, hanging, burning alive or burying slaves up to the neck to be eaten alive by insects. No wonder that by the French revolution, slaves were quite ready to take revolutionary matters into their own hands and, though deprived of modern technology such as the guilhotine, still do away with their masters.

For more on sado-colonial practices in Haiti please consult Joan Dayan’s Haiti, History and the Gods or read the following link with a plastic bag close by in case you need to throw up http://www.ahadonline.org/eLibrary/creoleconnection/number09/blackhistory.htm

Voltaire HectorAfter independence, in order to be recognised as an independent nation and be able to participate in the world market, Haitians were required to pay compensation to the French. And so, they contracted their first foreign debt of 150 million francs. A debt that has since been up to over 1 billion dollars. They had worked for free and still they had to pay. Was this another French revolutionary idea or were they simply confused? Well, as another Haitian proverb says: ‘Pal franse pa di lespri pou sa’ – speaking french doesn’t mean you’re smart.   

Two centuries have passed, foreign debt has sky rocketed, and a few dictators, foreign corporations and U.S. invasions later, Haiti is still one of the most impoverished nations in the world where the minimum wage is still less than 4 dollars a day…I’d say they need another revolution, wouldn’t you?

 

///

O titulo acima é um provérbio do Haiti, no crioulo francês original ‘Si travay te bom bagay, moun richla pran-l lontan’. Como a maior parte do provérbios mostra a sabedoria de um povo. E os Haitianos sabem MUITO sobre trabalho. Trabalham há séculos para beneficio dos outros.

Durante a semana passada os meios de comunicação social omitiram os protestos na antiga colónia francesa, onde o povo exigia o aumento do salário minimo nacional. Afinal, eles têm que noticiar a gripe suína e o michael jackson. Cansados de ganhar menos de 2 dólares por dia, o povo Haitiano saiu para a rua e sofreu a habitual repressão policial que tais manifestações sempre acarretam. Mesmo assim, o salário minimo foi aumentado, desta vez para 3,75 dólares por dia, isto é para um dia de 10 horas de trabalho, o que significa 37 centimos de dólar por hora. Devem então os Haitianos ficar felizes? Eles só pediam 5 dólares por dia…

Apesar da sua exigência e do resultado alcançado, ser ainda um ganho miserável por um dia de trabalho e o salário minimo continuar o mais baixo do hemisfério, vai sempre haver umas cabeças vazias opinando que tal chega para o Haiti onde tudo é tão barato. Para os turistas, certo? Claro que não se pode pôr em perigo os lucros obtidos nestas áreas de comércio livre e fazer o primeiro mundo, coitado agora em ‘crise’, pagar mais pelas roupinhas produzidas no suor das fábricas do ‘terceiro mundo’. Os custos têm de se manter baixos pela saúde do desenvolvimento do Haiti. Isto de acordo com um relatório feito por aquela maravilhosa e imparcial organisação que tem como objetivo manter todas as nações unidas. Vocês sabem, aquela sediada em NYC?

Bom, parece que no Haiti o trabalho continua a ser uma ideia muito má. Tem sido assim durante toda a história da ilha. O Haiti conseguiu a proeza de fazer a primeira revolução negra no mundo, separando-se da França em 1804 após 13 anos de luta contra os senhores de escravos. Afinal, as ideias revolucionárias francesas de liberdade, igualdade e fraternidade só eram aplicáveis nos poderes coloniais, não nos territorios subjugados. Mesmo assim, tais conceitos chegaram ao Haiti e deram aos escravos ‘ideias péssimas’. Mas não as teriam vocês também após aguentar séculos de castigos cruéis tais como o quatre piquets – ser chicoteado com as mãos e pés presos ao chão – echelle – ser chicoteado enquanto preso a uma escada – ou hamac – ser chicoteado enquanto suspenso pelos pés e mãos? Pois é, os franceses, tal como os outros poderes coloniais, adoravam um chicote, isto para não falar de outras opções sádicas tais como esquartejamentos, enforcamentos, linchamentos ou enterrar os escravos até ao pescoço, abandonando-os para ser comidos vivos por insectos. Não admira que por alturas da revolução francesa, os escravos tivessem prontos a tomar as rédeas da revolução e, apesar de não ter acesso a tecnologias mais modernas como a guilhotina, acabar com os ‘seus’ senhores.   

Para mais informação sobre práticas sado-coloniais no Haiti consultem Haiti, History and the Gods de Joan Dayan ou leiam o seguinte artigo com um saco de plástico por perto caso precisem de vomitar http://www.ahadonline.org/eLibrary/creoleconnection/number09/blackhistory.htm

Após a independência, e de forma a poder ser reconhecido como nação independente e participar no mercado mundial, o Haiti teve de pagar compensação aos franceses. E assim, contraiu a sua primeira divida externa no valor de 150 milhões de francos. Uma divida que desde então subiu para mais de 1 bilhão de dólares. Tinham trabalhado de graça durante séculos mas mesmo assim tinham de pagar. Mais uma ideia revolucionária, ou sinal de que os franceses estavam confusos? Bem, como diz um outro provérbio Haitiano: ‘Pal franse pa di lespri pou sa’ – falar francês não é sinal de inteligência.

Passaram-se dois séculos, a divida externa subiu à lua, e alguns ditadores, corporações estrangeiras e invasões norte-americanas depois, o Haiti continua uma das nações mais pobres do mundo onde o salário minimo é ainda menos de 4 dólares por dia… Parece-me que eles estão mesmo a precisar de outra revolução não acham? 

About manu|escrita

https://about.me/manu.escrita View all posts by manu|escrita

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: