Other Carnivals / Outros Carnavais


Photo credits: João Perdigão – flickring and blogging at http://www.flickr.com/photos/psychojoanes/   http://canhotagem.blogspot.com/               http://tropecassino.blogspot.com/

Even though carnival lovers insist on post-carnival celebrations in hopes the season is extended to more than the traditional 4 days, Brazilian carnival is now officially over. Good. I could not do this for another week without serious risk of heart, liver and kidney failure or some sort of emergency internment in a detox institution. I finally realized on saturday, while attending a post-carnival parade, that I couldn’t take it any longer. It’s ancient wisdom that carnival is a 4 day event and the reasons are obvious.

Foreigners, people around the world who know nothing about Brazil, who don’t have a particular interest in this culture, know at least two things about it: a) there’s no world cup without Brazil, b) every february Brazil stops for 4 days and a gigantic wave of colour and naked people dance in impossible surreal moves on the streets. These foreigners are obviously confronted with tv images of Rio de Janeiro’s great yearly feast, a literal ripping of the flesh, or of the pleasures of the flesh: Carnival, a festival that in Brazil arthropophagyzed european and african traditions, becoming the national cultural image of the country. And in Rio, Carnival is everything. It’s impressive, it’s beautiful, it’s unique and it’s done with love, pride and joy by the great Samba schools. 

Far away from Rio however, in the  small town of São Domingos do Prata, state of Minas Gerais, carnival is very different from the splash of colour broadcasted to the world. As in many other cities away from Rio, alongside samba carnival buffoons welcome axé music from bahia, pumping it out of their car’s super loud speakers, driving us insane with whatever is the carnival hit of the year … 

My head still remembers the buzzzzzzzzzzz ‘oh rebolation, oh rebolation, tion oh rebolation, tion oh rebolation’. The lyrics are an anglicization of the Brazilian word ‘rebolar’: 1 to roll, tumble. 2 to shake the hips, walk with a swinging gait. 3 to shimmy. 4 to whirl around, revolve rapidly. 5 rebolar-se to swagger, wiggle, shake one’s body, roll, sway

But it’s not all samba and axé. Carnival marchinhas are played along parades of happy dancing people – the blocos. Many wear masks, fantasies, costumes. Blocos compete against each other for the award of best bloco of the year. In São Domingos do Prata, the minhocão was this year’s well-deserved winner! It simply consisted of a row of very drank people wearing funny paper hats and cloth-ganged to each other by the neck… – myself included.

As night fell more and more people came out, and many local delicious sugar cane rums later the streets became incredibly loud, pictures increasingly out of focus and street can-pickers busier and busier. 

A few fights broke out with the military police heroically intervening, holding the wrong guy for a while, yelling at bystanders to stay away and even making two arrests – wow – in one night. A comedy observed by this arthroponomad from a balcony nearby.  

For 6 days (not 4), these are the daily events of a town celebrating carnival away from glamorous Rio. It’s a carnival made of multiple hilarious moments, where real people become caricatures of themselves, lovers fight, drama breaks out, but all you hear is the sound of your laughter.

Oh, and the rebolation… (bonus video below…)

Fotografia: João Perdigão – flickrando e bloggando em http://www.flickr.com/photos/psychojoanes/   http://canhotagem.blogspot.com/               http://tropecassino.blogspot.com/

Apesar dos amantes de carnaval insistirem com celebrações pós-carnavalescas ansiosos por esticar o acontecimento para além dos 4 dias, o carnaval brasileiro foi agora oficialmente encerrado. Ótimo. Não conseguia passar por mais uma semana daquilo sem correr o sério risco de falha cardíaca, do fígado ou dos rins, ou então algum tipo de internamento urgente numa clinica de desintoxicação. Percebi finalmente no sábado, enquanto acompanhava uma parada pós-carnaval, que já não aguentava mais. A sabedoria antiga ensina que o carnaval são 4 dias e é óbvio porquê.

Estrangeiros, gente pelo mundo fora que nada sabe do Brasil, que não tem um interesse especial nesta cultura, sabe pelo menos duas coisas: a) não pode haver copa do mundo sem o Brasil b)todos os anos em fevereiro, o Brasil pára durante quatro dias, e uma onda gigante de cor e gente sem roupa dança em impossiveis e surreais movimentos pelas ruas. Estes estrangeiros são confrontados com imagens televisivas da grande festa anual da cidade do Rio de Janeiro, um literal arrancar da carne, ou será dos prazeres da carne(?): o famoso Carnaval. E no Rio, Carnaval é tudo. É impressionante, é maravilhoso, é único e é feito pelas escolas de samba com amor, orgulho e alegria.

Longe do Rio, na cidade de São Domingos do Prata, Minas Gerais, o carnaval é muito diferente das imagens de cor que o mundo vê na televisão. Como em outras cidades, também longe do Rio, junto com o samba é bem vindo o axé da Bahia, bombando dentro dos carros e levando-nos à loucura com seja qual for o hit de carnaval do ano.

A minha cabeça lembra ainda o zum-zum oh rebolation, oh rebolation, tion oh rebolation, tion oh rebolation, uma letra que anglicanizou a palavra rebolar 1 Pôr em movimento, à maneira de bola (qualquer corpo redondo ou roliço): O garoto rebolava o barril. vint e vpr 2 Mover-se em torno de um centro ou de um eixo; rolar sobre si mesmo: Caindo pelo barranco, rebolaram (ou rebolaram-se) até embaixo. vtd 3 Mover lascivamente (as nádegas) na dança ou na marcha. vint e vpr 4 Bambolear-se, menear-se, saracotear-se; andar, movendo sinuosamente o corpo. vint e vpr 5 Espojar-se, revolver-se no chão: Rebolavam (ou rebolavam-se), prazenteiros, os gatinhos.

Mas no Prata nem tudo é samba e axé. Marchinhas de carnaval levam o povo em bloco pelas ruas dançando alegremente. Muitos usam máscaras e fantasias, e os blocos competem pelo prémio de melhor do ano. Em São Domingos do Prata, foi o minhocão que merecidamente ganhou este ano! Uma fila de bêbados de cómicos chapéus acorrentados pelo pescoço por um pano – e eu lá no meio.

Quando a noite caía mais gente aparecia, e muitas cachaças depois, ia aumentando o barulho animado da rua, as fotografias iam ficando mais desfocadas e os catadores de latinhas cada vez mais ocupados.

Também houve brigas, mas a policia militar interferiu heroicamente, prendendo o cara errado por algum tempo, gritando a quem não tinha nada com aquilo para se afastar, e até fizeram duas detenções – wow – em uma noite. Uma comédia observada por esta arthroponomada de uma varanda perto da cena do crime.

Durante 6 dias (não apenas 4) estes eram os acontecimentos diários de uma cidadezinha celebrando o carnaval longe do glamoroso Rio de Janeiro. Foi um carnaval repleto de momentos hilariantes, em que pessoas reais se transformavam nas suas próprias caricaturas, onde amantes brigavam, dramas explodiam, mas onde tudo o que se ouvia era o som das nossas próprias gargalhadas.

Ah, e o rebolation …

 

 

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