Happy International What Day ? / Feliz Dia Internacional do Quê?


   

  

Depending on your point of view, today might not feel like a woman’s day. For men it is the usual phone call, message or email to a female friend, or the mandatory gift to a girlfriend. For the wife beater and the macho men in general, little or nothing will change. And for women?  

There is of course the obvious misrepresentation of women in business and politics – which in view of examples such as Margaret Thatcher, Hillary Clinton or the portuguese leader of the social democrats Manuela Ferreira Leite seems irrelevant. Power and authoritarian mentality are patriarchal, so women in power, or at least those making it to the top, behave patriarchically. These don’t count.  

Women I’m concerned with here are not in positions of power. They are at the depths holding the structure as cheap labor, even cheaper then their male counterparts. They are battered wives, single mothers, abused women, trapped in violent relationships, both physically and psychologically. They are women taught to be invisible, docile, to lower their heads, to be polite and shut the fuck up, not to argue, to stand b(ehind)y their man. And often, what is painfully enranging, is that some women accept this construction of the ‘gentle sex’ idea and actually believe that that’s the way it should be.  

in Balmy Alley, Mission District, San Francisco, California

Global Issues refers to a feminization of poverty citing the work of anthropologist Richard Robbins, who stated that even in Europe, where women’s movements are strong, 2 thirds of the poor are women. In the United States the most poor are women caring for children. Amnesty International, using Cambodja and Scandinavia as example, published a report stating that in both poor and rich countries, women suffering sexual assault have little hope of bringing their attacker to justice, due to lack of police, medical and judicial committment to their complaints. And Human Rights Watch who started a new monthly ‘women in the world’ which you can subscribe on-line, published today a report on women refused asylum in the UK in spite of their fears regarding issues such as genital mutilation, trafficking and sexual violence. It’s institutional patriarchal power at its best. Creating internacional days to raise awareness for specific issues, but not acting to tackle the same issues it allegedly seeks to sort out.     

So, say again… happy international what day?  

Dependendo do ponto de vista, o dia de hoje pode não ser sentido por todos como o dia da mulher. Para um homem será o habitual telefonema, mensagem ou email a uma amiga, ou a prenda obrigatória para a namorada. Já para o marido agressor e o macho latino em geral não faz a menor diferença. E para as mulheres?  

Claro que existe por exemplo a questão da (des)representação feminina no mundo dos negócios e na política – o que julgando pelos exemplos de Margaret Thatcher, Hillary Clinton ou até a líder do Partido Social Democrata português Manuela Ferreira Leite, parece irrelevante. Poder e mentalidade autoritária são produtos patriarcais, pelo que mulheres no poder, ou pelo menos as que chegam ao topo, se comportam de forma patriarcal. Estas não contam.  

As mulheres sobre quem me importa refletir não estão em posições de poder. Elas ocupam as profundezas, sustendo a estrutura em que vivemos com a sua mão de obra barata, mais barata ainda que a de seus irmãos homens. Elas são mulheres que sofreram agressão física, mães solteiras, abusadas, encurraladas em relações violentas tanto física quanto psicologicamente. Elas são mulheres que foram treinadas para ficar invisíveis, dóceis, de cabeça baixa, a ser educadinhas e calarem a boca, a não contestarem, a ficarem ao lado (ou seja atrás) do seu homem. E muitas vezes, o que dói e enfurece, é que muitas aceitam esta construção do gentil sexo e acreditam que é assim que as coisas têm de ser.  

Global Issues refere-se à feminização da pobreza, citando o trabalho do antropologista Richard Robbins, que escreveu que até na Europa, onde os movimentos femininos são fortes, 2 terços dos pobres são mulheres. Nos Estados Unidos, a maioria são também mulheres com filhos a seu cargo. Amnestia Internacional, usando o Camboja e a Escandinávia como exemplo, publicou um relatório onde diz que tanto em países pobres quanto ricos, as mulheres vitimas de violência sexual só dificilmente conseguem trazer seus agressores à justiça, devido a falta de empenho de policia, médicos e funcionários judiciais. E o Human Rights Watch, que iniciou um canal Mulheres no Mundo que você pode subscrever online, publicou hoje um relatório sobre mulheres a quem é recusado asilo político no Reino Unido, apesar de seus medos relativamente a questões como mutilação genital, tráfico e violência sexual. É o poder institucional no seu melhor. Criando dias internacionais para chamar a atenção para questões especificas, e depois agindo contra as mesmas questões que alegadamente diz querer resolver.

Então digam lá outra vez … feliz dia internacional do quê?

'La Siguanaba' (female water spirit) by Juana Alicia, San Francisco in http://juanaalicia.com/sections/recently-completed/

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