…and counting: tatooing invisibility / …e contando: tatuando a invisibilidade


Wafaa Bilal is an Iraqui-american artist about whom I knew nothing until yesterday, when I saw his interview at that great daily web show that I love to watch called democracynow.org. It’s a habit of many years, and it remains today an important daily degustation that often causes me quite dense digestions.

Yesterday, it was Wafaa Bilal who caught most of my thoughts for the day. It was hard enough for me to imagine how anyone defining himself as an Iraqi and an American, lives an identity split between two nations in conflict. Particularly someone who lives and works in the U.S. while his brother, Haji, got killed in Iraq 5 years ago after an american missile hit. But Bilal is not confusing americans with the american government, or Iraqis with Saddam Hussein, who by the way he abhorred while he was growing up in Iraq. His work rather expresses the losses of one as the losses of all. And his own personal pain is revealed through his art geared at pointing out the violence that results in those losses. So yesterday, he used art to take the war into his own body, commemorating the victims on both sides in a 24 hour live tattooing performance.

… and counting took place at the Elizabeth Foundation for the Arts in New York. For an entire day, New Yorkers could walk into the gallery, read the names of the victims and watch Bilal being tattooed with the names of Iraqi cities forming a borderless map of the country. 5000 visible red dots represent the american dead soldiers, and 105,000 invisible green dots – only visible with ultraviolet light – represent the Iraqi victims in their invisibility before the eyes of corporate media and the western world. Over 100,000 Iraqis dead…and counting.

It is not the first time that Bilal uses his body to engage viewers in the political discussion around the war. He once used his image for a suicide bomber’s character in a hacked video game. Angered by the killing of a brother and father, the bomber’s objective was to explode himself next to George Bush II…   

… ok, I’ll refrain from tasting that idea now… 

On another occasion Bilal locked himself in a room where a robot would shoot at him under the command of anyone on the internet anywhere in the world. Shoot an Iraqui was this artist’s own manner of dealing with his brother’s then recent death, an exorcism of pain and a surrender of his own Iraqi body.  

Wafaa Bilal’s use of his image and body, articulates the exposure of all Iraqis to their foreign aggressor. As if an entire population is vulnerable and naked in the face of the will of others. Their bodies are not theirs to preserve, they belong to others; others who can choose whether to save them or destroy them. In the  exposure of Iraqi people-body however, becomes obvious the invisibility of the voiceless, those who are not counted because their existence is not acknowledged. Disposable people whose lifeless bodies are many, many thousands … and counting.   

Wafaa Bilal é um artista Iraqui-Americano sobre quem eu nada sabia até ontem, quando ouvi sua entrevista naquele ótimo web-show que eu adoro chamado democracynow.org. É um hábito de muitos anos, e continua a ser hoje uma degustação diária importante que frequentemente me causa digestões pesadas.

Ontem, foi Wafaa Bilal que ocupou meus pensamentos por grande parte do dia. É difícil para mim imaginar como alguém que se define como Iraquiano e Americano, vive uma identidade dividida entre duas nações em conflito. Particularmente alguém que vive e trabalha nos Estados Unidos, quando seu irmão foi morto há 5 anos no Iraque por um míssil americano. Mas Bilal não confunde americanos com governo americano, ou iraquianos com Saddam Hussein, que aliás ele abominava nos seus tempos de juventude no Iraque. O seu trabalho antes expressa as perdas de um como sendo as perdas de todos. E a sua dor pessoal revela-se na sua arte, direcionada a denunciar a violência que resulta nessas perdas. Assim, ontem, ele usou a arte para incorporar a guerra no seu próprio corpo, comemorando as vitimas de ambos lados, numa performance de tatuagem ao vivo durante 24 horas.

e contando teve lugar na Elizabeth Foundation for the Arts em Nova Iorque. Durante um dia, nova iorquinos podiam entrar na galeria, ler os nomes das vitimas e ver Bilal ser tatuado com os nomes de cidades iraquianas formando um mapa sem fronteiras do país. 5000 pontos vermelhos visíveis representam os soldados americanos mortos na guerra, e 105,000 pontos verdes invisíveis – apenas se podem ver a luz ultra-violeta – representam as vitimas iraquianas na sua invisibilidade perante os olhos da mídia corporativa e do mundo ocidental. Mais de 100,000 iraquianos mortos … e contando.

Não é a primeira vez que Bilal usa seu corpo para engajar o publico na discussão política à volta da guerra. Anteriormente ele usou a sua imagem para um personagem homem-suicida num videogame que ele copiou e adulterou. Enfurecido pela morte de um irmão e do pai, o objetivo do homem-bomba é explodir-se ao lado de George Bush II…

…ok, vou conter-me para não saborear essa idéia agora …

The Night of Bush Capturing: a virtual jihad, Beirut Art Center

Em outra ocasião Bilal fechou-se num quarto onde um robot disparava nele sob comando de qualquer um com acesso a internet em qualquer ponto do mundo. Mate um Iraquiano foi a forma que o artista encontrou de lidar com a então recente morte do irmão, um exorcismo de dor e uma rendição do seu próprio corpo iraquiano.

O uso que Wafaa Bilal dá a seu corpo articula a exposição a que o povo do Iraque tem sido submetido perante o seu agressor. Como se uma população inteira estivesse vulnerável e nua na frente da vontade dos outros. Seus corpos não são seus para preservar e cuidar, antes pertencem a outros; outros que podem escolher se os salvam ou destroem. Mas é nesta ‘exposição’ do povo-corpo iraquiano que reside a invisibilidade dos sem voz, os que não são contados porque sua existência não é reconhecida. Gente descartável cujos corpos sem vida são muitos, muitos milhares … e contando.    

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