The Walls of Discord / Os Muros da Discórdia


After the apple, the walls and other discords

Last week in São Paulo, street writers bombed an institutionally sponsored art mural writing: 200.000 in make-up and the city in calamity. True. Should they have done it? … And why not?

I don’t say this out of disrespect for the graffiti artists who did the job for the city’s make-up. Urban art has entered the art gallery circuit, state sponsored projects and even the facades of a Paris museum with the backing of the French government, for quite a while now. Still, something of a hot topic, not well seen by out of the gallery circuit artists who stand firmly on the principle that street art and street artists are not for sale.

And why would a wall writer, who has a political and social conscience, often backed by life experience, in a world of rampant political corruption and social inequality, care about respecting state-sponsored art? The art attack in São Paulo called attention to the fact that public money was spent on a colorful facade, which urban artists would otherwise be blocked from touching, while the city’s numerous slums encircling luxury condos highlight the vertiginous gap between the miserable and the super rich. 

Favela Paraisopolis next to Morumbi luxury condo, São Paulo in http://www.urban-age.net/10_cities/08_saoPaulo/_essays/SA_Caldeira.html

The action is valuable for its comment on a situation that is social and political. It adds to the mural composition by counterpointing its fallacy – what is not immediately apparent in its concept and execution – the question of its sponsorship and the use of public funds. In addition, it raises the issue of whose are the walls of our public spaces. Why a certain aesthetics is acceptable and others aren’t. Who makes those decisions and why are some allowed to colour our walls while others are persecuted for it.

What I appreciate in street art is not so much its aesthetics as it is its concept and attitude. Its disregard for authority and the system, its political attitude of defiance and resistance that makes no apology for where and when it decides to write. Not when authorities tell artists they can, but when these decide they must or want to. That is the spirit of the street writer. Expressing an identity in the anonymity of the night, in defiance of authority and the institutions of the system, denouncing unfair policies and keeping alive the spirit of resistance through the arts.

///

Depois da maçã, os muros e outras discórdias…

 

200.000 em maquiage e a cidade em calamidade in http://www.flickr.com/photos/choquephotos/4447153920/

Na semana passada em São Paulo, escritores de rua picharam um mural patrocinado pela prefeitura da cidade: 200.000 em maquiagem e a cidade em calamidade. É verdade. Deveriam tê-lo feito? … E porque não?

Não digo isto por desrespeito com os graffiteiros que fizeram o serviço de maquiar a cidade. Já faz tempo que a arte urbana entrou no circuito das galerias, dos projetos financiados pelos estados e até nas fachadas de um museu de Paris com o apoio do governo Francês. Ainda assim, continua assunto quente, algo não muito bem visto por artistas fora do circuito das galerias que se mantêm firmes no principio que arte e artistas de rua não estão à venda.   

Afinal, porque haveria um pixador, com uma consciência política e social, frequentemente baseada em experiência de vida própria, respeitar a arte que o estado financia, num mundo de desenfreada corrupção política e desigualdade social? O ataque artístico em São Paulo chamou a atenção para o fato de que dinheiros públicos eram gastos para colorir uma parede – que artistas urbanos não poderiam sequer tocar em circunstancias diferentes – enquanto as numerosas favelas da cidade rodeiam os condomínios de luxo realçando o fosso vertiginoso entre os miseráveis e os super ricos.

A ação valeu pelo comentário a uma situação que é social e política. Acrescentou à composição do mural, contrapondo a sua falácia, aquilo que não é imediatamente aparente em seu conceito e execução – a questão de seu mecenato e o uso de dinheiros públicos. Além disso, levantou a questão sobre de quem são afinal as paredes dos nossos espaços públicos. Porque é aceitável uma determinada estética e as outras não. Quem toma essas decisões e porque alguns são autorizados a colorir os muros enquanto outros são perseguidos por isso.

O que aprecio em arte urbana não é tanto a sua estética quanto o seu conceito e atitude. Admiro e apoio a sua desconsideração pela autoridade e pelo sistema, a sua atitude política de rebeldia e resistência, que não lamenta escrever nas paredes da cidade onde e quando quer. Não quando as autoridades dizem que o artista pode, mas quando este decide que deve ou quer. Ou não é o espírito do pixador, exprimir uma identidade no anonimato da noite, desafiando as autoridades e as instituições do sistema, denunciando políticas injustas, e mantendo vivo o espírito de resistência pela arte?

About manu|escrita

https://about.me/manu.escrita View all posts by manu|escrita

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: