The Devolution of the Carnations / A Devolução dos Cravos


36 years ago today in Portugal, people woke up to a day unlike any other day. Restlessness, fear, joy, incredulity, nervoussness, all mixed feelings interwoving in wonders of what the future might held. For many the news arrived by phone, by TV, by radio. For others the event was witnessed on the streets. A group of military men, unsatisfied with the continuation of a 13 year old colonial war, took over power in Lisbon and dethroned the dictator in charge Marcelo Caetano, without one drop of sheded blood. The story goes that, as they marched through the streets, a florist gave them carnations, which they placed on the barrels of their rifles.  The heroes of what became known around the world as the Revolution of the Carnations, were idolized under the respectful title of Captains of April, name given to the 2000 movie by Portuguese actress turned director Maria de Medeiros, famous for obssessing with her belly in Pulp Fiction. And Pulp Fiction seems to have been indeed what followed the historically constructed democratization of Portugal, decolonization of portuguese Africa, and integration into that big fat lie called the European Union. Summing up, a great opportunity missed.

But the 25th of April was not just the day of the fall of the regime in Portugal. It was also the promise of freedom and independence that Africans and Timorese living in the Portuguese colonies were hoping for. An independence at last after many centuries of devastating history, which sadly was followed by civil wars and in the case of East Timor by the brutal occupation of the Indonesian regime. Different routes to the same dead end of neo-liberalism. Isn’t it weird that all paths lead to Rome? Was the Revolution of the Carnations, together with the US backed invasion of Timor and the neo-liberal demands of the World Bank to African governments, all elements in the same much larger master plan of economic globalization? Was/Is freedom merely an illusion?

There was no revolution, there is no evolution. There is only the devolution of the carnations.

Faz hoje 36 anos que em Portugal o povo acordou num dia como nenhum outro. Desassogego, medo, alegria, incredulidade, nervosismo, sentimentos misturados e entrelaçados com incertezas relativamente ao futuro. Para muitos as noticias chegaram pelo telefone, pela televisão, pela radio. Outros foram testemunhas nas ruas. Um grupo de militares descontentes com a continuação de uma guerra colonial de 13 anos, tomou o poder em Lisboa destronando o ditador de serviço Marcelo Caetano sem derrubar uma gota de sangue. Reza a história que enquanto marchava, pelas ruas, uma florista ofereceu-lhes cravos que eles colocaram nos canos das espingardas. Os heróis do que se tornou mundialmente famosa como a Revolução dos Cravos ficaram conhecidos como Capitães de Abril, o titulo do filme da actriz agora diretora Maria de Medeiros, a mesma que obcecava com a sua barriga em Pulp Fiction (Polpa Ficcional). E foi mesmo uma polpa fictional que se seguiu à construção histórica da democracia em Portugal, da descolonização da Africa portuguesa, e da integração naquela grande mentira que é a União Europeia.

Mas o 25 de Abril não foi apenas o dia em que caiu o regime em Portugal. Foi também o dia em que a promessa de liberdade e independência chegou aos africanos e timorenses vivendo nas colônias portuguesas. Uma independência após séculos de história devastadora, que foi lamentavelmente seguida de guerras civis e, no caso de Timor Leste, por uma brutal ocupação do regime Indonésio vizinho. Caminhos diferentes para o mesmo beco sem saída do neo-liberalismo. Não é estranho que todos os caminhos vão dar a Roma? Foram a revolução dos Cravos, a invasão de Timor autorizada pelos Estados Unidos, e as exigências que o Banco Mundial faz aos governos africanos, tudo elementos no muito maior plano de globalização econômica? Foi/É a liberdade meramente uma ilusão?

Não houve revolução, não há evolução. Existe apenas a Devolução dos Cravos.

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