The Crosses of Lisbon / As Cruzes de Lisboa


NATO, that perfectably dispensable war mongering machine hiding behind the excuse of “defense”, is meeting in my lovely birthplace city this weekend. It’s ok. My birthplace has been stained with war blood for centuries. It was born out of it.

But, I don’t think of Lisbon like that. I don’t think of its castle as the site of medieval battles where people tortured other people in manners inimaginable to me. I don’t think of its cathedral as a place of endoctrination fueling secular hatred between different faiths or creating fear to kill creativity. I don’t think of its squares as the place of public executions, burning witches, and chopping off independent thinking heads. History is present in every corner, and I know well the history of my birthplace. But in the end, Lisbon for me is an image, usually an image frozen like a photograph, from the bairro of Graça, with the castle above my head and the downtown and river mouth area at my feet. At sunset. Or the feeling of an image. Something rises above cities, something imagetic but difficult to articulate, and in Lisbon I feel a female energy quite distant, as if rising its chin above the actions of the flees inhabiting her.

But somehow today I feel my birthplace is glancing down on the crosses that anti-nato activists brought to town. Perhaps, Lisbon is remembering all the blood and death it has seen for the millenia she exists, long before christians and muslims and even romans. The cross being a christian symbol has become an universal sign not just of death, but of murder, mass murder, genocide, perpretated by those who claim to defend us. And to counterpoint the closed door discussions on the manners to expand death and destruction, anti-war protestors gather in open air to promote peace and cooperation. In Alameda in Lisbon, a name of muslim origin and a steep hill avenue where roads and green areas intercalate, the crosses there placed come to simbolize what is and has always been chronically wrong with the designs of the war lords of this world.  Now as before. In a city that saw it all.

And around the city, the creativity of the non-endoctrinated faced fear, as portuguese activists and others coming from all over Europe and North America, covered in red paint like the blood of war victims, were removed by the police in Parque das Nações, and a flashmob took over the famous Rossio Station dropping ‘dead’ on the floor, one by one. And as I write these words, many more actions are on course and dozens have been arrested at mid-afternoon. My Lisbon is looking down smiling. And my Lisbon is certainly proud.

NATO, aquela maquina perfeitamente dispensável, manobrada pelos negociantes de guerra e camuflada atrás do argumento “defesa”, está hoje reunida na minha querida cidade natal. Tudo bem. A minha cidade natal foi manchada com sangue de guerra durante séculos. Nasceu assim.

Mas eu não penso em Lisboa dessa forma. Não penso no seu castelo como o lugar de batalhas medievais onde pessoas torturavam outras pessoas de formas para mim inconcebíveis. Não penso na sua catedral como um lugar de endoctrinação que alimenta o ódio entre diferentes fés e cria o medo para matar a criatividade. Não penso nas suas praças como lugares de execuções públicas, queima de bruxas e decapitação de cabeças independentes. A história está presente em todas as esquinas e eu conheço bem a história da minha cidade natal. Mas no final, Lisboa para mim é uma imagem, geralmente capturada numa fotografia mental, do bairro da Graça, com o castelo atrás e a baixa e zona ribeirinha a meus pés. No pôr-do-sol. Ou é o sentimento de uma imagem. Algo que se levanta sobre as cidades, algo imagético mas dificil de articular, algo que em Lisboa eu sinto como uma energia feminina e algo distante, como uma personagem  levantando a cabeça acima das ações das pulgas que a pragam e tomaram conta do seu fisico.

No entanto, hoje sinto que a minha cidade natal baixou os olhos para ver as cruzes que os ativistas anti-nato trouxeram para a cidade. Talvez Lisboa recorde hoje o sangue e morte que viu durante os seus milénios de existência, antes de mouros e cristãos, antes até dos romanos. A cruz, sendo um símbolo cristão tornou-se num simbolo universal de morte, assassinio, assassinio em massa, genocidio, cometido por aqueles que dizem defender-nos. Assim, em contrapartida às discussões de porta fechada sobre como expandir morte e destruição, manifestantes anti-guerra reunem-se em espaços abertos para promover a paz e a cooperação. Na Alameda de Lisboa, nome de origem mçulmana, as cruzes foram colocadas para simbolizar o que há e sempre houve de crónicamente errado com os designios do senhores da guerra que mandam no mundo. Hoje como ontem. E numa cidade que já viu de tudo.

E é nessa cidade que a criatividade dos não-endoctrinados enfrenta o medo, enquanto ativistas portugueses e outros vindos de toda a Europa e América do Norte, cobertos em tinta vermelha como o sangue das vitimas de guerra, foram removidos pela policia no Parque das Nações, e uma flashmob tomou a famosa estação do Rossio caindo ‘morta’ no chão, uma pessoa de cada vez. Enquanto escrevo estas palavras ouço que muitas mais ações estão em curso e dezenas já foram presos até este meio de tarde. A minha Lisboa baixou os olhos para ver e sorriu. E está orgulhosa. Concerteza.

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