The wife or the whore? / A esposa ou a puta?


Slave work or paid work? The wife or the whore? To have the duty to pay for a home, medical care and things for a wife, or to pay for what you need with no further responsabilities? “Which one do you prefer gentleman?”

The question is posed by Marlon Brando, brillant in the role of Sir William Walker in Gillo Pontecorvo’s Burn! Brando interprets a british imperial agent, and the argument above is meant to push for aboliton in a fictitious recently independent Caribbean country. What a coincidence that the principles of liberalism, where paid work pays for consumerism creating a new kind of slave, the worker, walked hand in hand with the good and fair cause of abolition. Which poses the question: was the fight for abolition all heart?

The stage is a fictitious island, modeled after Haiti, named Queimada, situated in the Caribbean and portrayed as a former portuguese colony now governed by a small white elite, while possessing a large population of black slaves. The role of Brando is reminiscent of the contemporary CIA agent, who trains a rebel Al-Qaeda and than turns against it when it no longer serves him.

“I’m not Portuguese. I’m a friend. Do you understand?” The black woman remained silent. You can never trust a colonial wherever he’s from. And smart woman she was. Sir William Walker had been sent by the british empire to find a rebel heart among the black men of Queimada. A man willing to fight for abolition, to win and to accept that the new british way was fair. He found that man in José Dolores, interpreted by Colombian actor Evaristo Marquéz who, moved by the plight of black people takes arms against the white oligarchy and wins abolition for his island. Ten years on, when Walker goes back to Queimada – now working for an english sugar company that has the island’s government hostage to the ‘market’ -, José is back in the mountains with his guerrilla fighting against the policies of liberalism that starve his people to death.

I could’t help thinking: if Sir William Walker was performing his royal duties today, he would probably be a world bank field agent. An economic hitman operating to push for the neo-liberal policies that facilitate the ways corporations corner poor countries and their people into dependence on a global market that only makes a few rich. The roots of the modern world are encapsulated in the history of Queimada, which is the history of Haiti and the history of most of the world that was once colonized by Europe. It is the history of liberalism and neo-liberalism, the history of promises and deceits, the history of oppression and resistance. Pontecorvo is brilliant in such portrayals as proved in his previous notorious work The Battle of Algiers about French colonial rule and resistance in Algeria. In Burn! Pontecorvo goes beyond the history of oppression that pushed resistance forward in an island that could be any colony of the world. He connects history to present pointing out the policies that were at the roots of contemporary inequalities around the globe, and makes a powerful analogy between slavery and labor, and the ilusion of freedom.

So gentlemen, which one do you prefer? The wife or the whore?

Trabalho escravo ou pago? A esposa ou a puta? Ter o dever de pagar uma casa, cuidados médicos e coisas para a mulher, ou pagar pelo que se precisa sem mais responsabilidades? “O que preferem meus senhores?”

A pergunta é colocada por Marlon Brando, brilhante no papel de Sir William Walker em Queimada! de Gillo Pontecorvo. Brando interpreta um agente imperial britânico, e o argumento acima pretendia acentuar os beneficios da abolição numa recém-independente ilha ficticia do Caribe. Que coincidência que os principios do liberalismo, onde o trabalho pago compra o consumerismo criando um novo tipo de escravo, o trabalhador, andaram de mão dada com a boa e justa causa da abolição. O que levanta a pergunta: foi a luta pela abolição toda coração?

O palco é uma ilha ficcional, modelada no Haiti, chamada Queimada, situada no Caribe e retratada como uma ex-colônia portuguesa agora governada por uma pequena elite branca, com uma população maioritariamente constituida por escravos negros. O papel de Brando lembra o de um agente contemporâneo da CIA, que treina um qualquer Al-Qaeda e depois se volta contra este quando deixa de servir o seu propósito.

“Não sou português. Sou um amigo. Entende?” A mulher negra permaneceu silenciosa. Não se pode confiar num colonial venha ele de onde vier. Era uma mulher inteligente. Sir William Walker tinha sido enviado pelo império britânico para encontrar um coração rebelde entre os homens de Queimada. Um homem que estivesse disposto a lutar pela abolição, a ganhar e a aceitar que o novo método inglês era justo. Encontrou esse homem em José Dolores, interpretado pelo ator colombiano Evaristo Marquéz que, movido pelo sofrimento do povo negro, pegou em armas contra a oligarquia branca, ganhando assim a abolição para a sua ilha. Dez anos mais tarde, quando Walker regressa a Queimada – trabalhando agora para uma companhia de açucar inglesa que tornou a ilha em escrava do ‘mercado’ -, José regressou às montanhas com seus guerrilheiros para lutar contra as politicas liberais que condenam o seu povo à fome.

Não pude deixar de pensar: se Sir William Walker cumprisse seu dever real hoje em dia, ele seria provavelmente um agente de campo do Banco Mundial. Um matador econômico operando para forçar politicas neo-liberais que facilitam a forma como corporações encurralam os países pobres e seus povos numa dependência do mercado global que só enriquece uns poucos. As raízes do mundo moderno estão encapsuladas na história de Queimada, que é também a história do Haiti e a história da maior parte do mundo que foi um dia colonizado pela Europa. É a história do liberalismo e do neo-liberalismo, uma história de promessas e enganos, uma história de opressão e resistência. Pontecorvo é brilhante nesses retratos como prova o seu notório trabalho A Batalha de Argel sobre o governo colonial francês e a resistência argelina. Em Queimada! Pontecorvo vai além da história de opressão que levou à resistência numa ilha que podia ser qualquer colônia do mundo. Ele liga a história ao presente apontando as politicas que estão na raíz das desigualdades contemporâneas à volta do mundo, e faz uma poderosa analogia entre a escravidão e o trabalho, e a ilusão de liberdade.

E então meus senhores, o que preferem? A esposa ou a puta?

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3 responses to “The wife or the whore? / A esposa ou a puta?

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