Monthly Archives: March 2011

Resistance Art: the memory of apartheid / Arte de Resistência: a memória do apartheid


Sharpeville, South Africa, 21th March 1960 – Thousands of black South Africans took the streets to march peacefully against increasingly more repressive pass laws, under which they were obligated to carry circulation permits in order to freely move around in their own land. On that day in Sharpeville, protestors met police violence. 69 people dead, 180 injured, among both several women and children, many shot in the back when trying to flee. The massacre, known to the world through the lens of Magnum photographer Ian Berry, was a turning point in which resistance against apartheid was intensified around the world, joining forces with the black struggles of colonized Africa and the Civil Rights Movement in the United States.

Photo: Ian Berry

Pass laws had been enforced since the Boer Wars, when Dutch settlers descending from the first white colonizers of the 17th century clashed with the massive British colonization that had started in the late 19th century, pushing the Dutch farther inland and causing more destruction to the native population. It was a war for white control; the black population wasn’t even factored in except as cannon fodder or labor force aka slave work. When Apartheid was given a name in 1948 – coincidently the same year of the foundation of the state of Israel, our most current example of an apartheid state sponsored by western civilization – Pass Laws were part of the reality of the black male population. In 1960 such laws were extended to the women, causing a nationwide wave of protests that met extreme police violence. Today in the International Day of the Struggle Against Racism, I remember the Massacre of Sharpeville, which took place 51 years ago. The tragedy was the catalyst for further resistance and a turning point after which political groups went underground and the first international sanction campaigns against apartheid began. Activists needed posters and South African resistance art production accelerated.

Photo: Ian Berry. Paarl, South Africa, 1981

Inspired by the struggle, artists intensified their gatherings in an increasing number of township black collectives. Black artists in South Africa were barred from academic training as much as from any other “white” activity. From 1948, when Apartheid acquired its legal name and the Bantu Educational Act passed to restrict the education of black south Africans, “crafts”- not Art – was termed and incorporated in the school curriculum of African children. In the 50’s, mediums such as photographs, prints, engravings, paintings and drawings were identified by the Public Safety Act as potentially subversive and their content was scrutinized. Black artists were encouraged to produce traditional objects and abstract art, therefore limiting their ability to visually document their daily black experiences in a white controlled land. Art production became a risky business.

Even so, an artist will be an artist, and the expression of resistance comes from the gut quite naturally for those with a highly developed sense of justice. Parallel to the school system, artists in the townships developed community centers with art workshops. These spaces provided a locale in which they could not only organize at a political level, but also exchange ideas, materials and techniques among themselves and with white artists sympathetic to their cause. In Cape Town, CAP (Community Art Project) grew to become the biggest workshop operating in South Africa, producing political posters and T-Shirts that were to circulate around the world. In Johannesburg, the Polly Street Workshop, later called the Jubilee Center, was home to artists, such as Louis Maghubela and Durant Sihlali who researched and revived the forgotten history of their ancient people, using rock art and tribal culture as inspiration. Another artist coming out of this “school” was Dumile Feni who created an “African Guernica” denouncing the Massacre of Sharpeville. Feni was a good friend of white artist and teacher Bill Ainslee, who in an act of defiance against the Group Areas Act, founded the Johannesburg Art Foundation in his own home, welcoming artists from all ethnicities. Ainslee would later be the founder of the Thupelo Workshop which lasted until the early 21st century.

South African artists stood bravely against apartheid, from within its beastly belly. They put an attitude of resistance in their lives and art, which is seldom remembered in the history of art and frequently left out of the disciplines’ publications. You can find any Goya, Michelangelo or Picasso in a split of a second on the internet. But it takes much more research to find the visual heritage of an era and a place that still needs to be remembered because it is not yet gone from many places, mentalities and attitudes. Below, after the portuguese translation, a series of anti-apartheid works here gathered to commemorate the Massacre of Sharpeville, a symbol of the worldwide struggle against racism today. It ain’t over yet.

"Massacre de Sharpeville", 1960, Dumile Feni

Sharpeville, África do Sul, 21 de março, 1960 – Milhares de sul-africanos saíram em passeata pacifica nas ruas, protestando as cada vez mais restritas Leis de Passe que limitavam a capacidade de circulação da população negra na sua própria terra. Naquele dia em Sharpeville, manifestantes confrontaram violência policial extrema. 69 pessoas morreram, 180 ficaram feridas, entre mortos e feridos várias mulheres e crianças, e muitas vitimas foram baleadas nas costas quando tentavam fugir. O massacre, que se tornou conhecido no mundo pela lente do fotógrafo Ian Berry da agência Magnum, marcou o inicio da intensificação da resistência antiapartheid por todo o mundo, unindo-se as lutas sul-africanas com as da restante África colonizada e do Movimento pelos Direitos Civis nos Estados Unidos.

"Living Apart", Ian Berry

As Leis de Passe existiam desde as Guerras Bôer, quando os descendentes dos colonizadores holandeses do século XVII confrontaram a massiva colonização inglesa em operação desde o século XIX, passando os primeiros a ocupar as terras interioranas o que causou ainda mais a destruição das populações nativas. Era uma guerra pelo controle branco; a população negra só era tida em conta se fosse para servir de carne para canhão ou para trabalhar aka ser escrava. Quando se deu um nome oficial de Apartheid ao regime, em 1948 – coincidentemente o mesmo ano da fundação do estado de Israel, o nosso exemplo mais atual de um país onde o apartheid é patrocinado pela civilização ocidental –, as Leis de Passe faziam parte da realidade da população negra masculina. Em 1960, as Leis de Passe foram extensivas às mulheres provocando protestos por todo o país. Hoje, no dia internacional da luta contra o racismo, quero lembrar o massacre de Sharpeville, que teve lugar precisamente há 51 anos. A tragédia foi a catalista de mais resistência obrigando muitos grupos à clandestinidade e provocando as primeiras campanhas internacionais por sanções contra o regime Apartheid da África do Sul. Ativistas precisavam de posters e a produção de arte de resistência sul-africana acelerou.

Inspirados pela luta, artistas intensificaram seus encontros num cada vez maior número de coletivos negros formados nas Townships, as favelas da África do Sul. Artistas negros eram proibidos de receber treino acadêmico assim como de qualquer outra atividade dos brancos. A partir de 1948, quando Apartheid recebeu seu nome oficial e a Lei de Educação Bantu passou a restringir a educação dos negros, artesanato – e não Arte – foi denominado e incorporado no currículo escolar das crianças. No anos 50, a Lei de Segurança Pública identificou materiais fotográficos, estampas, gravuras, pinturas e desenhos como potencialmente subversivos e os conteúdos passaram a ser escrutinados. Artistas negros eram encorajados a produzir objetos tradicionais e arte abstrata, ficando assim limitada a sua capacidade para documentar visualmente as suas experiências cotidianas de negros/as numa sociedade controlada por brancos. A produção de arte tornou-se assim num arriscado negócio.

Mesmo assim, um artista é um artista, e a resistência enquanto expressão brota das entranhas daqueles que têm um elevado sentido de justiça. Paralelamente ao sistema educacional, artistas originários das Townships desenvolveram oficinas de arte nos centros comunitários locais. Esses espaços permitiam que os artistas não só se organizassem a um nível político, mas que também trocassem idéias, materiais e técnicas entre si e com artistas brancos apoiantes da sua causa. Na Cidade do Cabo, a CAP (Projeto de Arte Comunitária) cresceu até ao ponto de se tornar a maior oficina em funcionamento na África do Sul, produzindo t-shirts e posters políticos que circularam pelo mundo inteiro. Em Johanesburgo, a Oficina de Polly Street, mais tarde chamada de Jubilee Center, treinou artistas como Louis Maghubela e Durant Sihlali que pesquisaram e reavivaram a história esquecida dos ancestrais sul-africanos, usando arte rupestre e culturas tribais como fonte de inspiração. Outro artista que saiu desta “escola” foi Dumile Feni que criou uma “Guernica Africana” denunciando o massacre de Sharpeville. Feni era amigo do artista e professor branco Bill Ainslee, que desafiou a Lei de Áreas por Grupo, ao criar a Fundação de Arte de Johanesburgo na sua própria casa, recebendo artistas de todas as etnias. Ainslee seria também mais tarde o fundador da Oficina Thupelo que durou até ao inicio do século XXI.

Os artistas da África do Sul enfrentaram com bravura o apartheid, a partir da barriga da própria besta. Assumiram uma atitude de resistência tanto na vida quanto na arte, algo que é raramente lembrado na história da arte e quase sempre deixado de fora nas publicações da disciplina. Encontramos um Goya, Miguelangelo ou Picasso em milésimos de segundo na internet. Mas é preciso muito mais pesquisa para encontrar a herança visual de uma era e de um lugar que ainda precisam ser lembrados porque ainda não desapareceram de muitos outros lugares, mentalidades e atitudes. Segue uma série de imagens antiapartheid reunidas aqui para comemorar o Massacre de Sharpeville, hoje um simbolo da luta internacional contra o racismo. Que ainda não acabou.

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Iraq: 8 years of war and protests / Iraque: 8 anos de guerra e protestos

Remember Captain Nascimento from Elite Squad? In the sequel movie, after a robbery of weapons in a Rio police station, the government of Rio’s state wants to blame the theft on local drug dealers. Nascimento no longer leads the Elite Squad and has taken a desk job in the state’s security department. His intelligence service convinces him that the weapons are not to be found in the favela. Still, an operation is launched. “You should call it Operation Iraq!” shouts furiously Nascimento. Yep… they couldn’t find any weapons either.

The war on Iraq started 8 years ago today, on the basis that the country was involved in the 911 attacks and had weapons of mass destruction. The new american president, the ass who didn’t start the war but continues it, arrived in Brazil today. At least here he’ll be sheltered in Brasilia, the super-rich capital built in the middle of nowhere, so that the brazilian political elite can conduct its business with the minimum disturbance possible from anyone protesting its actions. O-bummer prefers to hide behind 3000 security men in the tropics, escaping the protests in front of the white house. But by many here, he’s not welcome either.

“I can’t believe I’m still fucking protesting this shit” is my new exhibition on flickr. My homage to protestors around the world who haven’t yet given up 8 years on. A selection of photos by flickr members, showing ARTivist graphic works and performances, because art is also to put yourself out there for the things you believe in and are passionate about.

And if you want to see what american democracy really looks like in the middle east,  google Iraq War Victims and click on images.

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Lembram-se do Capitão Nascimento da Tropa de Elite? Na seqüela, após um roubo de armas numa delegacia do Rio, o governo daquele estado põe a culpa em traficantes locais. Nascimento já não lidera o batalhão mas trabalha no departamento de segurança do estado. O seu serviço de inteligência o convence que as armas não estão na favela. Mas mesmo assim, uma operação é lançada. “Vocês deviam chamar-lhe Operação Iraque!” grita Nascimento furioso. É… eles também não encontraram as armas.

A guerra no Iraque começou faz hoje 8 anos, com o pretexto de que aquele país estava envolvido nos ataques de 11 de setembro e tinha armas de destruição em massa. O novo presidente americano, o idiota que não começou a guerra, mas a continua, chegou hoje ao Brasil. Aqui ele estará protegido em Brasília, a capital super-rica construída no meio do nada para que a elite política brasileira possa conduzir seus assuntos sem ser muito incomodada pela presença de manifestantes. Obama prefere esconder-se nos trópicos, atrás de 3000 seguranças e assim escapar aos protestos em frente da casa branca. Mas nem todos aqui, lhe dão as boas vindas. E não posso deixar de me perguntar: Se Dilma ainda fosse uma “terrorista” como os americanos lhe chamariam no início dos anos 70, será que o Obama a mandava para Guantánamo?

“Não acredito que ainda tenho de protestar esta merda” é a minha nova exposição no flickr. A minha homenagem a manifestantes que à volta do mundo ainda não desistiram 8 anos depois. Uma seleção de fotos de membros do flickr, mostrando trabalhos gráficos e performances de ARTivistas, porque a arte também é nos expormos pelo que acreditamos e pelo que nos apaixona.

E se ainda quiserem ver como é a democracia americana no Oriente Médio, googlem “Vitimas de guerra no Iraque” e cliquem nas imagens.


A Poet of the African liberation / Um Poeta da libertação Africana

Agostinho Neto, 1st President of Liberated Angola, 1975-1979

On my last post, I quoted Ghandi who said that the western civilization was a very good idea. I also spoke of Frantz Fanon, medical doctor of African descent from the Martinique, who worked in a hospital in Algeria and was inspired by his patients to speak up against french colonial rule in that country and colonialism around the world. Today, on the 50th anniversary of the beginning of the colonial war in the African territories under control by the portuguese, I recall another doctor and revolutionary, who was also a poet and who wrote of western civilization. Agostinho Neto fought portuguese colonial rule in his homeland, Angola. Upon the end of the colonial war, which lasted from 1961 to 1974, he became the first president of new republic of Angola until his death in 1979. His party, MPLA (Popular Movement for the Liberation of Angola), remains in power to this day under dictator José Eduardo dos Santos, who sadly subverted the principles of any popular liberation philosophy. But the ideas and the words of the revolutionary poet still echo on the 21st century, now that revolution spreads from the arab north to the black south of África, now that it is clear to increasing numbers of people that western civilization is doomed.

On a day where inumerous publications, under the pretense of being fair and imparcial, report the  history of the colonial war as having started on a specific day – the day that guerrillas attacked several plantations killing both whites masters and blacks servants -, it is good to recall that the war for liberation began much earlier. In fact, centuries ago on the day that the portuguese set foot in African land. The poem below by Agostinho Neto speaks of that. Of the interlude of despair and suffering, of massacres and genocides. Centuries being told, and some buying into it, of how civilization was good, splitting the colonized into assimilated and non-assimilated. Dividing to rule. Perhaps that answers the question  which for me is not really whether that day was the day that the colonial war started. The question is: what took them so long?

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No meu último post citei Ghandi que disse que a civilização ocidental era uma ótima ideia. Escrevi ainda sobre Frantz Fanon, médico nascido na Martinica, descendente de africanos, que trabalhou num hospital na Argélia e foi inspirado por seus pacientes a falar públicamente contra o governo colonial francês naquele país, e contra o colonialismo em todo o  mundo. Hoje, 50 anos após o início da guerra colonial nos territórios africanos controlados pelos portugueses, lembro outro médico e revolucionário, que era também poeta e se pronunciou através da poesia sobre a civilização ocidental. Agostinho Neto lutou contra o colonialismo português na sua terra angolana. Com o fim da guerra colonial, que durou de 1961 a 1974, tornou-se o primeiro presidente da nova república de Angola até sua morte em 1979. O seu partido, o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), continua até hoje no poder com a liderança do ditador José Eduardo dos Santos, que infelizmente subverteu os principios de qualquer filosofia de libertação popular. Mas as ideias e as palavras do poeta revolucionário ecoam ainda pelo século 21, agora que a revolução se espalha do norte árabe ao sul negro da África, agora que é claro para cada vez mais gente que a civilização ocidental está condenada.

No dia em que várias publicações, sobre o pretexto e a pretensão de serem ‘imparciais’, relatam a história da guerra colonial como tendo começado num dia especifico – o dia em que guerrilhas atacaram várias plantações matando tanto os senhores brancos quantos os serviçais negros-, é bom lembrar que a guerra da libertação começou muito mais cedo. Na realidade séculos antes, no dia em que os portugueses colocaram o pé em terras africanas. O poema abaixo de Agostinho Neto fala disso. Desse interlúdio de desespero e sofrimento, de massacres e genocídios. Séculos escutando, e muitos acreditando, que a civilização é boa, dividindo os colonizados entre assimilados e não-assimilados. Dividir para governar. Talvez isso responda à pergunta que para mim não é se a guerra colonial começou ou não naquele dia. A pergunta é: porque demoraram tanto tempo?

Civilização ocidental                                                        Western Civilization

Latas pregadas em paus                                           Cans nailed to sticks
fixados na terra                                                         grounded on earth
fazem a casa                                                             make the home 
Os farrapos completam                                            Rags complete 
a paisagem íntima                                                     the intimate landscape
O sol atravessando as frestas                                    The sun shines across the cracks
acorda o seu habitante                                              waking up residents
Depois as doze horas de trabalho                              Then twelve hours work
escravo                                                                     slave work
Britar pedra                                                               Break rocks
acarretar pedra                                                          carry rocks
britar pedra                                                                break rocks
acarretar pedra                                                          carry rocks
ao sol                                                                         under the sun
à chuva                                                                      under the rain
britar pedra                                                                break rock
acarretar pedra                                                           carry rock
A velhice vem cedo                                                    Old age comes early
Uma esteira nas noites escuras                                    A mat on a dark night
basta para ele morrer                                                  is enough for him to die
grato                                                                           thankful
e de fome.                                                                  and hungry

Fogo e ritmo

Sons de grilhetas nas estradas
cantos de pássaros
sob a verdura úmida das florestas
frescura na sinfonia adocicada
dos coqueirais
fogo
fogo no capim
fogo sobre o quente das chapas do Cayatte.
Caminhos largos
cheios de gente cheios de gente
em êxodo de toda a parte
caminhos largos para os horizontes fechados
mas caminhos
caminhos abertos por cima
da impossibilidade dos braços.
Fogueiras
	   dança
	   tamtam
		   ritmo

Ritmo na luz
ritmo na cor
ritmo no movimento
ritmo nas gretas sangrentas dos pés descalços
ritmo nas unhas descarnadas
Mas ritmo
ritmo.

Ó vozes dolorosas de África!

		(Sagrada esperança)

Fire and rhythm

The sound of chains on the roads
the songs of birds
under the humid greenery of the forest
freshness in the smooth symphony
of the palm trees
fire
fire on the grass
fire on the heat of the Cayatte plains
Wide paths
full of people full of people
an exodus from everywhere
wide paths to closed horizons
but paths
paths open atop
the impossibility of arm
fire
	dance
	tum tum
		rhythm 

Rhythm in light
rhythm in color
rhythm in movement
rhythm in the bloody
cracks of bare feerhythm on torn nails
yet rhythm
rhythm 

Oh painful African voices

		(Sacred hope)

Hip-Hop for the Arab Revolution / Hip-Hop para a Revolução Árabe

album cover - Stuck Between Iraq and a Hard Place Vol.2 (2006) by the Narcicyst

Can you think of an arab character you can empathize with in a hollywood movie? One that is not subservient to the westerner or not an oppressed woman hiding behind a veil? Not a character you hate or pity, but one you actually respect? … No?

Neither couldn’t writer Jack Shaheen who wrote the book, nor Sut Jhally who directed the documentary, Reel Bad Arabs , with the elucidating subtitle: How Hollywood Vilifies a People. Edward Said’s Orientalism published in 1978 pioneered the study of how the East and Easterners were described by Westerners through art and literature, for a Western audience, in direct opposition to it and to the slandering of the East and Easterners. In order words, how the East was constructed as an idea … by the West. Gandhi said of the western civilization that it would be a very good idea. Eastern civilization would then be a real lousy one. An idea that facilitated, and still facilitates, an acceptance by the western public of the western taking over of arab nations. In the old colonial empires as in the new, now that the stereotype of the arab has been reduced mostly to the male terrorist and the voiceless oppressed female. With the multi-billion movie industry centered in hollywood contributing to the representation of the “Bad Arab”, how can we change that image?

Arabs themselves are changing it. From the recent rebellions to the greatest rebellion of all, the universal culture of hip-hop where voiceless citizens find a voice. After watching an interview with Yassin Salman AKA The Narcicyst, an Iraqi MC living in Canada, about politics, hip-hop and the arab revolution, I found a video on youtube that hollywood could never make. Because it shows the faces of arabs through another lens, as arabs are, as everyone else. Of all shapes and colors, with all types of visuals and a huge diversity of smiles. Like me and you. All Narcicyst free to download here.

Consegue pensar num personagem árabe de um filme de Hollywood com quem simpatize? Um que não seja ou submisso ao ocidental ou que não seja uma mulher oprimida atrás de um véu? Não um personagem que seja odioso ou digno da sua pena, mas alguém que você respeite? … Não?

Nem o escritor Jack Shaheen que escreveu o livro, nem Sut Jhally que dirigiu o documentário Reel Bad Arabs, com o subtítulo elucidativo: Como Hollywood Vilifica um Povo. Em Orientalismo, publicado em 1978, Edward Said fez uma análise pioneira sobre a forma com o Ocidente descreveu o Oriente através da arte e da literatura, em oposição direta a uma audiência Ocidental e de uma forma que denegria os Orientais. Ou seja, como o oriente foi construído como uma idéia … do ocidente. Gandhi disse um dia que a civilização ocidental era uma ótima idéia. A civilização oriental seria uma idéia péssima então. Uma idéia que facilitou, e facilita ainda, que o público ocidental aceite passivamente a colonização do oriente médio. Nos velhos impérios coloniais como nos novos, agora que o estereótipo do árabe é reduzido ao macho terrorista e à fêmea oprimida e sem voz na sociedade. Com a indústria multibilionária de hollywood contribuindo para a representação do “Mau Árabe”, como podemos mudar essa imagem?

Os próprios árabes se encarregam disso. Desde as mais recentes revoltas, à maior revolta de todas, a cultura universal hip-hop onde os cidadãos sem voz encontram um meio de expressão. Depois de ver uma entrevista com Yassin Salman AKA The Narcicyst, um MC iraquiano que vive no Canadá, sobre política, hip-hop e a revolução árabe, encontrei um vídeo (acima) que hollywood nunca podia ter feito. Porque mostra as faces de árabes através de uma outra lente, como os árabes realmente são, como todos os outros. De todos os tamanhos e cores, com todos os tipos de visual e com uma enorme diversidade de sorrisos. Como eu e como vocês.

Toda a música de Narcicyst pode ser baixada aqui.