A Poet of the African liberation / Um Poeta da libertação Africana


Agostinho Neto, 1st President of Liberated Angola, 1975-1979

On my last post, I quoted Ghandi who said that the western civilization was a very good idea. I also spoke of Frantz Fanon, medical doctor of African descent from the Martinique, who worked in a hospital in Algeria and was inspired by his patients to speak up against french colonial rule in that country and colonialism around the world. Today, on the 50th anniversary of the beginning of the colonial war in the African territories under control by the portuguese, I recall another doctor and revolutionary, who was also a poet and who wrote of western civilization. Agostinho Neto fought portuguese colonial rule in his homeland, Angola. Upon the end of the colonial war, which lasted from 1961 to 1974, he became the first president of new republic of Angola until his death in 1979. His party, MPLA (Popular Movement for the Liberation of Angola), remains in power to this day under dictator José Eduardo dos Santos, who sadly subverted the principles of any popular liberation philosophy. But the ideas and the words of the revolutionary poet still echo on the 21st century, now that revolution spreads from the arab north to the black south of África, now that it is clear to increasing numbers of people that western civilization is doomed.

On a day where inumerous publications, under the pretense of being fair and imparcial, report the  history of the colonial war as having started on a specific day – the day that guerrillas attacked several plantations killing both whites masters and blacks servants -, it is good to recall that the war for liberation began much earlier. In fact, centuries ago on the day that the portuguese set foot in African land. The poem below by Agostinho Neto speaks of that. Of the interlude of despair and suffering, of massacres and genocides. Centuries being told, and some buying into it, of how civilization was good, splitting the colonized into assimilated and non-assimilated. Dividing to rule. Perhaps that answers the question  which for me is not really whether that day was the day that the colonial war started. The question is: what took them so long?

*****

No meu último post citei Ghandi que disse que a civilização ocidental era uma ótima ideia. Escrevi ainda sobre Frantz Fanon, médico nascido na Martinica, descendente de africanos, que trabalhou num hospital na Argélia e foi inspirado por seus pacientes a falar públicamente contra o governo colonial francês naquele país, e contra o colonialismo em todo o  mundo. Hoje, 50 anos após o início da guerra colonial nos territórios africanos controlados pelos portugueses, lembro outro médico e revolucionário, que era também poeta e se pronunciou através da poesia sobre a civilização ocidental. Agostinho Neto lutou contra o colonialismo português na sua terra angolana. Com o fim da guerra colonial, que durou de 1961 a 1974, tornou-se o primeiro presidente da nova república de Angola até sua morte em 1979. O seu partido, o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), continua até hoje no poder com a liderança do ditador José Eduardo dos Santos, que infelizmente subverteu os principios de qualquer filosofia de libertação popular. Mas as ideias e as palavras do poeta revolucionário ecoam ainda pelo século 21, agora que a revolução se espalha do norte árabe ao sul negro da África, agora que é claro para cada vez mais gente que a civilização ocidental está condenada.

No dia em que várias publicações, sobre o pretexto e a pretensão de serem ‘imparciais’, relatam a história da guerra colonial como tendo começado num dia especifico – o dia em que guerrilhas atacaram várias plantações matando tanto os senhores brancos quantos os serviçais negros-, é bom lembrar que a guerra da libertação começou muito mais cedo. Na realidade séculos antes, no dia em que os portugueses colocaram o pé em terras africanas. O poema abaixo de Agostinho Neto fala disso. Desse interlúdio de desespero e sofrimento, de massacres e genocídios. Séculos escutando, e muitos acreditando, que a civilização é boa, dividindo os colonizados entre assimilados e não-assimilados. Dividir para governar. Talvez isso responda à pergunta que para mim não é se a guerra colonial começou ou não naquele dia. A pergunta é: porque demoraram tanto tempo?

Civilização ocidental                                                        Western Civilization

Latas pregadas em paus                                           Cans nailed to sticks
fixados na terra                                                         grounded on earth
fazem a casa                                                             make the home 
Os farrapos completam                                            Rags complete 
a paisagem íntima                                                     the intimate landscape
O sol atravessando as frestas                                    The sun shines across the cracks
acorda o seu habitante                                              waking up residents
Depois as doze horas de trabalho                              Then twelve hours work
escravo                                                                     slave work
Britar pedra                                                               Break rocks
acarretar pedra                                                          carry rocks
britar pedra                                                                break rocks
acarretar pedra                                                          carry rocks
ao sol                                                                         under the sun
à chuva                                                                      under the rain
britar pedra                                                                break rock
acarretar pedra                                                           carry rock
A velhice vem cedo                                                    Old age comes early
Uma esteira nas noites escuras                                    A mat on a dark night
basta para ele morrer                                                  is enough for him to die
grato                                                                           thankful
e de fome.                                                                  and hungry

Fogo e ritmo

Sons de grilhetas nas estradas
cantos de pássaros
sob a verdura úmida das florestas
frescura na sinfonia adocicada
dos coqueirais
fogo
fogo no capim
fogo sobre o quente das chapas do Cayatte.
Caminhos largos
cheios de gente cheios de gente
em êxodo de toda a parte
caminhos largos para os horizontes fechados
mas caminhos
caminhos abertos por cima
da impossibilidade dos braços.
Fogueiras
	   dança
	   tamtam
		   ritmo

Ritmo na luz
ritmo na cor
ritmo no movimento
ritmo nas gretas sangrentas dos pés descalços
ritmo nas unhas descarnadas
Mas ritmo
ritmo.

Ó vozes dolorosas de África!

		(Sagrada esperança)

Fire and rhythm

The sound of chains on the roads
the songs of birds
under the humid greenery of the forest
freshness in the smooth symphony
of the palm trees
fire
fire on the grass
fire on the heat of the Cayatte plains
Wide paths
full of people full of people
an exodus from everywhere
wide paths to closed horizons
but paths
paths open atop
the impossibility of arm
fire
	dance
	tum tum
		rhythm 

Rhythm in light
rhythm in color
rhythm in movement
rhythm in the bloody
cracks of bare feerhythm on torn nails
yet rhythm
rhythm 

Oh painful African voices

		(Sacred hope)

About manu|escrita

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