Resistance Art: the memory of apartheid / Arte de Resistência: a memória do apartheid



Sharpeville, South Africa, 21th March 1960 – Thousands of black South Africans took the streets to march peacefully against increasingly more repressive pass laws, under which they were obligated to carry circulation permits in order to freely move around in their own land. On that day in Sharpeville, protestors met police violence. 69 people dead, 180 injured, among both several women and children, many shot in the back when trying to flee. The massacre, known to the world through the lens of Magnum photographer Ian Berry, was a turning point in which resistance against apartheid was intensified around the world, joining forces with the black struggles of colonized Africa and the Civil Rights Movement in the United States.

Photo: Ian Berry

Pass laws had been enforced since the Boer Wars, when Dutch settlers descending from the first white colonizers of the 17th century clashed with the massive British colonization that had started in the late 19th century, pushing the Dutch farther inland and causing more destruction to the native population. It was a war for white control; the black population wasn’t even factored in except as cannon fodder or labor force aka slave work. When Apartheid was given a name in 1948 – coincidently the same year of the foundation of the state of Israel, our most current example of an apartheid state sponsored by western civilization – Pass Laws were part of the reality of the black male population. In 1960 such laws were extended to the women, causing a nationwide wave of protests that met extreme police violence. Today in the International Day of the Struggle Against Racism, I remember the Massacre of Sharpeville, which took place 51 years ago. The tragedy was the catalyst for further resistance and a turning point after which political groups went underground and the first international sanction campaigns against apartheid began. Activists needed posters and South African resistance art production accelerated.

Photo: Ian Berry. Paarl, South Africa, 1981

Inspired by the struggle, artists intensified their gatherings in an increasing number of township black collectives. Black artists in South Africa were barred from academic training as much as from any other “white” activity. From 1948, when Apartheid acquired its legal name and the Bantu Educational Act passed to restrict the education of black south Africans, “crafts”- not Art – was termed and incorporated in the school curriculum of African children. In the 50’s, mediums such as photographs, prints, engravings, paintings and drawings were identified by the Public Safety Act as potentially subversive and their content was scrutinized. Black artists were encouraged to produce traditional objects and abstract art, therefore limiting their ability to visually document their daily black experiences in a white controlled land. Art production became a risky business.

Even so, an artist will be an artist, and the expression of resistance comes from the gut quite naturally for those with a highly developed sense of justice. Parallel to the school system, artists in the townships developed community centers with art workshops. These spaces provided a locale in which they could not only organize at a political level, but also exchange ideas, materials and techniques among themselves and with white artists sympathetic to their cause. In Cape Town, CAP (Community Art Project) grew to become the biggest workshop operating in South Africa, producing political posters and T-Shirts that were to circulate around the world. In Johannesburg, the Polly Street Workshop, later called the Jubilee Center, was home to artists, such as Louis Maghubela and Durant Sihlali who researched and revived the forgotten history of their ancient people, using rock art and tribal culture as inspiration. Another artist coming out of this “school” was Dumile Feni who created an “African Guernica” denouncing the Massacre of Sharpeville. Feni was a good friend of white artist and teacher Bill Ainslee, who in an act of defiance against the Group Areas Act, founded the Johannesburg Art Foundation in his own home, welcoming artists from all ethnicities. Ainslee would later be the founder of the Thupelo Workshop which lasted until the early 21st century.

South African artists stood bravely against apartheid, from within its beastly belly. They put an attitude of resistance in their lives and art, which is seldom remembered in the history of art and frequently left out of the disciplines’ publications. You can find any Goya, Michelangelo or Picasso in a split of a second on the internet. But it takes much more research to find the visual heritage of an era and a place that still needs to be remembered because it is not yet gone from many places, mentalities and attitudes. Below, after the portuguese translation, a series of anti-apartheid works here gathered to commemorate the Massacre of Sharpeville, a symbol of the worldwide struggle against racism today. It ain’t over yet.

"Massacre de Sharpeville", 1960, Dumile Feni

Sharpeville, África do Sul, 21 de março, 1960 – Milhares de sul-africanos saíram em passeata pacifica nas ruas, protestando as cada vez mais restritas Leis de Passe que limitavam a capacidade de circulação da população negra na sua própria terra. Naquele dia em Sharpeville, manifestantes confrontaram violência policial extrema. 69 pessoas morreram, 180 ficaram feridas, entre mortos e feridos várias mulheres e crianças, e muitas vitimas foram baleadas nas costas quando tentavam fugir. O massacre, que se tornou conhecido no mundo pela lente do fotógrafo Ian Berry da agência Magnum, marcou o inicio da intensificação da resistência antiapartheid por todo o mundo, unindo-se as lutas sul-africanas com as da restante África colonizada e do Movimento pelos Direitos Civis nos Estados Unidos.

"Living Apart", Ian Berry

As Leis de Passe existiam desde as Guerras Bôer, quando os descendentes dos colonizadores holandeses do século XVII confrontaram a massiva colonização inglesa em operação desde o século XIX, passando os primeiros a ocupar as terras interioranas o que causou ainda mais a destruição das populações nativas. Era uma guerra pelo controle branco; a população negra só era tida em conta se fosse para servir de carne para canhão ou para trabalhar aka ser escrava. Quando se deu um nome oficial de Apartheid ao regime, em 1948 – coincidentemente o mesmo ano da fundação do estado de Israel, o nosso exemplo mais atual de um país onde o apartheid é patrocinado pela civilização ocidental –, as Leis de Passe faziam parte da realidade da população negra masculina. Em 1960, as Leis de Passe foram extensivas às mulheres provocando protestos por todo o país. Hoje, no dia internacional da luta contra o racismo, quero lembrar o massacre de Sharpeville, que teve lugar precisamente há 51 anos. A tragédia foi a catalista de mais resistência obrigando muitos grupos à clandestinidade e provocando as primeiras campanhas internacionais por sanções contra o regime Apartheid da África do Sul. Ativistas precisavam de posters e a produção de arte de resistência sul-africana acelerou.

Inspirados pela luta, artistas intensificaram seus encontros num cada vez maior número de coletivos negros formados nas Townships, as favelas da África do Sul. Artistas negros eram proibidos de receber treino acadêmico assim como de qualquer outra atividade dos brancos. A partir de 1948, quando Apartheid recebeu seu nome oficial e a Lei de Educação Bantu passou a restringir a educação dos negros, artesanato – e não Arte – foi denominado e incorporado no currículo escolar das crianças. No anos 50, a Lei de Segurança Pública identificou materiais fotográficos, estampas, gravuras, pinturas e desenhos como potencialmente subversivos e os conteúdos passaram a ser escrutinados. Artistas negros eram encorajados a produzir objetos tradicionais e arte abstrata, ficando assim limitada a sua capacidade para documentar visualmente as suas experiências cotidianas de negros/as numa sociedade controlada por brancos. A produção de arte tornou-se assim num arriscado negócio.

Mesmo assim, um artista é um artista, e a resistência enquanto expressão brota das entranhas daqueles que têm um elevado sentido de justiça. Paralelamente ao sistema educacional, artistas originários das Townships desenvolveram oficinas de arte nos centros comunitários locais. Esses espaços permitiam que os artistas não só se organizassem a um nível político, mas que também trocassem idéias, materiais e técnicas entre si e com artistas brancos apoiantes da sua causa. Na Cidade do Cabo, a CAP (Projeto de Arte Comunitária) cresceu até ao ponto de se tornar a maior oficina em funcionamento na África do Sul, produzindo t-shirts e posters políticos que circularam pelo mundo inteiro. Em Johanesburgo, a Oficina de Polly Street, mais tarde chamada de Jubilee Center, treinou artistas como Louis Maghubela e Durant Sihlali que pesquisaram e reavivaram a história esquecida dos ancestrais sul-africanos, usando arte rupestre e culturas tribais como fonte de inspiração. Outro artista que saiu desta “escola” foi Dumile Feni que criou uma “Guernica Africana” denunciando o massacre de Sharpeville. Feni era amigo do artista e professor branco Bill Ainslee, que desafiou a Lei de Áreas por Grupo, ao criar a Fundação de Arte de Johanesburgo na sua própria casa, recebendo artistas de todas as etnias. Ainslee seria também mais tarde o fundador da Oficina Thupelo que durou até ao inicio do século XXI.

Os artistas da África do Sul enfrentaram com bravura o apartheid, a partir da barriga da própria besta. Assumiram uma atitude de resistência tanto na vida quanto na arte, algo que é raramente lembrado na história da arte e quase sempre deixado de fora nas publicações da disciplina. Encontramos um Goya, Miguelangelo ou Picasso em milésimos de segundo na internet. Mas é preciso muito mais pesquisa para encontrar a herança visual de uma era e de um lugar que ainda precisam ser lembrados porque ainda não desapareceram de muitos outros lugares, mentalidades e atitudes. Segue uma série de imagens antiapartheid reunidas aqui para comemorar o Massacre de Sharpeville, hoje um simbolo da luta internacional contra o racismo. Que ainda não acabou.

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