Generations In Peril, Perilled Politicians / Gerações À Rasca, Politicos Enrascados


"I Don't Pay" student protest, Lisbon, 1994

When we are born into this world, there should be a period of grace during which we are given the chance to go back to the black hole from where we came. As we grow up and begin to look around, we realize that instead, we fell in a shit-hole, which is much worse. Since there is no turning back machine – that we know of -, and since we are sent with no instruction guidelines – that we can remember -, we struggle to understand the sheer complexity of all the absurd rules, restrictions, inequalities and bureaucracies of a system that an elitist class of people, born before, put together in order to create the civilization of the free market. Some children, sooner or later, and to different degrees, become domesticated. Or rather, their powers of concentration are manipulated to a hypnotic state. Some never wake up, forget Neverland, reject the Pan in them, and as adults put on a tie and turn against their own children. They become dumb and numb, like in the Portuguese song How Dumb Am I? which catalyzed the most recent student movement in the country.

Others, who can’t sit still with their eyes on the pendulum, begin to question things early. These are the “problematic” children and many of them never become fully “adjusted” adults. But then again, as Jiddu Krishnamurti put it “It is no measure of health to be well adjusted to a profoundly sick society”, right?… Those children know throughout their youth that not a lot makes sense in the infantile world of adults and that eventually they will need to smash some windows to make their voices heard. They know it is their responsibility to wake up the sleeper children. And they know that the only thing in the way of happiness, solidarity and respect in the world, are: a) the greedy 1% at the top who insist in dividing us by classes, ideologies, races and religions, b) their brain-washed servants positioned at the higher ranks, and c) the university loans that will condemn the youth to a precarious life of  indentured servitude to the banks.

So, one day, nearly 20 years ago in Portugal, and 20 years after the revolutionary constitution that guaranteed free education to all, one such can’t sit still youth, aware of the first step in the roll of decreased rights that would follow for the next 2 decades, did the only thing anyone could have done, really… he lowered his pants and showed his ass to the Minister of Tuition, formerly known as the Minister of Education. The Portuguese student movement of the 90’s was then trashed in the newspapers as the “Vulgar Generation” (Geração Rasca). In 2011, when it has been proven that the entire society should have then lowered their pants, and after the London student riots at the end of last year turned as violent as could be expected, the portuguese movement Geração À Rasca (Generation In Peril) acquired a much more plural form, when on march 12th, not only youth but all generations marched in 11 cities of tiny Portugal gathering 300.000 people. A fun, peaceful but assertive demonstration of resistance where people from all ages, colors, religions, ideologies and classes, found a  common language against corruption, greed and precarity, and which resulted in the fall of the so-called socialist government. Yesterday, the Spanish followed, united by the movement Juventud Sin Futuro (Youth Without Future), and tomorrow Italians take the streets in the well publicized protest Il Nostro Tempo è Adesso (Our Time is Now).

Across Europe, generations rise up and shout the obvious thing that we all know as children: happiness without debt is NOT demagogy. It was about time the kids turned the table and put politicians where they belong – In Peril. What did they think? That just because we show them our ass they can come after our skin? Grow-up!

"O Palhaço Estagiário" (Intern Clown). Photo by: Ana Batista Araújo (click for flickr). Sign in photo: "This is not a Carnival celebration"

Quando nascemos, deveria ser nos dado um período de graça para decidirmos se queremos voltar para o buraco negro de onde saímos. À medida que crescemos e olhamos em volta, percebemos que caímos num buraco de merda, o que é muito pior. Como não existe uma máquina para voltar no tempo – pelo menos que a gente saiba -, e uma vez que viemos sem instruções – também pelo menos que a gente saiba -, lutamos para entender a complexidade intensa de todas as regras, restrições, desigualdades e buRRocracias absuuuuurdas, num sistema que uma classe elitista de gente nascida antes, preparou para nós vivermos na civilização do mercado livre. Algumas crianças, mais tarde ou mais cedo, e em diferentes graus, são domesticadas. Ou antes, seus poderes de concentração são manipulados a um estado hipnótico. Algumas nunca acordam, esquecem a terra do nunca, rejeitam o Pan e quando adultos põe a gravata e reprimem os próprios filhos. Tornam-se parvos e dormentes, como a canção portuguesa Que Parva Que Eu Sou que catalisou o mais recente movimento estudantil português.

Outros, que não conseguem ficar quietos com os olhos no pêndulo, começam desde cedo a questionar as coisas. Estas são as chamadas “crianças problemáticas” e muitas nunca se tornam adultos “ajustados”. Mas também já dizia Jiddu Krishnamurti, “Não é sinal de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente”. Essas crianças continuam sabendo por toda a juventude que muito não faz sentido no mundo infantil dos adultos e que eventualmente terão de quebrar algumas coisas para se fazerem ouvir. Sabem que é sua responsabilidade acordar os amigos que adormeceram. E sabem que os únicos obstáculos à felicidade, à solidariedade e ao respeito, são: a) 1% do topo que insiste em nos dividir em classes, ideologias, raças e religiões, b) seus serventes sujeitos a altas lavagens cerebrais e colocados em altos cargos de poder, e c) os empréstimos e propinas universitárias que condenaram a juventude a uma vida de trabalho precário e à escravidão imposta pelos bancos.

Por isso, um dia, há mais ou menos 20 anos, 2 décadas depois da constituição revolucionária garantir a todos educação livre, uma dessas crianças que não param quietas, consciente de estar sendo dado o primeiro passo no rol de perda de direitos que se seguiriam nas 2 décadas seguintes, fez aquilo que tinha de ser feito: baixou as calças e mostrou o cú à ministra das propinas, anteriormente conhecida por ministra da educação. O movimento estudantil português dos anos 90 foi enxovalhado nos jornais e chamado de “Geração Rasca”. Em 2011, agora que já está provado que deveria ter sido a população inteira a mostrar o cú, e após os motins estudantis em Londres no final do ano passado se terem tornado tão violentos quanto tinham mesmo de ser, o movimento português Geração À Rasca adquiriu a sua forma mais plural. A 12 de março, todas as gerações marcharam com a juventude em 11 cidades de um país pequenino, juntando um total de 300.000 pessoas, e resultando na queda do governo. Foram protestos divertidos e pacificos, demonstrando uma assertiva manifestação de resistência onde gentes de todas as idades, cores, religiões, ideologias e classes, encontraram uma linguagem comum contra a corrupção, a ganância e a precariedade. Ontem, seguiram-se os protestos dos estudantes espanhóis unidos no movimento Juventud Sin Futuro e amanhã é a vez de os italianos ocuparem as ruas num protesto bem publicitado a que se chamou Il Nostro Tempo è Adesso (O Nosso Tempo é Agora).

Por toda a Europa, gerações se erguem e gritam o que é óbvio para qualquer criança: felicidade sem dividas NÃO é demagogia. Já era tempo dos putos virarem a mesa e colocarem os políticos em seu devido lugar – À Rasca. O que é que eles pensavam? Que só por que a gente mostra o cú eles podem nos levar a pele? Cresçam, pá!

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