Messengers of the Great Spirit / Mensageiros do Grande Espírito


Sitting Bull (Lakota Chief) in 1885

“I wish to be remembered as the last man in my tribe to surrender my rifle.” Sitting Bull, Chief of the Lakota Nation (1831-1890).

Most world cultures tell of a great flood that destroyed the ancient world. In the bible a patriarch (literally a father in an “arch”) survives. For the Native-American Lakota Nation, the great flood originated a re-creation story, which is also a love story, between the sole survivor of the human race, a beautiful young woman, and the messenger of the Great Spirit, the Thunderbird, a majestic male eagle who, like the frog in the fairy tale, turned into a handsome human male. But in the Lakota story, the transformation of the Thunderbird tragically implies his sacrificing the art of flying for the perpetuation of the human race.

Although it was also a winged being that impregnated the Virgin Mary, the Lakota girl bears no resemblance to the character in the biblical story. In a way she is Noah. But wasn’t her to save the animals nor was she warned of the great flood. She fought for her life, climbed onto a large rock but she would have perished if it wasn’t for the eagle of soft brown eyes that kept her company, brought her food and wood for fire, made her smile again and worried that her species would die off one day. It was this kind Thunderbird that flew to the sun to ask the Great Spirit for the salvation of the human species. When he returned to the rock where the girl lived, the Thunderbird was silent. He told her he was going on a journey but that he would come back. He took his time. Flew everywhere, took a good look down from above at a sight he would never see again. Then, he sighted and rationalized: “there are more of me but none of hers”. And then he heard the voice of the Great Spirit telling him that his sacrifice would be rewarded and he would be honored by humans all over the earth. The brown-soft-eyed eagle returned to the young woman and fathered humanity.

Eagle Feather - Native-American, 2008. Photo by SOULBIRD RSS on flickr

Many shamanic cultures around the planet revered the eagle as an animal spirit and a messenger of the great creator. Siberian tribes believe that the first shaman was born of an eagle. In North-America, Native peoples of all nations consider eagle feathers to be sacred symbols, never allowed to fall on the floor and used by shamans and warriors in sacred ceremonies. Today, in Denver, Colorado, there is a national repository of eagle feathers for the sole purpose of fulfilling the sacred practices of the native nations. But the sad side of the Lakota story is that, once again, they are confined in small “rocky” spaces called reservations, and that the eagle has been highly disrespected by humanity, bordering extinction until the early 21st century when there was a resurgence of the species.

The nest above the garage in http://blogs.desmoinesregister.com

One particular couple of eagles have contributed a fair share to this population increase, becoming online stars to about 40 million people around the world so far. It’s the bird equivalent of celebrity couple craze for Brad and Angelina, only the birds had more children. It’s a love story that only involve those human beings who, like me, have been hooked on the Big Birder season 1, brought to us by the Bob Anderson’s Raptor Resource Project. Since the egg-hatch watch online warning sent to my twitter via The Huffington Post environmental page, I keep a window open for the Eagles of Iowa. They live just outside the town of Decorah, by a fish hatchery and on top of tree above an old couple’s garage.  The male used to live a little farther away but in 2007 he met his second partner perhaps in the skies, where they certainly would have performed the eagle courtship acrobatic flying dance. As they hooked up, the Decorah Eagles built their 2 meter nest about 20 meters high, where it still stands today. In 2008 they hatched 2 eggs, the normal number for eagles. In 2009, they exceeded the average egg hatching and produced 3 baby eagles. They repeated the deed in 2010 and this year again, totaling 11 chicks.

It’s a beautiful reality show to watch. I see those babies growing every day, getting bigger by the minute. I saw the mom tending to them, carefully sitting on them, keeping them warm, feeding game brought daily by the dad. I saw both eagles warming up together, on top of their children through a stormy snowy night. I saw the dad arrive to feed the chicks, while the mother took a break and went for a short flight. And I saw mom and dad leaving for their first date out in weeks, leaving the well-fed chicks fast asleep on the nest. The cooperation between the eagles is like a harmonious dance, performed as naturally as the act of breathing. The eagles have much to teach human beings but would they be willing to save us again?

The spirit of Sitting Bull lives and the Lakota Thunderbird is yet to surrender his rifle. The Eagle will remain.

WATCH ONLINE:  http://www.ustream.tv/decoraheagles

“Quero ser lembrado como o último homem da minha tribo a render a espingarda.” Touro Sentado, Chefe da Nação Lakota (1831-1890).

A maior parte das culturas do mundo fala de um grande dilúvio que destruiu as civilizações antigas. Na bíblia sobrevive um patriarca (literalmente um pai numa arca). Para a Nação indígena dos Lakota, o grande dilúvio dá origem à história da re-criação, que é também uma história de amor entre a única sobrevivente da catástrofe, uma bela jovem, e o mensageiro do Grande Espírito, o Pássaro-Trovão, uma majestosa águia macho que, como o sapo do conto de fadas, se transformou num lindo homem. Mas na história dos Lakota, essa transformação resultou no trágico sacrifício da arte de voar pela perpetuação da raça humana.

Apesar de me ter ocorrido agora que também foi um ser alado que engravidou a virgem Maria, a mulher Lakota não parece ter qualquer semelhança com aquela história da bíblia. De certa forma ela é Noé. Mas não é ela que salva os animais. E nem recebe um aviso divino. Ela teve de lutar pela vida, conseguiu subir num rochedo alto, mas ainda assim teria morrido não fora uma águia de doces olhos castanhos a lhe fazer companhia, trazer comida e lenha, e a conseguir que sorrisse de novo. Foi também a águia que se preocupou com a extinção da espécie humana voando até ao sol para pedir ao Grande Espírito que salvasse a humanidade. Quando voltou ao rochedo onde morava a moça, a águia estava silenciosa. Falou apenas que ia partir numa longa viagem, mas voltaria. Levou o seu tempo, voou para todas as partes, olhou bem o mundo do topo, uma imagem que não voltaria a ver. Suspirou mas racionalizou: “Existem mais como eu, mas nenhum como ela”. E em seguida ouviu a voz do Grande Espírito assegurando-lhe que o seu sacrifício seria recompensado e a águia seria venerada pelos humanos em todo o mundo. A águia de doces olhos castanhos voltou então para junto da bela jovem e fez-se o pai da humanidade.

Raven or Eagle totem, Haida nation, British Columbia, Canada

É uma realidade que muitas culturas Xamãnicas pelo mundo fora veneram a águia enquanto um espírito animal e um mensageiro do grande criador. Tribos na Sibéria acreditam que o primeiro Xamã nasceu de uma águia. Na América do Norte, indígenas de todas as nações consideram as penas de águia símbolos sagrados; nunca se deixa que caiam no chão e são utilizadas por xamãs e guerreiros em cerimônias religiosas. Hoje em dia, existe em Denver, no Colorado, um repositório nacional de penas de águia para o único propósito de atender as práticas sagradas indígenas. Mas o lado triste da história dos Lakota é que mais uma vez se encontram confinados em “rochedos” chamados de reservas, e as águias têm sido cruelmente desrespeitadas pela humanidade chegando a ameaçar extinção até ao inicio do século XXI quando já se observava um ressurgimento da espécie.

Um casal de águias em particular tem muito contribuido para este aumento populacional, tornando-se estrelas da web para cerca de 40 milhões de pessoas até agora. É o equivalente aviário da loucura pelo casal celebridade Brad e Angelina, só que as águias tiveram mais filhos. É uma história de amor que só envolve os humanos que, como eu, estão viciados no Big Birder possibilitado pelo Raptor Resource Project de Bob Anderson. Desde o aviso de “choco ao vivo” tuitado via a página ambiental do The Huffington Post, que mantenho uma janelinha aberta para espiar as águias do Iowa. Vivem perto da cidade de Decorah, do lado de uma incubadora pecuária, no topo de uma árvore por cima da garagem de um casal de idosos. O macho vivia um pouco mais longe, mas em 2007 conheceu a sua segunda parceira, provavelmente nos céus, onde certamente fizeram a dança acrobática aérea que marca o namoro das águias. Foram ficando e logo construíram um ninho com cerca de 2 metros de largura e a 20 metros de altura, o mesmo onde hoje os podemos observar. Em 2008 chocaram 2 ovos, o número normal para águias. Em 2009 excederam as expectativas e produziram 3 crias. Repetiram a proeza em 2010 e novamente este ano, totalizando 11 filhotes.

É um reality show bonito de se ver. Vejo as crias crescer todos os dias, maiores a cada minuto. Vi a mãe cuidar delas, sentando-se cuidadosamente em cima para mantê-las aquecidas, alimentando no bico a caça trazida diariamente pelo pai. Vi as duas águias juntinhas, cobrindo os filhos durante uma tempestade de neve. Vi o pai chegar e alimentar as crias, dando uma folga à mãe para que ela pudesse dar um vôozinho e esticar as garras. E vi o casal sair junto pela primeira vez em várias semanas, deixando as crias bem alimentadas dormindo no ninho. A colaboração entre as águias é como uma dança harmoniosa, bailada com a mesma naturalidade com que se respira o ar. As águias têm muito que ensinar aos humanos, mas será que elas topam nos salvar de novo?

Vive o espírito de Touro Sentado e o Pássaro Trovão dos Lakota ainda não rendeu a espingarda. A Águia permanecerá.

WATCH ONLINE:  http://www.ustream.tv/decoraheagles

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