Disobedience from the Heart / Desobediência de Coração


You must live your ethics no matter what their laws are.

The following is the portuguese translation of a declaration by anarcho-syndicalist CNT Spain, in reference to the occupation of squares in cities around Spain. Click here for the English version. Y Viva La España!

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Devemos viver a vida assim, de acordo com a nossa ética individual e não com as leis deles.

Segue-se a tradução para português de uma declaração da CNT Anarco-Sindicalista Espanhola, referente à ocupação de praças públicas nas cidades do país. Para a versão em inglês clique aqui. Y Viva La España!

Espanha: O momento é nosso: Que as ocupações e a desobediência continuem!

As inúmeras manifestações e ocupações que ganharam raízes nas principais praças das cidades espanholas desde o dia 15 são um exemplo claro da capacidade organizacional das pessoas quando elas decidem ser protagonistas das suas próprias vidas; ultrapassando a apatia, a resignação e a ausência de consciência própria com que articular soluções que levam em conta e constroem alternativas para solucionar os vários problemas que todos enfrentamos hoje em dia: trabalhadores, desempregados, estudantes, imigrantes, aposentados e precários.

As formas organizacionais desenvolvidas nestas mobilizações provam a viabilidade da participação direta, por meio de assembléias criadas para tomar decisões centradas nas nossas aspirações e exigências e para nos fazer ultrapassar o nosso individualismo. Tornamos-nos assim protagonistas, em vez de espectadores de um sistema baseado em representação e delegação de autoridade, que extingue a nossa individualidade. Assembléias, um microfone passando de mão em mão, grupos de trabalho, responsabilidade, capacidade, organização, auto-responsabilidade, coordenação, envolvimento e visibilidade são os mecanismos coletivos que movem nossas engrenagens, capazes de desafiar as instituições e provocar uma expectativa e debate público que ofuscou a campanha eleitoral e o habitual conteúdo da imprensa nacional e estrangeira.

As ilusões geradas pelas mobilizações massivas não devem fazer-nos esquecer que esta situação será objeto de instrumentalização, distorção e manuseamento por parte de grupos políticos, sociais, e sindicatos; estes grupos têm mais medo ainda que o governo de perderem a pouca legitimidade que ainda têm na mente de alguns cidadãos. Da mesma forma, as propostas e mensagens que emanam destas mobilizações devem ser analisadas em profundidade. Superar o sistema bi-partidário e conseguir a modificação da lei eleitoral não nos dará mais liberdade, nem irá favorecer a soberania individual. Devemos deixar claro que as exigências são centradas em mudanças sociopolíticas necessárias; mas existe uma falta de denúncias ou propostas discutindo o mundo do trabalho – denúncias claras e explicitas do papel colaboracionista das instituições federativas sindicais, da Reforma Laboral atualmente em vigor, e da larga margem legal para efetuar despedimentos e destruir empregos.

Desobediência é o elemento fundamental que, desde dia 15, caracterizou toda a mobilização e manifestações de protesto. Contestando e desafiando mais uma vez a repressão e as tentativas de deter ocupações, vindas dos vários departamentos do estado e das comissões eleitorais; fortalecer mais a participação, envolvimento e consciência da nossa necessidade de nos organizarmos entre nós mesmos. Desobediência é o pulso coletivo que demonstra a nossa força esmagadora quando trabalhamos em conjunto e que não nos deixa desistir das nossas reivindicações. É o batimento dos nossos corações alimentando um despertar de consciências que nos permitirá reagir, e alargar a nossa mobilização, a nossa solidariedade e superar o medo que neutraliza a luta.

“Cualquier noche puede salir el Sol” [“Em qualquer noite pode-se erguer o Sol”], e é na praça del Sol em Madrid que nos encontramos já tem uma semana, tentando evitar que o Sol se ponha. Materializamos a nossa prática, que não é só possível, mas necessária para trabalhar em conjunto, unidos, e lutar para mudar o nosso presente imediato salientando, a partir da nossa auto-organização, os pilares de uma sociedade sem poder, desigualdade, repressão e delegação de autoridade. No dia 22 de Maio, mais conscientemente e visivelmente que nunca, responderemos com abstenção, porque já mostramos que os políticos não nos representam, nem precisamos deles.

Com a CNT, continuaremos participando e chamando todos para uma mobilização e uma luta permanentes, um meio para resolver problemas em todos as esferas de nossas vidas.

Continuaremos a construir ao mesmo tempo que desobedecemos. O protesto continua.

Noite ou dia, a luta é nossa!

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