The Big Scoop / O Grande Furo


In Woody Allen’s The Scoop, a dead reporter attempts to come back to reveal the name of a serial killer, whose identity he just learnt from the assassin’s own murdered assistant, whom he met in purgatory. Confused? Yes. It’s a comedy mystery novel, and yet …🙂 not as good as the Big Murdock Scoop.

I am fascinated by this story: it has the makings of a great mystery novel and makes us mortals feel part of an epic, where the forces of good and evil battle towards a happy ending. But in the end, it’s all as virtual as the internet, and as remote as purgatory – or so I hope… It’s overwhelming. Just think about it: the dimension of the story and the exposure to a public audience; the fortunes and the power of all the characters in this plot. Does life imitate art, or is it the other way around?

It seems that in a near future, real life will be served as season soap opera or feature film. Take the phone hacking scandal for example, we can just lay out a draft of the main characters for a book or even a movie:

1) We have a powerful multi-millionaire media tycoon, corrupt and without scruples, married to a decades younger wife who stereotypically would have married him for the money and has a terrible relationship with his many children from different ex-wives who went quietly away with fat divorce settlements – that she hopes to get too one day.

2) We have the loyal son, who may not so much want all of daddy’s fortune and power as much as his love – here I’m inspired by Oliver Stone’s psychological analysis of Georgie W.’s emotional attitude towards his own daddy George. I just feel it makes the son character look even more pathetic which is good for the story, since he’s on the dark side of the force.

3) We have the red-headed media witch in the persona of the editor-in-chief who hacked like a bitch and admitted paying the pigs for information. So much for the well-reputed round the world Sherlock Holmes Scotland yard.

4) We have a prime-minister! He hired one of the other editors-in-chief to be his media advisor, and we also have previous governments with close connections to the multimillionaire’s media corporation.

5) We have a world-famous actor, whose car breaks down one day on an empty dark road where a paparazzi, now turned bar owner, suddenly pops up, and ends up telling him all of the above dangerous liaisons, which the actor then publishes in the New Statesman.

6) We have a dead reporter who was one of the whistleblowers on the story, and we have a well reputed journalist who wrote over 70 articles on the subject of Murdock News Corporation hacking people’s phones from the queen to a vanished girl, the latest being the story, who touched the hearts of all viewers and gave the human tone to the story.

Life and Fiction.

In fiction, this is a great daily show to watch. In the end the bad will be punished, which means that governments around the world will fall and the celebrity culture will finally disappear. Anorexic girls will be fat again and bullying will be eradicated. Our heros, the journalists and the victims, will feel the bitter victory but will be strong enough to go on, walk into the horizon, and leave the viewers with a sight of hope for a better future in media practices.

I love fiction. But life… life is everything. It is greater than fiction. Often stranger than fiction. And I’m curious: in real life … who’s the all-powerful that Murdoch really pissed off?

That’s the Big Scoop.

No Grande Furo de Woody Allen um repórter morto tenta voltar para contar quem é o famoso assassino em série cuja identidade descobriu através de sua assistente assassinada que conheceu no purgatório. Confuso? Sim. É uma verdadeira comédia-mistério, e no entanto …🙂 não tão boa quanto o Grande Furo chamado Murdock.

Estou fascinada com esta história: tem todos os ingredientes de um grande romance policial e faz nós mortais nos sentirmos parte de um épico, onde o bem e o mal batalham por um final feliz. No entanto, é tudo tão virtual quanto a internet e tão remoto quanto o purgatório – ou pelo menos assim espero… É esmagador. Pensem só na dimensão desta história, na exposição a uma audiência pública; nas fortunas e no poder de todos os personagens deste roteiro. A vida imita a arte, ou é ao contrário?

Parece que num futuro próximo, a vida real será servida como novela ou longa metragem. Por exemplo, com esta história do escandalo das escutas telefonicas, a gente pode esboçar frases soltas sobre os personagens principais para um livro e até mesmo um filme:

1) Temos um tubarão da mídia multimilionário, corrupto e sem escrúpulos, casado com uma mulher décadas mais nova que estereotipicamente teria casado com ele por dinheiro, e que teria uma péssima relação com os vários filhos das várias ex-mulheres que desapareceram silenciosamente com acordos de divórcio chorudos – que ela também espera obter um dia.

2) Temos um filho leal, que talvez não queira tanto a fortuna e poder do pai quanto seu amor – e aqui me inspiro na análise psicológica da atitude emocional de George W. relativamente ao seu paizinho George, feita por Oliver Stone. Acho que isso torna o personagem do filho ainda mais patético, o que é bom para a história uma vez que ele está do lado negro da força.

3) Temos a bruxa ruiva na personagem da editora-chefe que mandou colocar escutas à la gardére e admitiu pagar a porcos por informação. Já era, a boa reputação mundial da Scotland Yard do Sherlock Holmes.

4) Temos um primeiro-ministro! Ele contratou um dos editores-chefes para ser seu relações públicas, e temos também vários governos prévios com ligações bem próximas à corporação do multimilionário.

5) Temos um ator mundialmente famoso, cujo carro quebrou numa estrada deserta e escura onde surgiu um paparazzi, agora também dono de bar, e que acabou lhe contando todas as ligações perigosas descritas acima, que o ator viria a publicar no jornal New Statesman.

6) Temos um reporter morto que foi um dos denunciantes do caso e um jornalista de excelente reputação que escreveu 70 artigos sobre esse assunto da Murdock News Corporation andar pondo escutas nos telefones das pessoas, desde a rainha até à criança desaparecida, sendo supostamente este último, o caso que finalmente tocou os corações do espectadores, dando à história uma dimensão humana.

Vida e Ficção.

Em ficção, esta é uma ótima novela diária. No final os maus são castigados, o que significa que governos por todo o mundo cairão e a cultura das celebridades finalmente desaparecerá. As anoréxicas voltam a ser gordas e o bullying será erradicado. Nossos heróis, os jornalistas e as vitimas, sentirão o amargo sabor da vitória mas estarão mais fortalecidos para continuar, caminhar em direção ao horizonte, e deixar os espectadores com um vislumbre de esperança relativamente ao futuro das práticas midiáticas.

Adoro ficção assim. Mas a vida… a vida é tudo. É maior que a ficção. Ás vezes é ainda bem mais estranha que a ficção. E eu fico curiosa: na vida real… quem é o todo poderoso querendo se vingar do Murdoch?

Esse é o Grande Furo.


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