Category Archives: DeliciouAs

Take your dirty handcuffs off my naked body / Tira essas algemas sujas do meu corpo nú

Pepper sprayed - for defending the right to be naked / por defender o direito à nudez

Remember Station Beach? Two years on and it’s still attracting the crowds. And just before the Feast of the Flesh, it is now site for independent Carnival street blocks to practice the beats and tunes to parade around the city in less than two weeks. And in what city in the world, where a gathering of hundreds happens on a Saturday while the drums beat on and the beer rolls down, one citizen – at least one citizen – doesn’t get naked?

By the time I got there, it was over. Two men had been arrested for “indecent exposure” – but not to the hot sun. And a crowd had been peppered sprayed for chanting the lyrics of a samba about police brutality – relevant right? – while trying to prevent the arrest of their naked buddies. Meanwhile, the police, who indecently exposes massive batons and guns and chemical sprays on your face, all around town and on a daily basis, can decently grab a peaceful naked man with violence, where there has been no complaint, and spray citizens as they please with harmful chemicals. Isn’t that confusing?

And isn’t it funny that Brazil – famous for sensual mulattas and sex tourism, miniscule bikinis and bikini waxing, big buts shaking frenetically to please the masters and sell the country to tourists – has such a strict code of morality? Can’t you just come up to a man and gently tell him to put on his shorts because some people might be offended? Do you need an S&M situation where big men in uniform can just handcuff a naked person and force them into a car? And what sort of morality do you have when you are empowered to put on a glove and check anyone’s private parts in public, including minors, looking for whatever, as it is seen in the streets of Brazil everyday?

There’s this indecent exposure of agents of the law around town that offends me at a personal level. Can we outlaw them please?

WATCH THE VIDEO OF THE ARREST  playvideo?tv_vid_id=160685   VEJA O VIDEO DAS PRISÕES

Lembram-se da Praia da Estação? Dois anos e continua atraindo multidões. E nas vésperas da Festa da Carne, é agora lugar dos blocos de Carnaval de rua independentes praticarem as batidas e melodias a paradear pela cidade em menos de duas semanas. E em que cidade do mundo, num aglomerado de centenas de pessoas, num sabado marcado a percussão e corrido de muita cerveja, um cidadão – pelo menos um cidadão – não tira a roupa?

Quando cheguei já tinha terminado. Dois homens tinham sido presos por “exposicão indecente” – embora não ao sol quente. E um grupo ainda tinha sido varrido a spray de pimenta por se aproximar cantando a letra de um samba sobre brutalidade policial – olha que relevante – enquanto tentava impedir a prisão de seus companheiros desnudados. Entretanto, a policia, que indecentemente expõe seus batões, armas e sprays quimicos diariamente, pode com “decente” violência agarrar um homem nú, onde não houve denúncia, e jogar quimicos prejudiciais à saúde nos seus cidadãos. É confuso.

E não é engraçado que o Brasil – famoso pelas mulatas sensuais e o turismo sexual, bikinis minusculos e depilações brasileiras, bundas gigantes abanando freneticas para entretenimento dos senhores e para vender o país aos turistas – tenha um código moral tão rigido? Não se pode pedir a um homem para simplesmente pôr os calções caso haja alguém ofendido? É preciso uma situação sado-maso onde homens grandes em uniforme podem algemar um homem nú e força-lo a entrar num carro?  E que espécie de moralidade é essa eles terem poder de chegar, pôr uma luva e revistar as partes privadas de um cidadão, incluindo menores, à procura seja do que for, como se vê diariamente pelas ruas desse Brasil?

Existe uma exposição indecente de agentes da lei na cidade que me ofende pessoalmente. Podemos fazer uma lei para acabar com eles?

Não pode…                                                                                                                                 Can’t …

                                             Não pode.                                                        Can’t.

Ah… mas isso pode!                                                           Ah… yes we can!

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The Sluts and the Stoners, a Manifesto for Freedom / As Vagabundas e os Maconheiros, um Manifesto pela Liberdade

[Versão portuguesa em baixo depois dos videos = Portuguese version after the videos below]

It is the year of freedom by all means necessary. The Indignants of Europe and the Revolutionaries of the Middle East have a new bro down here in south america. It’s not that they necessarily want to overthrow the government and refuse to pay its debt. That’s apparently done and Brazil is now in a position of lending money… as if they haven’t done enough for the rest of us during the last 500 years.

Anyway, what the Indignant Freedom Fighters down south want is simply to be left alone. They want to wear a mini skirt and not be raped, they want to grow weed and not be arrested and they want the mayor to stop treating the city as his own private company. And so the Slut Walk and the Freedom March arrived last june 18th in front of city hall to make their voices heard. The first was part of an international march born out of the stupid comments of one canadian police officer, who said women who wear certain types of clothes are inducing rape. The second was born out of local anger after the police repression and violence during the last International Marijuana March, in several brazilian cities.

The videos that follow show the birth of the new movement MANIFESTO which stands for FREEDOM, HEALTH and EDUCATION, as the sole principles that should orient any government, if we absolutely must have one. It  shows the moments when, in front of Belo Horizonte’s City Hall, one city cop isolated acted on his anger and got some pushing and pulling back from the sluts and the stoners, who just won’t take it anymore. And while his city cop friends sprayed some pepper on the crowd – and even on themselves because they are oh so smart – ironically it was the infamous military police who came to break the fight and calm things down.

This blog supports 100% all sluts and stoners, as well as all citizens who believe that freedom doesn’t come through the authority of others. We don’t ask for Freedom, we take it.

É o ano da liberdade por todos os meios necessários. Os Indignados da Europa e os Revolucionários do Oriente Médio ganharam um irmão aqui na america do sul. Não que eles queiram necessariamente a queda do governo e se recusam a pagar as suas dividas. Aparentemente isso já foi feito e o Brasil está numa posição onde pode emprestar dinheiro. Como se já não tivesse feito o suficiente por nós durante os últimos 500 anos.

O que estes indignados lutando por liberdade aqui do sul querem, é simplesmente que deixem eles em paz. Querem usar mini-saia sem ser estuprados, plantar maconha sem ser presos, e também que o prefeito pare de tratar a cidade como se fosse a sua empresa privada. E assim, a Marcha das Vagabundas e a Marcha da Liberdade encontraram-se em frente à Prefeitura de Belo Horizonte no passado dia 18 de junho para fazerem ouvir a sua voz. A primeira fazia parte de uma marcha internacional criada após os comentários estupidos de um policia do Canadá, que disse que mulheres que usam determinado tipo de roupa pedem para ser estupradas. O segundo nasceu da indignação local pela repressão e violência policial durante a última Marcha Internacional da Maconha, em várias cidades brasileiras.

Os videos acima apresentam o novo Movimento MANIFESTO que defende que LIBERDADE, SAÚDE e EDUCAÇÃO, são os principios que deveriam orientar um governo, se é que temos mesmo de ter um. Mostra os momentos quando, em frente da Prefeitura de Belo Horizonte, um policia isolado soltou a fúria e acabou sendo puxado pelas vagabundas e os maconheiros, que já não aguentam mais. E enquanto seus amigos da policia municipal spraiavam pimenta pelos manifestantes – e até neles mesmos de espertos que são – acabou sendo a infame policia militar que acabou com a briga e acalmou as coisas.

Este blogue apoia 100% todas as vagabundas, maconheiros, e demais cidadãos que acreditam que a liberdade não passa pelas autoridades. A liberdade a gente não pede, a gente toma.


Messengers of the Great Spirit / Mensageiros do Grande Espírito

Sitting Bull (Lakota Chief) in 1885

“I wish to be remembered as the last man in my tribe to surrender my rifle.” Sitting Bull, Chief of the Lakota Nation (1831-1890).

Most world cultures tell of a great flood that destroyed the ancient world. In the bible a patriarch (literally a father in an “arch”) survives. For the Native-American Lakota Nation, the great flood originated a re-creation story, which is also a love story, between the sole survivor of the human race, a beautiful young woman, and the messenger of the Great Spirit, the Thunderbird, a majestic male eagle who, like the frog in the fairy tale, turned into a handsome human male. But in the Lakota story, the transformation of the Thunderbird tragically implies his sacrificing the art of flying for the perpetuation of the human race.

Although it was also a winged being that impregnated the Virgin Mary, the Lakota girl bears no resemblance to the character in the biblical story. In a way she is Noah. But wasn’t her to save the animals nor was she warned of the great flood. She fought for her life, climbed onto a large rock but she would have perished if it wasn’t for the eagle of soft brown eyes that kept her company, brought her food and wood for fire, made her smile again and worried that her species would die off one day. It was this kind Thunderbird that flew to the sun to ask the Great Spirit for the salvation of the human species. When he returned to the rock where the girl lived, the Thunderbird was silent. He told her he was going on a journey but that he would come back. He took his time. Flew everywhere, took a good look down from above at a sight he would never see again. Then, he sighted and rationalized: “there are more of me but none of hers”. And then he heard the voice of the Great Spirit telling him that his sacrifice would be rewarded and he would be honored by humans all over the earth. The brown-soft-eyed eagle returned to the young woman and fathered humanity.

Eagle Feather - Native-American, 2008. Photo by SOULBIRD RSS on flickr

Many shamanic cultures around the planet revered the eagle as an animal spirit and a messenger of the great creator. Siberian tribes believe that the first shaman was born of an eagle. In North-America, Native peoples of all nations consider eagle feathers to be sacred symbols, never allowed to fall on the floor and used by shamans and warriors in sacred ceremonies. Today, in Denver, Colorado, there is a national repository of eagle feathers for the sole purpose of fulfilling the sacred practices of the native nations. But the sad side of the Lakota story is that, once again, they are confined in small “rocky” spaces called reservations, and that the eagle has been highly disrespected by humanity, bordering extinction until the early 21st century when there was a resurgence of the species.

The nest above the garage in http://blogs.desmoinesregister.com

One particular couple of eagles have contributed a fair share to this population increase, becoming online stars to about 40 million people around the world so far. It’s the bird equivalent of celebrity couple craze for Brad and Angelina, only the birds had more children. It’s a love story that only involve those human beings who, like me, have been hooked on the Big Birder season 1, brought to us by the Bob Anderson’s Raptor Resource Project. Since the egg-hatch watch online warning sent to my twitter via The Huffington Post environmental page, I keep a window open for the Eagles of Iowa. They live just outside the town of Decorah, by a fish hatchery and on top of tree above an old couple’s garage.  The male used to live a little farther away but in 2007 he met his second partner perhaps in the skies, where they certainly would have performed the eagle courtship acrobatic flying dance. As they hooked up, the Decorah Eagles built their 2 meter nest about 20 meters high, where it still stands today. In 2008 they hatched 2 eggs, the normal number for eagles. In 2009, they exceeded the average egg hatching and produced 3 baby eagles. They repeated the deed in 2010 and this year again, totaling 11 chicks.

It’s a beautiful reality show to watch. I see those babies growing every day, getting bigger by the minute. I saw the mom tending to them, carefully sitting on them, keeping them warm, feeding game brought daily by the dad. I saw both eagles warming up together, on top of their children through a stormy snowy night. I saw the dad arrive to feed the chicks, while the mother took a break and went for a short flight. And I saw mom and dad leaving for their first date out in weeks, leaving the well-fed chicks fast asleep on the nest. The cooperation between the eagles is like a harmonious dance, performed as naturally as the act of breathing. The eagles have much to teach human beings but would they be willing to save us again?

The spirit of Sitting Bull lives and the Lakota Thunderbird is yet to surrender his rifle. The Eagle will remain.

WATCH ONLINE:  http://www.ustream.tv/decoraheagles

“Quero ser lembrado como o último homem da minha tribo a render a espingarda.” Touro Sentado, Chefe da Nação Lakota (1831-1890).

A maior parte das culturas do mundo fala de um grande dilúvio que destruiu as civilizações antigas. Na bíblia sobrevive um patriarca (literalmente um pai numa arca). Para a Nação indígena dos Lakota, o grande dilúvio dá origem à história da re-criação, que é também uma história de amor entre a única sobrevivente da catástrofe, uma bela jovem, e o mensageiro do Grande Espírito, o Pássaro-Trovão, uma majestosa águia macho que, como o sapo do conto de fadas, se transformou num lindo homem. Mas na história dos Lakota, essa transformação resultou no trágico sacrifício da arte de voar pela perpetuação da raça humana.

Apesar de me ter ocorrido agora que também foi um ser alado que engravidou a virgem Maria, a mulher Lakota não parece ter qualquer semelhança com aquela história da bíblia. De certa forma ela é Noé. Mas não é ela que salva os animais. E nem recebe um aviso divino. Ela teve de lutar pela vida, conseguiu subir num rochedo alto, mas ainda assim teria morrido não fora uma águia de doces olhos castanhos a lhe fazer companhia, trazer comida e lenha, e a conseguir que sorrisse de novo. Foi também a águia que se preocupou com a extinção da espécie humana voando até ao sol para pedir ao Grande Espírito que salvasse a humanidade. Quando voltou ao rochedo onde morava a moça, a águia estava silenciosa. Falou apenas que ia partir numa longa viagem, mas voltaria. Levou o seu tempo, voou para todas as partes, olhou bem o mundo do topo, uma imagem que não voltaria a ver. Suspirou mas racionalizou: “Existem mais como eu, mas nenhum como ela”. E em seguida ouviu a voz do Grande Espírito assegurando-lhe que o seu sacrifício seria recompensado e a águia seria venerada pelos humanos em todo o mundo. A águia de doces olhos castanhos voltou então para junto da bela jovem e fez-se o pai da humanidade.

Raven or Eagle totem, Haida nation, British Columbia, Canada

É uma realidade que muitas culturas Xamãnicas pelo mundo fora veneram a águia enquanto um espírito animal e um mensageiro do grande criador. Tribos na Sibéria acreditam que o primeiro Xamã nasceu de uma águia. Na América do Norte, indígenas de todas as nações consideram as penas de águia símbolos sagrados; nunca se deixa que caiam no chão e são utilizadas por xamãs e guerreiros em cerimônias religiosas. Hoje em dia, existe em Denver, no Colorado, um repositório nacional de penas de águia para o único propósito de atender as práticas sagradas indígenas. Mas o lado triste da história dos Lakota é que mais uma vez se encontram confinados em “rochedos” chamados de reservas, e as águias têm sido cruelmente desrespeitadas pela humanidade chegando a ameaçar extinção até ao inicio do século XXI quando já se observava um ressurgimento da espécie.

Um casal de águias em particular tem muito contribuido para este aumento populacional, tornando-se estrelas da web para cerca de 40 milhões de pessoas até agora. É o equivalente aviário da loucura pelo casal celebridade Brad e Angelina, só que as águias tiveram mais filhos. É uma história de amor que só envolve os humanos que, como eu, estão viciados no Big Birder possibilitado pelo Raptor Resource Project de Bob Anderson. Desde o aviso de “choco ao vivo” tuitado via a página ambiental do The Huffington Post, que mantenho uma janelinha aberta para espiar as águias do Iowa. Vivem perto da cidade de Decorah, do lado de uma incubadora pecuária, no topo de uma árvore por cima da garagem de um casal de idosos. O macho vivia um pouco mais longe, mas em 2007 conheceu a sua segunda parceira, provavelmente nos céus, onde certamente fizeram a dança acrobática aérea que marca o namoro das águias. Foram ficando e logo construíram um ninho com cerca de 2 metros de largura e a 20 metros de altura, o mesmo onde hoje os podemos observar. Em 2008 chocaram 2 ovos, o número normal para águias. Em 2009 excederam as expectativas e produziram 3 crias. Repetiram a proeza em 2010 e novamente este ano, totalizando 11 filhotes.

É um reality show bonito de se ver. Vejo as crias crescer todos os dias, maiores a cada minuto. Vi a mãe cuidar delas, sentando-se cuidadosamente em cima para mantê-las aquecidas, alimentando no bico a caça trazida diariamente pelo pai. Vi as duas águias juntinhas, cobrindo os filhos durante uma tempestade de neve. Vi o pai chegar e alimentar as crias, dando uma folga à mãe para que ela pudesse dar um vôozinho e esticar as garras. E vi o casal sair junto pela primeira vez em várias semanas, deixando as crias bem alimentadas dormindo no ninho. A colaboração entre as águias é como uma dança harmoniosa, bailada com a mesma naturalidade com que se respira o ar. As águias têm muito que ensinar aos humanos, mas será que elas topam nos salvar de novo?

Vive o espírito de Touro Sentado e o Pássaro Trovão dos Lakota ainda não rendeu a espingarda. A Águia permanecerá.

WATCH ONLINE:  http://www.ustream.tv/decoraheagles


Generations In Peril, Perilled Politicians / Gerações À Rasca, Politicos Enrascados

"I Don't Pay" student protest, Lisbon, 1994

When we are born into this world, there should be a period of grace during which we are given the chance to go back to the black hole from where we came. As we grow up and begin to look around, we realize that instead, we fell in a shit-hole, which is much worse. Since there is no turning back machine – that we know of -, and since we are sent with no instruction guidelines – that we can remember -, we struggle to understand the sheer complexity of all the absurd rules, restrictions, inequalities and bureaucracies of a system that an elitist class of people, born before, put together in order to create the civilization of the free market. Some children, sooner or later, and to different degrees, become domesticated. Or rather, their powers of concentration are manipulated to a hypnotic state. Some never wake up, forget Neverland, reject the Pan in them, and as adults put on a tie and turn against their own children. They become dumb and numb, like in the Portuguese song How Dumb Am I? which catalyzed the most recent student movement in the country.

Others, who can’t sit still with their eyes on the pendulum, begin to question things early. These are the “problematic” children and many of them never become fully “adjusted” adults. But then again, as Jiddu Krishnamurti put it “It is no measure of health to be well adjusted to a profoundly sick society”, right?… Those children know throughout their youth that not a lot makes sense in the infantile world of adults and that eventually they will need to smash some windows to make their voices heard. They know it is their responsibility to wake up the sleeper children. And they know that the only thing in the way of happiness, solidarity and respect in the world, are: a) the greedy 1% at the top who insist in dividing us by classes, ideologies, races and religions, b) their brain-washed servants positioned at the higher ranks, and c) the university loans that will condemn the youth to a precarious life of  indentured servitude to the banks.

So, one day, nearly 20 years ago in Portugal, and 20 years after the revolutionary constitution that guaranteed free education to all, one such can’t sit still youth, aware of the first step in the roll of decreased rights that would follow for the next 2 decades, did the only thing anyone could have done, really… he lowered his pants and showed his ass to the Minister of Tuition, formerly known as the Minister of Education. The Portuguese student movement of the 90’s was then trashed in the newspapers as the “Vulgar Generation” (Geração Rasca). In 2011, when it has been proven that the entire society should have then lowered their pants, and after the London student riots at the end of last year turned as violent as could be expected, the portuguese movement Geração À Rasca (Generation In Peril) acquired a much more plural form, when on march 12th, not only youth but all generations marched in 11 cities of tiny Portugal gathering 300.000 people. A fun, peaceful but assertive demonstration of resistance where people from all ages, colors, religions, ideologies and classes, found a  common language against corruption, greed and precarity, and which resulted in the fall of the so-called socialist government. Yesterday, the Spanish followed, united by the movement Juventud Sin Futuro (Youth Without Future), and tomorrow Italians take the streets in the well publicized protest Il Nostro Tempo è Adesso (Our Time is Now).

Across Europe, generations rise up and shout the obvious thing that we all know as children: happiness without debt is NOT demagogy. It was about time the kids turned the table and put politicians where they belong – In Peril. What did they think? That just because we show them our ass they can come after our skin? Grow-up!

"O Palhaço Estagiário" (Intern Clown). Photo by: Ana Batista Araújo (click for flickr). Sign in photo: "This is not a Carnival celebration"

Quando nascemos, deveria ser nos dado um período de graça para decidirmos se queremos voltar para o buraco negro de onde saímos. À medida que crescemos e olhamos em volta, percebemos que caímos num buraco de merda, o que é muito pior. Como não existe uma máquina para voltar no tempo – pelo menos que a gente saiba -, e uma vez que viemos sem instruções – também pelo menos que a gente saiba -, lutamos para entender a complexidade intensa de todas as regras, restrições, desigualdades e buRRocracias absuuuuurdas, num sistema que uma classe elitista de gente nascida antes, preparou para nós vivermos na civilização do mercado livre. Algumas crianças, mais tarde ou mais cedo, e em diferentes graus, são domesticadas. Ou antes, seus poderes de concentração são manipulados a um estado hipnótico. Algumas nunca acordam, esquecem a terra do nunca, rejeitam o Pan e quando adultos põe a gravata e reprimem os próprios filhos. Tornam-se parvos e dormentes, como a canção portuguesa Que Parva Que Eu Sou que catalisou o mais recente movimento estudantil português.

Outros, que não conseguem ficar quietos com os olhos no pêndulo, começam desde cedo a questionar as coisas. Estas são as chamadas “crianças problemáticas” e muitas nunca se tornam adultos “ajustados”. Mas também já dizia Jiddu Krishnamurti, “Não é sinal de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente”. Essas crianças continuam sabendo por toda a juventude que muito não faz sentido no mundo infantil dos adultos e que eventualmente terão de quebrar algumas coisas para se fazerem ouvir. Sabem que é sua responsabilidade acordar os amigos que adormeceram. E sabem que os únicos obstáculos à felicidade, à solidariedade e ao respeito, são: a) 1% do topo que insiste em nos dividir em classes, ideologias, raças e religiões, b) seus serventes sujeitos a altas lavagens cerebrais e colocados em altos cargos de poder, e c) os empréstimos e propinas universitárias que condenaram a juventude a uma vida de trabalho precário e à escravidão imposta pelos bancos.

Por isso, um dia, há mais ou menos 20 anos, 2 décadas depois da constituição revolucionária garantir a todos educação livre, uma dessas crianças que não param quietas, consciente de estar sendo dado o primeiro passo no rol de perda de direitos que se seguiriam nas 2 décadas seguintes, fez aquilo que tinha de ser feito: baixou as calças e mostrou o cú à ministra das propinas, anteriormente conhecida por ministra da educação. O movimento estudantil português dos anos 90 foi enxovalhado nos jornais e chamado de “Geração Rasca”. Em 2011, agora que já está provado que deveria ter sido a população inteira a mostrar o cú, e após os motins estudantis em Londres no final do ano passado se terem tornado tão violentos quanto tinham mesmo de ser, o movimento português Geração À Rasca adquiriu a sua forma mais plural. A 12 de março, todas as gerações marcharam com a juventude em 11 cidades de um país pequenino, juntando um total de 300.000 pessoas, e resultando na queda do governo. Foram protestos divertidos e pacificos, demonstrando uma assertiva manifestação de resistência onde gentes de todas as idades, cores, religiões, ideologias e classes, encontraram uma linguagem comum contra a corrupção, a ganância e a precariedade. Ontem, seguiram-se os protestos dos estudantes espanhóis unidos no movimento Juventud Sin Futuro e amanhã é a vez de os italianos ocuparem as ruas num protesto bem publicitado a que se chamou Il Nostro Tempo è Adesso (O Nosso Tempo é Agora).

Por toda a Europa, gerações se erguem e gritam o que é óbvio para qualquer criança: felicidade sem dividas NÃO é demagogia. Já era tempo dos putos virarem a mesa e colocarem os políticos em seu devido lugar – À Rasca. O que é que eles pensavam? Que só por que a gente mostra o cú eles podem nos levar a pele? Cresçam, pá!


Back to the Beach / De Volta à Praia

One year on, beachers goers of the inland mountain town are back to Station Square to defy the city hall’s decree against gatherings at one of the most popular public venues in the city of Belo Horizonte. Yesterday, under a torrid sun, dozens welcomed the water barrel truck and danced to the drums of Trovão de Minas, celebrating one year of humorous defiance against gentrification and the privatization of public spaces. Back to the beach of Belo Horizonte. Because the square is free.

Um ano depois, banhistas de uma cidade do interior voltam à Praia da Estação para desafiar um decreto da prefeitura contra aglomerações numa das praças mais populares de Belo Horizonte. Ontem, debaixo de um sol escaldante, dezenas deram as boas vindas ao caminhão pipa e dançaram ao som do batuque do Trovão de Minas, celebrando um ano de resistência bem humorada contra a gentrificação e a privatização dos espaços públicos. De volta à praia em Belo Horizonte. Porque a praça é livre.

photo by João Perdigão

 


The jazz singer and her alien reptilian lover / A cantora de jazz e o seu amante réptil alienigena

If an alien civilization wanted to slowly take over planet earth by a process of miscegenation, would they choose a particular earthling female specimen, or would they just take us all, like iberian aliens did in the americas?

Pamela Stonebrooke is a jazz singer and a beautiful woman. She is also the star of a particular type of outer space native – the sexy lizzard guy – and the proud mother of several hybrid beings, who will someday perhaps take over our planet, if they haven’t already. Pamela is well-known in ufology circles as the woman who had sex with humanoid reptilians and … enjoyed it …

The reptilian beings aren’t new to ufology, neither are the abductions and claims of abuse. But the pleasurable sex is news. At least good news just in case the space invaders decide to mingle with us. Turns out, that for once a fairy tale is true, and the frog did indeed become a prince! But, other accounts of reptilian encounters are not so hot. David Icke for instance, believes they are among us for thousands of years, since Babylon, down royal lineages of blue blood that kept them in power to this day. Their queen bee is Elizabeth II of England, who lives in Babylondon, and although I’m not sure Icke’s right, it’s a screwed up planet and that would explain a lot. My position on matters of reptilian beings from outer space is therefore simply – I wouldn’t be surprised.

But I am not prepared to judge all reptilians by the poor samples we have here at our home planet. I don’t want to become an inter-galactic racist and assume that all humanoid reptilians are bad aliens. I prefer to make that decision when I meet them personally and individually. After all there are good americans too! And I can see Pamela’s point. When I told a gay male friend that I pictured a lizzard lover that was tall, muscular with the beatiful soft skin of a snake, spiky iguana-style punk ‘hairdo’, with beautiful deep yellow eyes, politically engaged in the social problems of the galaxy and a cool atitude towards things in general, my friend rushed into the toilette and took a long time to come back.

Yep. This alien thing can be that hot. Was Eve’s sin eating the snake rather than the apple?

Expulsion of Adam and Eve, Michelangelo, Sistine Chapel

Se uma civilização alienigena quissesse conquistar este planeta através de um processo de miscegenação, será que escolhia um especimen particular de femea terráquea ou tomava nós todas como os alienigenas ibéricos fizeram nas américas?

Pamela Stonebrooke é uma cantora de jazz e uma bela mulher. É também a estrela de um tipo particular de outros nativos deste universo – o lagartão sexy -, e a orgulhosa mãe de vários seres hibridos, que talvez um dia tomem conta do mundo, se é que já não o fizeram. Pamela é bem conhecida nos meios ufológicos como a mulher que transou com reptéis humanoides …  e gostou …

Seres reptéis não são desconhecidos da ufologia, e nem o são as abduções e queixas de abusos. Mas o sexo prazeiroso, isso sim, é noticia. No minimo uma boa noticia, caso os invasores do espaço resolverem vir socializar com a gente. Afinal parece que pelo menos um conto de fadas se tornou realidade e o sapo virou mesmo principe! Já outras histórias sobre encontros reptilianos não são tão quentes. David Icke por exemplo, acredita que eles estão entre nós por milénios, desde a Babilónia e através das linhagens reais de sangue azul que os mantém no poder até hoje. A abelha rainha, ou seja a sapa-mor, é a Elizabeth II da Inglaterra, que mora na Babilondres, e apesar de eu não ter a certeza se Icke está certo, este é um planeta fodido e isso explicaria muita coisa. Assim, a minha posição relativamente a assuntos sobre reptéis humanoides vindos do espaço é simplesmente – não me surpreenderia.

Mas também não estou preparada para julgar todos os reptéis humanoides baseada nos maus exemplos que temos aqui no nosso planeta. Não quero me transformar numa racista inter-galática e partir do principio que todos os reptéis humanoides são maus alienigenas. Prefiro decidir quando os conhecer pessoal e individualmente. Afinal também existem bons americanos! E eu entendo o ponto de Pamela. Quando disse a um amigo gay, que imaginava um amante lagarto que fosse alto, de musculos bem toneados, com a pele macia de uma serpente, crista punk ao estilo iguana, com lindos e profundos olhos amarelos, politicamente engajado nos problemas sociais da galáxia e uma atitude tranquila em relação às coisas em geral, o meu amigo correu para o toilete e demorou demais para voltar.

É… esta coisa com alienigenas pode ser quente assim… Será que o pecado de Eva foi comer a cobra, e não a maçã?


It’s all Swing, it’s all Black, it’s all Afro / É tudo Ginga, é tudo Negro, é tudo Afro

Yesterday, no-one had to pay to watch the still unedited, long and brilliant documentary BH Soul, by local filmmaker and DJ Tomás Amaral.

I’ve wrote about the Soul Quarter in Belo Horizonte and I’ve seen it extend to many uptown clubs and now every Friday night back to center. It’s Black Friday, and a Good Friday too. From the “Rhythm and Poetry” of contemporary black culture under the Santa Tereza viaduct, to the Soul of the older Motown forever crowd just across the street in the new cool hang out place, the Bordello Bar.

BH Soul documents the history of the movement, from the 70’s to its revival in the 21st century. From police repression in bad reputed, black people only bars, such as Máscara Negra (Black Mask), to taking back the streets and mainstream culture. Careless young dancers then, engulfed in wasting life away with work and financial worry later, they meet again in the Soul Quarter and get their youth’s black experience back. And now, older, they took out their fancy suits, the hat, the cane and the shining shoes and back to James Browning this lovely city.

And yes, as many of them observe in their interviews, it’s all the same swing, it’s all black, it’s all afro. The documentary illustrates the idea, combining images of African dance with soul sounds, alternated with images of soul dancers dancing to the sound of African drums. Made me think of Les Blank’s documentary Sworn to the Drum, a tribute to Afro-Cuban percussionist Francisco Aguabella, when art historian Robert Farris Thompson speaks of how we can trace back afro-cuban songs and rhythms along the atlantic coast, down south, up north and across the ocean to Africa.

That’s how the history of black resistance is manifested today throughout the Americas. In ART.

Ontem, ninguém teve de pagar para ver o ainda não editado, longo e brilhante documentário BH Soul, pelo diretor local e DJ Tomás Amaral.

Já escrevi sobre o Quarteirão do Soul em Belo Horizonte e vi-o chegar aos clubes da zona sul e agora de volta ao centro todas as sextas de noite. É uma Sexta Feira Negra, e uma boa sexta feira. Do “Ritmo e Poesia” da cultura negra contemporânea debaixo do viaduto Santa Tereza, ao Soul do pessoal Motown forever do outro lado da rua no novo bar de Belo Horizonte, o Bordello.

BH Soul documenta a história do movimento, dos anos 70 ao seu reavivar no século 21. Desde a repressão policial no mau reputado-só-para-negros bar Máscara Negra, a retomar as ruas e a cultura oficial. Jovens dançarinos de então, emersos depois em deixar passar a vida com as preocupações laborais e financeiras do costume, encontram-se de novo no Quarteirão do Soul recuperando a experiência black da juventude. E hoje, mais velhos, tiraram ainda assim do armário os velhos fatos, o chapéu, a bengala e os sapatos bem engraxados e voltaram a agitar um James Brown pela cidade.

Como muitos observam nas entrevistas, é tudo ginga, é tudo negro, é tudo afro. O documentário ilustra a ideia, combinando imagens de dança africana com sons soul, e imagens de James Brown dançando ao som de um tradicional batuque africano. Lembrei-me do documentário de Les Blank, Sworn to the Drum (prometido ao tambor), um tributo ao percussionista Afro-Cubano Francisco Aguabella, onde o historiador de arte Robert Farris Thompson fala de como se pode rastrear de volta a África os sons e ritmos de Cuba, através do oceano ou ao longo da costa americana, para norte e para sul.

E assim se manifesta hoje neste lugar a história da resistência negra por todo o continente americano; na ARTE.