Another Global Is Possible / Um Outro Global é Possível

 

Traduzido da entrevista feita pela jornalista Amy Goodman à excelente autora e blogueira inglesa Laurie Penny, 3 de outubro 2011 em Nova Iorque. A conversa gira à volta dos protestos globais que animam o mundo nestes tempos conturbados. Gosto do blog de Laurie e não podia concordar mais com as suas palavras.

FOR ENGLISH CLICK HERE – What follows is a translation to portuguese of the interview given by english author Laurie Penny, on october 3rd 2011 in NYC. The conversation is around the global protests that cheer up the world in this troubled times. I like Laurie’s blog and I couldn’t agree more with her words.

“O que achei fascinante em Wall Street, foi a semelhança com os protestos que vi em Londres nos últimos 6 meses. E falei com ativistas espanhóis e de outros lugares que dizem que o que se passa aqui é exatamente a mesma coisa, com pequenas diferenças culturais. Mas é o mesmo; espaço aberto, uma estrutura sem lideranças e hierarquias, cozinhas grátis, uma atmosfera de boas vindas. É realmente muito similar e é espantoso para mim o quanto isto parece ser, não sobre a América ou sobre qualquer pais em particular, mas ser um levante global. Como se você olhasse para cima, sem direção certa, mas com um sentido bem definido de que algo precisa mudar. Claro que a reação das autoridades é também muito, muito similar. “Kettling” [=Encurralamento -tática da policia de choque que consiste em formar cordões à volta de um número significativo de manifestantes impedindo-os de sair] tornou-se mais conhecido quando foi usado em Londres durante o inverno. Foi uma forma de castigo coletivo ao ser usado durante os protestos dos estudantes em frente das casas do parlamento e em White Hall em dezembro e novembro. Eram milhares e milhares de jovens, muitos foram retirados e presos, e alguns foram perseguidos mais tarde. E, como já disse, é uma forma de castigo coletivo desenhado para mostrar às pessoas que elas não podem sair na rua, que não podem sair e discordar. É desenhado para deter protestos. Numa altura em que, na realidade, quem está no poder não tem muito para oferecer às pessoas. Eles não têm qualquer razão para lhes dizer que não saiam e protestem. Quando marchei na ponte [de Brooklyn, onde no sabádo foram presas 700 pessoas], senti um calafrio na espinha quando ouvi alguém mais à frente dizer, “Bem, eles não podem prender todos nós”, e eu sabia que sim, sim eles podem; tendo estado presente em Londres. Foi nessa altura que decidi ir embora porque me pareceu que algo pesado ia acontecer.”

ever got kettled?

“A cobertura da midia —- de novo me pareceu muito semelhante ao que aconteceu em Londres e o que tem vindo a acontecer no Reino Unido, que é, tem havido uma tendência, para escrever sobre esta gente como um bando de hippies, estudantes, desempregados, o que não é de todo verdade. Estive lá. Falei com vários pessoas que têm emprego, gente de todas as idades, com experiências de vida diferentes, e todos começam por tentar renegar estes manifestantes. Depois os demonizam e criminalizam, dizendo que eles bloqueiam estradas públicas, causam distúrbios e depois começam a prestar atenção às reações.”

É muito interessante, o momento em que se compreende, como manifestante ou como reporter, que a policia não está ali para proteger todos, mas para proteger um setor da sociedade do resto da sociedade, e eu penso o que cada vez mais gente na América hoje entende, e que é que existe um setor da sociedade, de 1%, como dizem os manifestantes de Wall Street, que têm proteção policial. A policia não sai para proteger todos igualmente. É isso que as pessoas vêm compreendendo em todo o mundo, e eu acho muito triste, mas indicativo dos problemas relacionados com a crise global da democracia representativa.”

Nós somos os 99%

OccupyWallStreet


The Bullfight / A Tourada

We know already what happens when the gods procreate with humans. A class of demi-gods is born and they immediately set to rule us all mortals, in the name of the gods. But what happens when the gods decide to breed with animals is often a lot more catastrophic. When Afrodite fell in love with a white bull, she went into a wooden cow so she could get her frantic pansexual needs satisfied. The Bull responded, attracted to a giant doll cow, rather then to the goddess of love herself. The result was a big white male human beast, who came to rule dictatorially in a well-protected labyrinth, which no humans could get to. A place symbolizing our modern institutions, a place we know call Wall Street.

It is said that the bull is a symbol of male fertility and masculinity. The ability to fight. A symbol of braveness. Qualities that the adepts of patriarchy insist on recreating in bullfights. In Portugal, the forcados totaling 7 man, enter the arena, teasing the bull, until it charges. The objective is to stop the bull, as it is said that the strength of a bull equals that of 7 men. But in the Wall Street bullfight, it takes a lot more. The bull has help. It’s called the NYPD.

However, the ferocious sculpture of a raging bull, placed in Bowling Green Park in the vicinity of New York’s (or is it the world’s) financial district, right after the stock market crash of 1987, does not mean what it seems. The Bull could signify Wall Street’s awareness of its Bullying attitude towards the peoples and resources of the earth. After all, they even use terms such as Bull Market to describe “upward trends” in which their capital gains are calculated for economies that don’t even show signs of recovery, after they receive economic shock therapies.

Instead, the sculpture, was a gift by artist Arturo Di Modica to the city, signifying the strength and power of the American people. And so now, Americans are indeed reclaiming the (wall) streets and the Bull. The minotaure is inside the stock exchange, but the father, the innocent animal tricked by the goddess is raging out on the streets. The Bull is no longer about patriarchy and masculinity. But it remains a symbol of fight. From humans against the gods.

The 99% Occupy Wall Street, and the Bull has only just began raging.

Sabemos o que acontece quando os deuses procriam com os humanos. Nasce uma classe de semi-deuses que de imediato se preparam para mandar nos mortais, em nome dos deuses. Mas o que acontece quando os deuses resolvem se reproduzir com animais pode ser bem mais catastrófico. Quando Afrodite se apaixonou por um belo touro branco, meteu-se dentro de uma vaca de madeira para satisfazer suas necessidades pan-sexuais. O touro respondeu atraído por aquela vaquinha-boneca; não pela deusa, que fique claro. O resultado foi uma besta humana grande, branca e do sexo masculino, que um dia governou ditatorialmente a partir de um labirinto bem protegido, onde nenhum humano podia entrar. Um lugar que simboliza nossas instituições modernas, um lugar a que hoje chamamos Wall Street.

Dizem que o touro é um simbolo de fertilidade e masculinidade. Da capacidade de lutar. Um símbolo de braveza. Qualidades que os adeptos do patriarcado insistem em recrear em touradas. Em Portugal, os 7 forcados entram na arena para provocar o touro a atacar. O objetivo é parar o bicho, pois diz-se que a força de um touro iguala a de 7 homens. Mas na tourada de Wall Street são precisos muitos mais. O touro tem ajuda. Chama-se NYPD – Departamento da Policia de Nova Iorque.

No entanto, a escultura feroz de um touro enraivecido, colocada em Bowling Green Park, nas redondezas do distrito financeiro de Nova Iorque (ou será do mundo?), não quer dizer aquilo que parece. O touro poderia até simbolizar que Wall Street está bem ciente da sua atitude de Bullying para com os povos e os recursos do planeta. Afinal eles usam termos tipo “Mercado de Touro” (Bull Market), para descrever “tendências crescentes” onde os seus ganhos de capital são calculados para economias que ainda não mostram sinais de recuperação, após receberem terapias econômicas de choque.

Em vez disso, a escultura, foi uma oferta do artista Arturo Di Modica à cidade, simbolizando a força e o poder do povo americano. E assim, agora, os Americanos estão de fato reclamando as ruas e o Touro. O minotauro vive dentro da bolsa de valores, mas o pai, o animal inocente, enganado pela deusa, está enraivecido pelas ruas. O Touro já não simboliza patriarquia e masculinidade. Mas permanece um símbolo de luta. Dos humanos contra os deuses.

Os 99% Ocupam Wall Street, e o Touro ainda agora começou a bufar de raiva.


Remember, Remember, the 5th of November / Lembro, Lembro, o 5 de Novembro

They’re out of the closet. Born in the beginning of the century as an online community of prankster hackers, ANONYMOUS have brought their actions to the arena of anti-political HACKTIVISM. It started in 2008 with several attacks on scientology websites, after that religious institution tried to block the YouTube posting of a leaked video containing an interview with one of their members, actor Tom Cruise. ANONYMOUS also launched a worldwide campaign promoting protests at scientology churches around the planet, to call for freedom of speech in their practices. It was a huge success, thousands attended in many different cities, and in order to protect their identity, participants were encouraged to wear masks. But not just any mask. Guy Fawkes’ mask. Or rather David Lloyd’s mask creation for a character inspired by Fawkes.

Guy Fawkes has strangely came to signify a sort of 17th century anarchist. Strangely, because he was a catholic, involved in a conspiracy to overthrow a protestant king. Put that way, he comes across as a religious fanatic, not a liberator of oppressive rulers. But I suppose that since he was in charge of blowing up the parliament, and since he was tortured and killed by the state, then at some level he should be regarded as … an anarchist. The man failed on his deed, but the idea survived. To this day Guy Fawkes is remembered in England on the 5th of november, celebrated with bonfires and fireworks, as a symbol of the rebellious.

“Remember, remember, the 5th of November
The gunpowder, treason and plot;
I know of no reason, why the gunpowder treason
Should ever be forgot.”

And it was precisely this revolutionary aspect of the man, that inspired the V character in the early 80’s graphic novel with the same name, written by Alan Moore, illustrated by David Lloyd, and later in 2006, turned into the movie V for Vendetta. V is an anarchist living in the late 20th century, keeping his anonymity behind a mask to protect himself from the secret police of an oppressive totalitarian regime, in a segregated post nuclear war society, where the media is controlled by a few. Sounds familiar?

From real life in the 17th century, to fiction on paper and on-screen, and back to real life, enter ANONYMOUS. They bring back the mask not of the man, but of the idea. Wanted by the FBI, in the past month alone, about 20 members have been arrested. They have brought down numerous governmental sites around the world, they announced Rupert Murdoch’s death in a fake front page of The Sun, they exposed how much information companies keep of you and how easy anyone can gain access to it, and now they prepare to bring down Facebook, a company that sells its users’ information to private companies and governmental agencies. Operation Facebook has been announced on the web and is scheduled for the 5th of November – Remember, Remember, the 5th of November.

This blog supports ANONYMOUS Hacktivist actions and is looking forward to seeing its friends, who have Facebook accounts, kissing them bye-bye. Like anonymous, this blog dreams with “a sustainable society built around growing an informed knowledge network and living under a new, limited, transparent government system”. This blog could not put its vision in better words and therefore this blogs is now ANONYMOUS.

We are Legion. We Do Not Forgive. We Do Not Forget.

Please join.

Saíram do armário. Nascidos no começo do século a partir de uma ciber comunidade de hackers travessos, os ANONYMOUS intensificaram nos últimos anos as suas ações na arena do HACKTIVISMO anti-politico. Tudo começou em 2008 com vários ataques a web sites de cientologia, depois daquela instituição religiosa tentar bloquear a publicação de um vídeo no YouTube contendo uma entrevista com um de seus membros, o ator Tom Cruise. Os ANONYMOUS lançaram ainda uma campanha mundial incentivando protestos em frente de igrejas de cientologia por todo o planeta, para exigir liberdade de expressão. Foi um enorme sucesso, milhares protestaram em várias cidades, e para proteger sua identidade, foi encorajado aos participantes usarem máscaras. Mas não qualquer máscara. A máscara de Guy Fawkes. Ou seja, a máscara criada por David Lloyd para um personagem inspirado por Fawkes.

Guy Fawkes simboliza uma espécie de anarquista do século XVII, o que é de certa forma estranho. Estranho, porque ele era um católico, envolvido numa conspiração para derrubar do poder um rei protestante. Postas as coisas assim ele até parece um fanático religioso, em vez de um libertador de massas oprimidas. Mas suponho que já que ele tinha a seu cargo explodir o parlamento, e uma vez que foi torturado e preso pelo estado, então de certa forma é natural que ele fosse imaginado como… um anarquista. O homem falhou a missão, mas a idéia sobreviveu. Ainda hoje Guy Fawkes é recordado na Inglaterra a 5 de novembro, celebrado com fogueiras e foguetes, como um símbolo de rebelião.

“Lembro, Lembro, o 5 de Novembro
A pólvora, a traição e o ardil;
Não sei de razão, porque a traição da pólvora
Deve algum dia ser esquecida.”

E foi precisamente este aspecto revolucionário do homem, que inspirou o personagem V de quadrinhos, publicados com o mesmo nome no começo dos anos 80 com roteiro de Alan Moore e ilustrações de David Lloyd, e mais tarde em 2006, adaptados para o cinema em V de Vendetta. V é um anarquista que vive em Londres no final do século XX, mantendo-se no anonimato, atrás de uma máscara que o protege da policia secreta de um regime totalitário, numa sociedade segregada, num contexto de pós guerra nuclear, onde a mídia é controlada por poucos. Familiar, não?

Da vida real do século XVII, para a ficção literária e cinematográfica, e de volta para a vida real, chegam os ANONYMOUS. Trazem de volta a máscara, não do homem mas da idéia. Procurados pelo FBI, só no último mês já foram presos 20 membros. Deitaram abaixo numerosos sites governamentais pelo mundo fora, anunciaram a morte de Rupert Murdoch numa página principal falsa do jornal The Sun, tornaram pública a quantidade de informação que as companhias guardam de seus usuários expondo a facilidade de conseguir acesso a ela, e preparam-se agora para atacar o Facebook, uma empresa que vende a informação de seus membros a companhias privadas e agências governamentais. A Operação Facebook foi anunciada na web e está marcada para o dia 5 de Novembro – Lembro, Lembro, o 5 de Novembro.

Este blogue apoia as ações hacktivistas dos ANONYMOUS e aguarda ansiosamente ver seus amigos ficarem sem suas contas no Facebook. Como os ANONYMOUS, este blogue sonha com “uma sociedade sustentável erguida a partir de uma rede informativa de conhecimento e vivendo com um sistema governamental novo, limitado e transparente”. Este blogue não podia ter escolhido melhores palavras para expressar a sua própria visão e assim este blogue é agora ANONYMOUS.

Somos uma Legião. Não Perdoamos. Não Esquecemos.

Juntem-se a nós.


Ode to the fed up kids of London / Ode aos garotos cansados de Londres

Brixton riots, 1981

30 years after the Brixton riots, 450 in jail, 2 dead. The media insists it’s a bunch of kids causing trouble. Vandals. Why anyone would want to break something is left unquestioned. The “kids” are not asked why, so all that is left for us to conclude is that they must be really bad kids. Where are their parents, one policeman asks. And adds – parents call your children, find out where they are and tell them to go home. The media gathers information from the police and the home secretary – who has the nerve to say that there is absolutely no excuse for violence, her, member of a government at war in the middle east. The media also loves to interview whatever scared passer by, who will call for more police, or even the army, curfue and so on, but the media does not talk to the “kids”.

I know this because the media, more specifically the BBC, even created a link, to watch the riots … LIVE! … Well looks like the revolution, or some part of it, is being televised. What would Gil Scott-Heron have to say about that if he was alive? I’m sorry for the individuals that actually suffered the actions of the kids, but I’m sick to the stomach by the “wag the dog” style prodution of the events. I’m sure we will all hate the kids when the BBC is done and the english government will have the blessing of the public opinion to lock up the bad kids for good, so they won’t stand in their way next time authorities kill a student or the bankers fuck up the economy. What a perfect work of art. What no-one seems to see is that who is really wrecking London is the government, the gentrification, the total exclusion, the constant spying of CCTV, police random searches, gray skies, nowhere to go, nothing to do, in a cold society where drinking heavily is encouraged, and many teenagers come from thorned communities in the boroughs around the city center. Kids are arrested, molested, for standing in a corner in perhaps the only sunny afternoon of the year, because they “should” be at school, it’s the law… the law, the fucking law, always the law… and what are they doing there, selling drugs? Yep that must be it… Community police in Britain as in elsewhere is not very smart, or at least doesn’t reach a wide range of conclusions.

So, to the neglected characters in the BBC mockumentary, which I watch LIVE while sitting down here in the tropics, I raise my sugar cane rum bottle: to the kids. One thing they did good: they got the whole parliament back early from holidays. Well done.

If Punk is alive and Anarchy is back in the UK, is up to the kids.

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30 anos depois dos tumultos em Brixton, 450 foram presos, 2 mortos. A midia insiste que são um bando de garotos causando disturbios. Vandalos. Porque alguém quereria quebrar alguma coisa não se questiona. Aos tais garotos ninguém pergunta nunca nada, portanto resta concluir que são garotos muito, mas muito maus. Onde estão seus pais, pergunta a policia. E acrescenta – pais liguem a seus filhos, descubram onde estão e mandem-nos para casa! A midia recolhe informação da policia e da ministra de assuntos internos – que tem o descaramento de dizer que a violência não pode ser tolerada, ela, membro de um governo em guerra no oriente. A midia também adora entrevistar um vizinho com medo, que pedirá mais policia, ou dará a ideia de chamar o exército, ou pedirá recolher obrigatório etc,  mas a midia nunca fala com os “garotos”.

Sei isto porque a midia, mais precisamente a BBC, criou um link para ver os tumultos  … AO VIVO! … Bom, parece que a revolução, ou um pouquinho dela, é mesmo televisada. O que diria Gil Scott-Heron se fosse vivo? Tenho pena dos individuos que sofreram com alguma agressão de algum garoto, mas fiquei doente quando vi a produção ao estilo “mera coincidência”. Acho que quando terminarem, todos teremos um ódio de morte aos garotos. E o governo inglês terá a benção da opinião pública para engavetar os garotos de vez, para que eles não atrapalhem quando as autoridades matarem mais um estudante ou os banqueiros arruinarem a economia. Que obra da arte perfeita, esta da BBC. O que ninguem parece ver é que quem quebra Londres é o governo, a gentrificação, a exclusão total, o controle constante das camaras, as buscas da policia, o céu cinzento, nenhum lugar para ir, nada para fazer, isto numa sociedade fria que encoraja o consumo excessivo de alcool e onde muitos adolescentes crescem em comunidades destruidas nos vários bairros que rodeiam o centro da cidade. Os garotos são presos, molestados, simplesmente por ficar parados numa esquina qualquer, no talvez único dia de sol do ano, só porque deviam estar na escola, é a lei… a lei, a merda da lei, sempre a lei… e o que fazem ali? vendem droga? Claro que é isso, sim … como em qualquer lugar a policia comunitária em Londres não é muito inteligente, ou pelo menos não tem um leque de conclusões muito vasto.

Assim, aos omissos personagens neste mocumentário da BBC, que vejo AO VIVO sentada aqui nos trópicos, levanto a minha garrafinha de cachaça – aos garotos. Uma coisa fizeram muito bem: fizeram o parlamento em peso regressar mais cedo de férias. Bem feito.

Se o Punk está vivo e a Anarquia de volta ao UK, isso só depende dos garotos.

London riots, 2011


The Big Scoop / O Grande Furo

In Woody Allen’s The Scoop, a dead reporter attempts to come back to reveal the name of a serial killer, whose identity he just learnt from the assassin’s own murdered assistant, whom he met in purgatory. Confused? Yes. It’s a comedy mystery novel, and yet … 🙂 not as good as the Big Murdock Scoop.

I am fascinated by this story: it has the makings of a great mystery novel and makes us mortals feel part of an epic, where the forces of good and evil battle towards a happy ending. But in the end, it’s all as virtual as the internet, and as remote as purgatory – or so I hope… It’s overwhelming. Just think about it: the dimension of the story and the exposure to a public audience; the fortunes and the power of all the characters in this plot. Does life imitate art, or is it the other way around?

It seems that in a near future, real life will be served as season soap opera or feature film. Take the phone hacking scandal for example, we can just lay out a draft of the main characters for a book or even a movie:

1) We have a powerful multi-millionaire media tycoon, corrupt and without scruples, married to a decades younger wife who stereotypically would have married him for the money and has a terrible relationship with his many children from different ex-wives who went quietly away with fat divorce settlements – that she hopes to get too one day.

2) We have the loyal son, who may not so much want all of daddy’s fortune and power as much as his love – here I’m inspired by Oliver Stone’s psychological analysis of Georgie W.’s emotional attitude towards his own daddy George. I just feel it makes the son character look even more pathetic which is good for the story, since he’s on the dark side of the force.

3) We have the red-headed media witch in the persona of the editor-in-chief who hacked like a bitch and admitted paying the pigs for information. So much for the well-reputed round the world Sherlock Holmes Scotland yard.

4) We have a prime-minister! He hired one of the other editors-in-chief to be his media advisor, and we also have previous governments with close connections to the multimillionaire’s media corporation.

5) We have a world-famous actor, whose car breaks down one day on an empty dark road where a paparazzi, now turned bar owner, suddenly pops up, and ends up telling him all of the above dangerous liaisons, which the actor then publishes in the New Statesman.

6) We have a dead reporter who was one of the whistleblowers on the story, and we have a well reputed journalist who wrote over 70 articles on the subject of Murdock News Corporation hacking people’s phones from the queen to a vanished girl, the latest being the story, who touched the hearts of all viewers and gave the human tone to the story.

Life and Fiction.

In fiction, this is a great daily show to watch. In the end the bad will be punished, which means that governments around the world will fall and the celebrity culture will finally disappear. Anorexic girls will be fat again and bullying will be eradicated. Our heros, the journalists and the victims, will feel the bitter victory but will be strong enough to go on, walk into the horizon, and leave the viewers with a sight of hope for a better future in media practices.

I love fiction. But life… life is everything. It is greater than fiction. Often stranger than fiction. And I’m curious: in real life … who’s the all-powerful that Murdoch really pissed off?

That’s the Big Scoop.

No Grande Furo de Woody Allen um repórter morto tenta voltar para contar quem é o famoso assassino em série cuja identidade descobriu através de sua assistente assassinada que conheceu no purgatório. Confuso? Sim. É uma verdadeira comédia-mistério, e no entanto … 🙂 não tão boa quanto o Grande Furo chamado Murdock.

Estou fascinada com esta história: tem todos os ingredientes de um grande romance policial e faz nós mortais nos sentirmos parte de um épico, onde o bem e o mal batalham por um final feliz. No entanto, é tudo tão virtual quanto a internet e tão remoto quanto o purgatório – ou pelo menos assim espero… É esmagador. Pensem só na dimensão desta história, na exposição a uma audiência pública; nas fortunas e no poder de todos os personagens deste roteiro. A vida imita a arte, ou é ao contrário?

Parece que num futuro próximo, a vida real será servida como novela ou longa metragem. Por exemplo, com esta história do escandalo das escutas telefonicas, a gente pode esboçar frases soltas sobre os personagens principais para um livro e até mesmo um filme:

1) Temos um tubarão da mídia multimilionário, corrupto e sem escrúpulos, casado com uma mulher décadas mais nova que estereotipicamente teria casado com ele por dinheiro, e que teria uma péssima relação com os vários filhos das várias ex-mulheres que desapareceram silenciosamente com acordos de divórcio chorudos – que ela também espera obter um dia.

2) Temos um filho leal, que talvez não queira tanto a fortuna e poder do pai quanto seu amor – e aqui me inspiro na análise psicológica da atitude emocional de George W. relativamente ao seu paizinho George, feita por Oliver Stone. Acho que isso torna o personagem do filho ainda mais patético, o que é bom para a história uma vez que ele está do lado negro da força.

3) Temos a bruxa ruiva na personagem da editora-chefe que mandou colocar escutas à la gardére e admitiu pagar a porcos por informação. Já era, a boa reputação mundial da Scotland Yard do Sherlock Holmes.

4) Temos um primeiro-ministro! Ele contratou um dos editores-chefes para ser seu relações públicas, e temos também vários governos prévios com ligações bem próximas à corporação do multimilionário.

5) Temos um ator mundialmente famoso, cujo carro quebrou numa estrada deserta e escura onde surgiu um paparazzi, agora também dono de bar, e que acabou lhe contando todas as ligações perigosas descritas acima, que o ator viria a publicar no jornal New Statesman.

6) Temos um reporter morto que foi um dos denunciantes do caso e um jornalista de excelente reputação que escreveu 70 artigos sobre esse assunto da Murdock News Corporation andar pondo escutas nos telefones das pessoas, desde a rainha até à criança desaparecida, sendo supostamente este último, o caso que finalmente tocou os corações do espectadores, dando à história uma dimensão humana.

Vida e Ficção.

Em ficção, esta é uma ótima novela diária. No final os maus são castigados, o que significa que governos por todo o mundo cairão e a cultura das celebridades finalmente desaparecerá. As anoréxicas voltam a ser gordas e o bullying será erradicado. Nossos heróis, os jornalistas e as vitimas, sentirão o amargo sabor da vitória mas estarão mais fortalecidos para continuar, caminhar em direção ao horizonte, e deixar os espectadores com um vislumbre de esperança relativamente ao futuro das práticas midiáticas.

Adoro ficção assim. Mas a vida… a vida é tudo. É maior que a ficção. Ás vezes é ainda bem mais estranha que a ficção. E eu fico curiosa: na vida real… quem é o todo poderoso querendo se vingar do Murdoch?

Esse é o Grande Furo.



CondomLeaks / CamisinhaLeaks

It’s a bitch when that things blasts off and ooops… But there’s no reason to bang your head about it too much is there?

Unless you are in Sweden. There, not only is a bitch, as the guy can also end up in jail for 4 years. This is because of legal decisions taken, which state that a  ripped condom constitutes a sort of “soft” rape. Long gone the idea when a simple NO would do it.

Apparently it became customary, in the land that deserves respect for sensible privacy laws, and the birthplace of the Pirate Party, that condoms rip incessantly and many end up in the courts. But… wait a minute … what brand are they using? Shouldn’t they prosecute the condom company and open an investigation?

Because of swedish zelous condom case watchers, Julian Assange – the man who is responsible for making the world more transparent for us the subjects of the global empire – runs now the risk of being extradicted to Sweden. He is accused of the rape of cuban-swedish Anna Ardin, also said to be an anti-Castro CIA trained operative who poses as an activist in Sweden, and Sophie Wilen, swedish and referred to as a groupie who tagged along for dinner after a speech given by Assange. Both wanted him, pursued him, had sex with him, and both now accuse him of rape.

However, there was no “rape” as we understand it outside Sweden. As any guy with a dick he didn’t think of checking sexual laws before engaging in sexual activities while traveling to that country. And who would? But if you sleep with your hostess and a couple days later with a groupie, while still staying at your hostess’, be certain that in a country with strict condom legal demands, both girls are gonna take legal revenge. Add that to Assange’s public exposure and the political interests behind his arrest.

Not to diminuish the cases of rape that make me as mad as any woman, but, if you’re having consentual sex, and a condom rips, aren’t you both fxxxing parts, equally fxxxed? Would I want my taxes to go to the prosecution of a male friend whose girlfriend accuses of ripping a condom during consentual sex? Is there a reason and objective to the creation of such laws that I just can’t grasp due to cultural differences?

What I wouldn’t mind paying for if I could afford such an extravagant intervention, would be to trap Dominique Strauss-Kahn, and the whole IMF for that matter, in a room in Sweden with a bunch of naked swedish babes and no condoms. As for Assange, if I could I would pay so that he could continue doing his work until a massively giant condom, full of all the documents they don’t want us to see, explodes right on their faces. And I hope someday he’s a free man to visit us down here in Brazil, where we don’t use really bad quality swedish condoms.

É foda quando a coisa rebenta e ooops… Mas também não é razão para bater com a cabeça na parede.

A menos que você esteja na Suécia. Lá, não só é foda, como o homem pode acabar numa prisão por 4 anos. Isto se deve a decisões legais, que declaram que uma camisinha rompida constitui uma espécie de estupro “brando”. Adeus à ideia que um simples NÃO bastava.

Aparentemente tornou-se costume, na terra que merece respeito por leis de privacidade sensatas, e na terra natal do Partido Pirata, que camisinhas se rompam constantemente e muitos acabem em tribunal. Mas… pera aí … que marca que eles usam? Não deviam processar a companhia de camisinas e abrir uma investigação?

Por causa do zelo dos observadores dos casos de camisinhas, Julian Assange – o homem responsável por tornar o mundo mais transparente para nós súbditos do império global – corre o risco de ser extraditado para a Suécia. É acusado do estrupo da cubana-sueca Anna Ardin, de quem se diz ser uma operacional anti-castro treinada CIA que posa de ativista na Suécia, e Sophie Wilen, sueca e de quem se fala ser uma “groupie”, uma fã, que se colou num jantar após uma palestra de Assange. As duas queriam Assange, as duas foram atrás, transaram com ele, e agora as duas acusam-no de estupro.

Mas não houve “estupro” no sentido em que esse crime é entendido fora da Suécia. Como qualquer homem com um pinto, ele se esqueceu de conferir as leis relativas a sexo na Suécia, antes de se envolver em atividades sexuais naquele país. E quem se lembraria disso? Mas se você dormir com a sua anfitriã e uns dias depois com uma fã enquanto ainda hospedado na casa da primeira, tenha certeza que num país com exigências legais duras relativamente a camisinhas, as duas mulheres irão se vingar no tribunal. Adicione a isso, a exposição pública de Assange e os interesses politicos por trás de sua prisão.

Não quero minimizar os casos de estupro que me revoltam como a qualquer mulher, mas, se o sexo é consensual, e a camisinha romper, não estão as duas partes que fxxxx igualmente fxxxxxx? Eu iria querer que o dinheiro dos meus impostos fosse para processar um amigo homem acusado pela namorada do ato de “romper a camisinha” durante sexo consentido por ambas as partes? Existe alguma razão ou objetivo para tal lei que eu não consigo entender devido a diferenças culturais?

Para o que eu não me importaria de contribuir se pudesse pagar uma intervenção extravagante, seria encurralar Dominique Strauss-Kahn, e já agora o FMI inteiro, num quarto na Suécia com um monte de suecas nuas e nenhuma camisinha. Quanto a Assange, se eu pudesse, pagaria para que ele continuasse a fazer o seu trabalho até uma camisinha massivamente gigante, e cheia dos documentos que eles não querem que a gente veja, explodir na cara deles. E espero que um dia ele seja um homem livre para nos visitar aqui no Brasil, onde a gente não usa camisinhas suecas de má qualidade.


The Sluts and the Stoners, a Manifesto for Freedom / As Vagabundas e os Maconheiros, um Manifesto pela Liberdade

[Versão portuguesa em baixo depois dos videos = Portuguese version after the videos below]

It is the year of freedom by all means necessary. The Indignants of Europe and the Revolutionaries of the Middle East have a new bro down here in south america. It’s not that they necessarily want to overthrow the government and refuse to pay its debt. That’s apparently done and Brazil is now in a position of lending money… as if they haven’t done enough for the rest of us during the last 500 years.

Anyway, what the Indignant Freedom Fighters down south want is simply to be left alone. They want to wear a mini skirt and not be raped, they want to grow weed and not be arrested and they want the mayor to stop treating the city as his own private company. And so the Slut Walk and the Freedom March arrived last june 18th in front of city hall to make their voices heard. The first was part of an international march born out of the stupid comments of one canadian police officer, who said women who wear certain types of clothes are inducing rape. The second was born out of local anger after the police repression and violence during the last International Marijuana March, in several brazilian cities.

The videos that follow show the birth of the new movement MANIFESTO which stands for FREEDOM, HEALTH and EDUCATION, as the sole principles that should orient any government, if we absolutely must have one. It  shows the moments when, in front of Belo Horizonte’s City Hall, one city cop isolated acted on his anger and got some pushing and pulling back from the sluts and the stoners, who just won’t take it anymore. And while his city cop friends sprayed some pepper on the crowd – and even on themselves because they are oh so smart – ironically it was the infamous military police who came to break the fight and calm things down.

This blog supports 100% all sluts and stoners, as well as all citizens who believe that freedom doesn’t come through the authority of others. We don’t ask for Freedom, we take it.

É o ano da liberdade por todos os meios necessários. Os Indignados da Europa e os Revolucionários do Oriente Médio ganharam um irmão aqui na america do sul. Não que eles queiram necessariamente a queda do governo e se recusam a pagar as suas dividas. Aparentemente isso já foi feito e o Brasil está numa posição onde pode emprestar dinheiro. Como se já não tivesse feito o suficiente por nós durante os últimos 500 anos.

O que estes indignados lutando por liberdade aqui do sul querem, é simplesmente que deixem eles em paz. Querem usar mini-saia sem ser estuprados, plantar maconha sem ser presos, e também que o prefeito pare de tratar a cidade como se fosse a sua empresa privada. E assim, a Marcha das Vagabundas e a Marcha da Liberdade encontraram-se em frente à Prefeitura de Belo Horizonte no passado dia 18 de junho para fazerem ouvir a sua voz. A primeira fazia parte de uma marcha internacional criada após os comentários estupidos de um policia do Canadá, que disse que mulheres que usam determinado tipo de roupa pedem para ser estupradas. O segundo nasceu da indignação local pela repressão e violência policial durante a última Marcha Internacional da Maconha, em várias cidades brasileiras.

Os videos acima apresentam o novo Movimento MANIFESTO que defende que LIBERDADE, SAÚDE e EDUCAÇÃO, são os principios que deveriam orientar um governo, se é que temos mesmo de ter um. Mostra os momentos quando, em frente da Prefeitura de Belo Horizonte, um policia isolado soltou a fúria e acabou sendo puxado pelas vagabundas e os maconheiros, que já não aguentam mais. E enquanto seus amigos da policia municipal spraiavam pimenta pelos manifestantes – e até neles mesmos de espertos que são – acabou sendo a infame policia militar que acabou com a briga e acalmou as coisas.

Este blogue apoia 100% todas as vagabundas, maconheiros, e demais cidadãos que acreditam que a liberdade não passa pelas autoridades. A liberdade a gente não pede, a gente toma.