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Take your dirty handcuffs off my naked body / Tira essas algemas sujas do meu corpo nú

Pepper sprayed - for defending the right to be naked / por defender o direito à nudez

Remember Station Beach? Two years on and it’s still attracting the crowds. And just before the Feast of the Flesh, it is now site for independent Carnival street blocks to practice the beats and tunes to parade around the city in less than two weeks. And in what city in the world, where a gathering of hundreds happens on a Saturday while the drums beat on and the beer rolls down, one citizen – at least one citizen – doesn’t get naked?

By the time I got there, it was over. Two men had been arrested for “indecent exposure” – but not to the hot sun. And a crowd had been peppered sprayed for chanting the lyrics of a samba about police brutality – relevant right? – while trying to prevent the arrest of their naked buddies. Meanwhile, the police, who indecently exposes massive batons and guns and chemical sprays on your face, all around town and on a daily basis, can decently grab a peaceful naked man with violence, where there has been no complaint, and spray citizens as they please with harmful chemicals. Isn’t that confusing?

And isn’t it funny that Brazil – famous for sensual mulattas and sex tourism, miniscule bikinis and bikini waxing, big buts shaking frenetically to please the masters and sell the country to tourists – has such a strict code of morality? Can’t you just come up to a man and gently tell him to put on his shorts because some people might be offended? Do you need an S&M situation where big men in uniform can just handcuff a naked person and force them into a car? And what sort of morality do you have when you are empowered to put on a glove and check anyone’s private parts in public, including minors, looking for whatever, as it is seen in the streets of Brazil everyday?

There’s this indecent exposure of agents of the law around town that offends me at a personal level. Can we outlaw them please?

WATCH THE VIDEO OF THE ARREST  playvideo?tv_vid_id=160685   VEJA O VIDEO DAS PRISÕES

Lembram-se da Praia da Estação? Dois anos e continua atraindo multidões. E nas vésperas da Festa da Carne, é agora lugar dos blocos de Carnaval de rua independentes praticarem as batidas e melodias a paradear pela cidade em menos de duas semanas. E em que cidade do mundo, num aglomerado de centenas de pessoas, num sabado marcado a percussão e corrido de muita cerveja, um cidadão – pelo menos um cidadão – não tira a roupa?

Quando cheguei já tinha terminado. Dois homens tinham sido presos por “exposicão indecente” – embora não ao sol quente. E um grupo ainda tinha sido varrido a spray de pimenta por se aproximar cantando a letra de um samba sobre brutalidade policial – olha que relevante – enquanto tentava impedir a prisão de seus companheiros desnudados. Entretanto, a policia, que indecentemente expõe seus batões, armas e sprays quimicos diariamente, pode com “decente” violência agarrar um homem nú, onde não houve denúncia, e jogar quimicos prejudiciais à saúde nos seus cidadãos. É confuso.

E não é engraçado que o Brasil – famoso pelas mulatas sensuais e o turismo sexual, bikinis minusculos e depilações brasileiras, bundas gigantes abanando freneticas para entretenimento dos senhores e para vender o país aos turistas – tenha um código moral tão rigido? Não se pode pedir a um homem para simplesmente pôr os calções caso haja alguém ofendido? É preciso uma situação sado-maso onde homens grandes em uniforme podem algemar um homem nú e força-lo a entrar num carro?  E que espécie de moralidade é essa eles terem poder de chegar, pôr uma luva e revistar as partes privadas de um cidadão, incluindo menores, à procura seja do que for, como se vê diariamente pelas ruas desse Brasil?

Existe uma exposição indecente de agentes da lei na cidade que me ofende pessoalmente. Podemos fazer uma lei para acabar com eles?

Não pode…                                                                                                                                 Can’t …

                                             Não pode.                                                        Can’t.

Ah… mas isso pode!                                                           Ah… yes we can!

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Other Carnivals / Outros Carnavais

Photo credits: João Perdigão – flickring and blogging at http://www.flickr.com/photos/psychojoanes/   http://canhotagem.blogspot.com/               http://tropecassino.blogspot.com/

Even though carnival lovers insist on post-carnival celebrations in hopes the season is extended to more than the traditional 4 days, Brazilian carnival is now officially over. Good. I could not do this for another week without serious risk of heart, liver and kidney failure or some sort of emergency internment in a detox institution. I finally realized on saturday, while attending a post-carnival parade, that I couldn’t take it any longer. It’s ancient wisdom that carnival is a 4 day event and the reasons are obvious.

Foreigners, people around the world who know nothing about Brazil, who don’t have a particular interest in this culture, know at least two things about it: a) there’s no world cup without Brazil, b) every february Brazil stops for 4 days and a gigantic wave of colour and naked people dance in impossible surreal moves on the streets. These foreigners are obviously confronted with tv images of Rio de Janeiro’s great yearly feast, a literal ripping of the flesh, or of the pleasures of the flesh: Carnival, a festival that in Brazil arthropophagyzed european and african traditions, becoming the national cultural image of the country. And in Rio, Carnival is everything. It’s impressive, it’s beautiful, it’s unique and it’s done with love, pride and joy by the great Samba schools. 

Far away from Rio however, in the  small town of São Domingos do Prata, state of Minas Gerais, carnival is very different from the splash of colour broadcasted to the world. As in many other cities away from Rio, alongside samba carnival buffoons welcome axé music from bahia, pumping it out of their car’s super loud speakers, driving us insane with whatever is the carnival hit of the year … 

My head still remembers the buzzzzzzzzzzz ‘oh rebolation, oh rebolation, tion oh rebolation, tion oh rebolation’. The lyrics are an anglicization of the Brazilian word ‘rebolar’: 1 to roll, tumble. 2 to shake the hips, walk with a swinging gait. 3 to shimmy. 4 to whirl around, revolve rapidly. 5 rebolar-se to swagger, wiggle, shake one’s body, roll, sway

But it’s not all samba and axé. Carnival marchinhas are played along parades of happy dancing people – the blocos. Many wear masks, fantasies, costumes. Blocos compete against each other for the award of best bloco of the year. In São Domingos do Prata, the minhocão was this year’s well-deserved winner! It simply consisted of a row of very drank people wearing funny paper hats and cloth-ganged to each other by the neck… – myself included.

As night fell more and more people came out, and many local delicious sugar cane rums later the streets became incredibly loud, pictures increasingly out of focus and street can-pickers busier and busier. 

A few fights broke out with the military police heroically intervening, holding the wrong guy for a while, yelling at bystanders to stay away and even making two arrests – wow – in one night. A comedy observed by this arthroponomad from a balcony nearby.  

For 6 days (not 4), these are the daily events of a town celebrating carnival away from glamorous Rio. It’s a carnival made of multiple hilarious moments, where real people become caricatures of themselves, lovers fight, drama breaks out, but all you hear is the sound of your laughter.

Oh, and the rebolation… (bonus video below…)

Fotografia: João Perdigão – flickrando e bloggando em http://www.flickr.com/photos/psychojoanes/   http://canhotagem.blogspot.com/               http://tropecassino.blogspot.com/

Apesar dos amantes de carnaval insistirem com celebrações pós-carnavalescas ansiosos por esticar o acontecimento para além dos 4 dias, o carnaval brasileiro foi agora oficialmente encerrado. Ótimo. Não conseguia passar por mais uma semana daquilo sem correr o sério risco de falha cardíaca, do fígado ou dos rins, ou então algum tipo de internamento urgente numa clinica de desintoxicação. Percebi finalmente no sábado, enquanto acompanhava uma parada pós-carnaval, que já não aguentava mais. A sabedoria antiga ensina que o carnaval são 4 dias e é óbvio porquê.

Estrangeiros, gente pelo mundo fora que nada sabe do Brasil, que não tem um interesse especial nesta cultura, sabe pelo menos duas coisas: a) não pode haver copa do mundo sem o Brasil b)todos os anos em fevereiro, o Brasil pára durante quatro dias, e uma onda gigante de cor e gente sem roupa dança em impossiveis e surreais movimentos pelas ruas. Estes estrangeiros são confrontados com imagens televisivas da grande festa anual da cidade do Rio de Janeiro, um literal arrancar da carne, ou será dos prazeres da carne(?): o famoso Carnaval. E no Rio, Carnaval é tudo. É impressionante, é maravilhoso, é único e é feito pelas escolas de samba com amor, orgulho e alegria.

Longe do Rio, na cidade de São Domingos do Prata, Minas Gerais, o carnaval é muito diferente das imagens de cor que o mundo vê na televisão. Como em outras cidades, também longe do Rio, junto com o samba é bem vindo o axé da Bahia, bombando dentro dos carros e levando-nos à loucura com seja qual for o hit de carnaval do ano.

A minha cabeça lembra ainda o zum-zum oh rebolation, oh rebolation, tion oh rebolation, tion oh rebolation, uma letra que anglicanizou a palavra rebolar 1 Pôr em movimento, à maneira de bola (qualquer corpo redondo ou roliço): O garoto rebolava o barril. vint e vpr 2 Mover-se em torno de um centro ou de um eixo; rolar sobre si mesmo: Caindo pelo barranco, rebolaram (ou rebolaram-se) até embaixo. vtd 3 Mover lascivamente (as nádegas) na dança ou na marcha. vint e vpr 4 Bambolear-se, menear-se, saracotear-se; andar, movendo sinuosamente o corpo. vint e vpr 5 Espojar-se, revolver-se no chão: Rebolavam (ou rebolavam-se), prazenteiros, os gatinhos.

Mas no Prata nem tudo é samba e axé. Marchinhas de carnaval levam o povo em bloco pelas ruas dançando alegremente. Muitos usam máscaras e fantasias, e os blocos competem pelo prémio de melhor do ano. Em São Domingos do Prata, foi o minhocão que merecidamente ganhou este ano! Uma fila de bêbados de cómicos chapéus acorrentados pelo pescoço por um pano – e eu lá no meio.

Quando a noite caía mais gente aparecia, e muitas cachaças depois, ia aumentando o barulho animado da rua, as fotografias iam ficando mais desfocadas e os catadores de latinhas cada vez mais ocupados.

Também houve brigas, mas a policia militar interferiu heroicamente, prendendo o cara errado por algum tempo, gritando a quem não tinha nada com aquilo para se afastar, e até fizeram duas detenções – wow – em uma noite. Uma comédia observada por esta arthroponomada de uma varanda perto da cena do crime.

Durante 6 dias (não apenas 4) estes eram os acontecimentos diários de uma cidadezinha celebrando o carnaval longe do glamoroso Rio de Janeiro. Foi um carnaval repleto de momentos hilariantes, em que pessoas reais se transformavam nas suas próprias caricaturas, onde amantes brigavam, dramas explodiam, mas onde tudo o que se ouvia era o som das nossas próprias gargalhadas.

Ah, e o rebolation …