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The Hijacking of the Olympic Games / O Sequestro dos Jogos Olímpicos

Space Hijackers on the Spoil Your Ballots battle bus

Four years ago, I left London. I had lived there for the previous four years. First in Brixton and then in Hackney. I met the people who really mattered in the city at the time I was there. Brian Haw, tireless protestor against sanctions and war in Afghanistan and Iraq, way before september 11. I met some members of Jean Charles Menezes‘ family, the Brazilian murdered by the Met Police, who somehow, in spite of being on surveillance, confused him with one of the suicide bombers whose attempt to explode the tube had failed the previous day. I grew disgusted with the city and the control and surveillance and highly patronizing authority figures, but I certainly met dozens of interesting people. Squatters, hackers, migrants and artivists. People that mattered, people concerned with the state of things and who try to make a difference. Obstructed by media constructed stereotypes that show them as troublemakers, they are resilient. In the end, look at our bankers and politicians. Who are the troublemakers? Who are the terrorists?

Serious people with serious principles, serious ethics and high ideals matter. People combining art, performance and activism are necessary.

Today, four years later from down here in the tropics, I think of them, those who are still there, seeing Hackney smashed under the speculation of the house market because of the f****** olympics. While mainstream media focuses on the event that starts tomorrow, the Space Hijackers have taken upon themselves the responsibility of being the Official Protestors of the 2012 London Olympic Games.

Space Hijackers action in Brick Lane, East London

The Space Hijackers have been hijacking spaces since 1999 and they did start by partying as if it was 1999 with the Circle Line Party, an event on that London tube line, with loud music, light and dancing … at least while in the tunnel. As the train got to the station,  everybody got back to their seats in silence. Then they moved on to hijack other spaces. Among many actions, were a cricket game, between two opposing anarchist and capitalist teams, in the heart of London’s financial district. There was also a party, cop uniform mandatory, in front of the Bank of England. And they even took their DSEi tank for a spin, during the G-20 talks.

Now they are taking back Hackney, reclaiming the public space as usual, calling off the bulldozers of the market. Their use of the Olympic logo got them banned from twitter. And, for their great delight, they got an email from the police wondering about their plans are for the Olympics.

I am most interested too and I will follow Space Hijackers’ action with the same interest as the british police.

I can’t wait to find out where Agent Unstoppable is planning to remove his trousers!

Activist group The Space Hijackers have announced their aquisition of a tank which they intend to use as a vehicle for protest at the Defence Systems and Equipment International arms fair which opens in London’s EXEL centre on 11th Sept they are keeping they will then be selling it to the highest bidder and will take no responsibility for how it is used after they sell it which is how they claim arms dealers opperate for more phone interview contact Robin Grizly Pioneer 0787 606 7703

Passaram quatro anos desde que deixei Londres. Tinha vivido lá nos quatro anos anteriores. Primeiro em Brixton e depois em Hackney. Conheci gente realmente importante como Brian Haw, incansável na luta contra as sanções e guerras no Afeganistão e Iraque, desde antes do 11 de setembro. Conheci familiares de Jean Charles Menezes, o brasileiro assassinado pela policia metropolitana, que sabe-se lá como, e apesar de estar de vigia, o confundiu com um dos homens suicidas que tinham tentando explodir o metrô no dia anterior. Fui ficando gradualmente enojada com aquela cidade, o controle, a vigilância e a atitude condescendente das autoridades, mas também conheci dezenas de pessoas interessantes. Ocupas, hackers, migrantes, artivistas. Gente que importa, gente preocupada com o estado das coisas, gente que tenta marcar a diferença. Obstruídos pelos estereótipos que a mídia criou que os retratam como desordeiros, eles resistem. E no final, vejam só os nossos banqueiros e os nossos políticos. Quem são os desordeiros? Quem são os terroristas?

Gente séria, com princípios sérios, ética e altos ideais importa. Gente que combina arte, performance e ativismo é precisa.

Hoje, quatro anos depois aqui nos trópicos, penso neles, aqueles que permaneceram, vendo hackney ser esmagado pelos bulldozers do mercado. E tudo por causa da merda dos Jogos Olímpicos. Enquanto a mídia corporativa foca no evento que começa amanhã, o grupo Space Hijackers tomou para si, a grande responsabilidade de ser o Reclamante Oficial dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012.

Mayday – a celebration of the police state by the Space Hijackers

Os Space Hijackers sequestram espaços desde 1999 e começaram festejando como se fosse mesmo 1999 com a festa da Circle Line, um evento naquela linha de metrô londrina, que tinha tudo – música bombando, luzes psicodélicas e dança… Pelo menos enquanto dentro do túnel. Chegando à estação todos se sentam em silêncio. Depois foram sequestrar outros espaços. Entre as muitas ações, houve um jogo de cricket entre as duas equipes oponentes de anarquistas e capitalistas, que teve lugar no coração do distrito financeiro da capital inglesa. Houve ainda uma festa de traje de policia obrigatório, em frente do Banco da Inglaterra. E chegaram a levar o seu tanque DSEi para dar uma volta durante o encontro da G-20.

E agora reclamam o espaço público como sempre, desta vez em Hackney onde atuam as máquinas de construção do mercado. Usaram o logo dos jogos Olímpicos e foram expulsos do twitter. E para sua grande alegria receberam um e-mail da polícia, interessada nos planos que têm para o evento olímpico.

Eu também fiquei muito interessada e vou seguir as ações dos Space Hijackers, com a mesma atenção que a policia britânica.

Mal posso esperar para descobrir onde o Agente Imparável vai tirar as calças!

Free hackney from the Olympics 2012. The Space Hijackers.

 

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Take your dirty handcuffs off my naked body / Tira essas algemas sujas do meu corpo nú

Pepper sprayed - for defending the right to be naked / por defender o direito à nudez

Remember Station Beach? Two years on and it’s still attracting the crowds. And just before the Feast of the Flesh, it is now site for independent Carnival street blocks to practice the beats and tunes to parade around the city in less than two weeks. And in what city in the world, where a gathering of hundreds happens on a Saturday while the drums beat on and the beer rolls down, one citizen – at least one citizen – doesn’t get naked?

By the time I got there, it was over. Two men had been arrested for “indecent exposure” – but not to the hot sun. And a crowd had been peppered sprayed for chanting the lyrics of a samba about police brutality – relevant right? – while trying to prevent the arrest of their naked buddies. Meanwhile, the police, who indecently exposes massive batons and guns and chemical sprays on your face, all around town and on a daily basis, can decently grab a peaceful naked man with violence, where there has been no complaint, and spray citizens as they please with harmful chemicals. Isn’t that confusing?

And isn’t it funny that Brazil – famous for sensual mulattas and sex tourism, miniscule bikinis and bikini waxing, big buts shaking frenetically to please the masters and sell the country to tourists – has such a strict code of morality? Can’t you just come up to a man and gently tell him to put on his shorts because some people might be offended? Do you need an S&M situation where big men in uniform can just handcuff a naked person and force them into a car? And what sort of morality do you have when you are empowered to put on a glove and check anyone’s private parts in public, including minors, looking for whatever, as it is seen in the streets of Brazil everyday?

There’s this indecent exposure of agents of the law around town that offends me at a personal level. Can we outlaw them please?

WATCH THE VIDEO OF THE ARREST  playvideo?tv_vid_id=160685   VEJA O VIDEO DAS PRISÕES

Lembram-se da Praia da Estação? Dois anos e continua atraindo multidões. E nas vésperas da Festa da Carne, é agora lugar dos blocos de Carnaval de rua independentes praticarem as batidas e melodias a paradear pela cidade em menos de duas semanas. E em que cidade do mundo, num aglomerado de centenas de pessoas, num sabado marcado a percussão e corrido de muita cerveja, um cidadão – pelo menos um cidadão – não tira a roupa?

Quando cheguei já tinha terminado. Dois homens tinham sido presos por “exposicão indecente” – embora não ao sol quente. E um grupo ainda tinha sido varrido a spray de pimenta por se aproximar cantando a letra de um samba sobre brutalidade policial – olha que relevante – enquanto tentava impedir a prisão de seus companheiros desnudados. Entretanto, a policia, que indecentemente expõe seus batões, armas e sprays quimicos diariamente, pode com “decente” violência agarrar um homem nú, onde não houve denúncia, e jogar quimicos prejudiciais à saúde nos seus cidadãos. É confuso.

E não é engraçado que o Brasil – famoso pelas mulatas sensuais e o turismo sexual, bikinis minusculos e depilações brasileiras, bundas gigantes abanando freneticas para entretenimento dos senhores e para vender o país aos turistas – tenha um código moral tão rigido? Não se pode pedir a um homem para simplesmente pôr os calções caso haja alguém ofendido? É preciso uma situação sado-maso onde homens grandes em uniforme podem algemar um homem nú e força-lo a entrar num carro?  E que espécie de moralidade é essa eles terem poder de chegar, pôr uma luva e revistar as partes privadas de um cidadão, incluindo menores, à procura seja do que for, como se vê diariamente pelas ruas desse Brasil?

Existe uma exposição indecente de agentes da lei na cidade que me ofende pessoalmente. Podemos fazer uma lei para acabar com eles?

Não pode…                                                                                                                                 Can’t …

                                             Não pode.                                                        Can’t.

Ah… mas isso pode!                                                           Ah… yes we can!


The Sluts and the Stoners, a Manifesto for Freedom / As Vagabundas e os Maconheiros, um Manifesto pela Liberdade

[Versão portuguesa em baixo depois dos videos = Portuguese version after the videos below]

It is the year of freedom by all means necessary. The Indignants of Europe and the Revolutionaries of the Middle East have a new bro down here in south america. It’s not that they necessarily want to overthrow the government and refuse to pay its debt. That’s apparently done and Brazil is now in a position of lending money… as if they haven’t done enough for the rest of us during the last 500 years.

Anyway, what the Indignant Freedom Fighters down south want is simply to be left alone. They want to wear a mini skirt and not be raped, they want to grow weed and not be arrested and they want the mayor to stop treating the city as his own private company. And so the Slut Walk and the Freedom March arrived last june 18th in front of city hall to make their voices heard. The first was part of an international march born out of the stupid comments of one canadian police officer, who said women who wear certain types of clothes are inducing rape. The second was born out of local anger after the police repression and violence during the last International Marijuana March, in several brazilian cities.

The videos that follow show the birth of the new movement MANIFESTO which stands for FREEDOM, HEALTH and EDUCATION, as the sole principles that should orient any government, if we absolutely must have one. It  shows the moments when, in front of Belo Horizonte’s City Hall, one city cop isolated acted on his anger and got some pushing and pulling back from the sluts and the stoners, who just won’t take it anymore. And while his city cop friends sprayed some pepper on the crowd – and even on themselves because they are oh so smart – ironically it was the infamous military police who came to break the fight and calm things down.

This blog supports 100% all sluts and stoners, as well as all citizens who believe that freedom doesn’t come through the authority of others. We don’t ask for Freedom, we take it.

É o ano da liberdade por todos os meios necessários. Os Indignados da Europa e os Revolucionários do Oriente Médio ganharam um irmão aqui na america do sul. Não que eles queiram necessariamente a queda do governo e se recusam a pagar as suas dividas. Aparentemente isso já foi feito e o Brasil está numa posição onde pode emprestar dinheiro. Como se já não tivesse feito o suficiente por nós durante os últimos 500 anos.

O que estes indignados lutando por liberdade aqui do sul querem, é simplesmente que deixem eles em paz. Querem usar mini-saia sem ser estuprados, plantar maconha sem ser presos, e também que o prefeito pare de tratar a cidade como se fosse a sua empresa privada. E assim, a Marcha das Vagabundas e a Marcha da Liberdade encontraram-se em frente à Prefeitura de Belo Horizonte no passado dia 18 de junho para fazerem ouvir a sua voz. A primeira fazia parte de uma marcha internacional criada após os comentários estupidos de um policia do Canadá, que disse que mulheres que usam determinado tipo de roupa pedem para ser estupradas. O segundo nasceu da indignação local pela repressão e violência policial durante a última Marcha Internacional da Maconha, em várias cidades brasileiras.

Os videos acima apresentam o novo Movimento MANIFESTO que defende que LIBERDADE, SAÚDE e EDUCAÇÃO, são os principios que deveriam orientar um governo, se é que temos mesmo de ter um. Mostra os momentos quando, em frente da Prefeitura de Belo Horizonte, um policia isolado soltou a fúria e acabou sendo puxado pelas vagabundas e os maconheiros, que já não aguentam mais. E enquanto seus amigos da policia municipal spraiavam pimenta pelos manifestantes – e até neles mesmos de espertos que são – acabou sendo a infame policia militar que acabou com a briga e acalmou as coisas.

Este blogue apoia 100% todas as vagabundas, maconheiros, e demais cidadãos que acreditam que a liberdade não passa pelas autoridades. A liberdade a gente não pede, a gente toma.


Disobedience from the Heart / Desobediência de Coração

You must live your ethics no matter what their laws are.

The following is the portuguese translation of a declaration by anarcho-syndicalist CNT Spain, in reference to the occupation of squares in cities around Spain. Click here for the English version. Y Viva La España!

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Devemos viver a vida assim, de acordo com a nossa ética individual e não com as leis deles.

Segue-se a tradução para português de uma declaração da CNT Anarco-Sindicalista Espanhola, referente à ocupação de praças públicas nas cidades do país. Para a versão em inglês clique aqui. Y Viva La España!

Espanha: O momento é nosso: Que as ocupações e a desobediência continuem!

As inúmeras manifestações e ocupações que ganharam raízes nas principais praças das cidades espanholas desde o dia 15 são um exemplo claro da capacidade organizacional das pessoas quando elas decidem ser protagonistas das suas próprias vidas; ultrapassando a apatia, a resignação e a ausência de consciência própria com que articular soluções que levam em conta e constroem alternativas para solucionar os vários problemas que todos enfrentamos hoje em dia: trabalhadores, desempregados, estudantes, imigrantes, aposentados e precários.

As formas organizacionais desenvolvidas nestas mobilizações provam a viabilidade da participação direta, por meio de assembléias criadas para tomar decisões centradas nas nossas aspirações e exigências e para nos fazer ultrapassar o nosso individualismo. Tornamos-nos assim protagonistas, em vez de espectadores de um sistema baseado em representação e delegação de autoridade, que extingue a nossa individualidade. Assembléias, um microfone passando de mão em mão, grupos de trabalho, responsabilidade, capacidade, organização, auto-responsabilidade, coordenação, envolvimento e visibilidade são os mecanismos coletivos que movem nossas engrenagens, capazes de desafiar as instituições e provocar uma expectativa e debate público que ofuscou a campanha eleitoral e o habitual conteúdo da imprensa nacional e estrangeira.

As ilusões geradas pelas mobilizações massivas não devem fazer-nos esquecer que esta situação será objeto de instrumentalização, distorção e manuseamento por parte de grupos políticos, sociais, e sindicatos; estes grupos têm mais medo ainda que o governo de perderem a pouca legitimidade que ainda têm na mente de alguns cidadãos. Da mesma forma, as propostas e mensagens que emanam destas mobilizações devem ser analisadas em profundidade. Superar o sistema bi-partidário e conseguir a modificação da lei eleitoral não nos dará mais liberdade, nem irá favorecer a soberania individual. Devemos deixar claro que as exigências são centradas em mudanças sociopolíticas necessárias; mas existe uma falta de denúncias ou propostas discutindo o mundo do trabalho – denúncias claras e explicitas do papel colaboracionista das instituições federativas sindicais, da Reforma Laboral atualmente em vigor, e da larga margem legal para efetuar despedimentos e destruir empregos.

Desobediência é o elemento fundamental que, desde dia 15, caracterizou toda a mobilização e manifestações de protesto. Contestando e desafiando mais uma vez a repressão e as tentativas de deter ocupações, vindas dos vários departamentos do estado e das comissões eleitorais; fortalecer mais a participação, envolvimento e consciência da nossa necessidade de nos organizarmos entre nós mesmos. Desobediência é o pulso coletivo que demonstra a nossa força esmagadora quando trabalhamos em conjunto e que não nos deixa desistir das nossas reivindicações. É o batimento dos nossos corações alimentando um despertar de consciências que nos permitirá reagir, e alargar a nossa mobilização, a nossa solidariedade e superar o medo que neutraliza a luta.

“Cualquier noche puede salir el Sol” [“Em qualquer noite pode-se erguer o Sol”], e é na praça del Sol em Madrid que nos encontramos já tem uma semana, tentando evitar que o Sol se ponha. Materializamos a nossa prática, que não é só possível, mas necessária para trabalhar em conjunto, unidos, e lutar para mudar o nosso presente imediato salientando, a partir da nossa auto-organização, os pilares de uma sociedade sem poder, desigualdade, repressão e delegação de autoridade. No dia 22 de Maio, mais conscientemente e visivelmente que nunca, responderemos com abstenção, porque já mostramos que os políticos não nos representam, nem precisamos deles.

Com a CNT, continuaremos participando e chamando todos para uma mobilização e uma luta permanentes, um meio para resolver problemas em todos as esferas de nossas vidas.

Continuaremos a construir ao mesmo tempo que desobedecemos. O protesto continua.

Noite ou dia, a luta é nossa!


Generations In Peril, Perilled Politicians / Gerações À Rasca, Politicos Enrascados

"I Don't Pay" student protest, Lisbon, 1994

When we are born into this world, there should be a period of grace during which we are given the chance to go back to the black hole from where we came. As we grow up and begin to look around, we realize that instead, we fell in a shit-hole, which is much worse. Since there is no turning back machine – that we know of -, and since we are sent with no instruction guidelines – that we can remember -, we struggle to understand the sheer complexity of all the absurd rules, restrictions, inequalities and bureaucracies of a system that an elitist class of people, born before, put together in order to create the civilization of the free market. Some children, sooner or later, and to different degrees, become domesticated. Or rather, their powers of concentration are manipulated to a hypnotic state. Some never wake up, forget Neverland, reject the Pan in them, and as adults put on a tie and turn against their own children. They become dumb and numb, like in the Portuguese song How Dumb Am I? which catalyzed the most recent student movement in the country.

Others, who can’t sit still with their eyes on the pendulum, begin to question things early. These are the “problematic” children and many of them never become fully “adjusted” adults. But then again, as Jiddu Krishnamurti put it “It is no measure of health to be well adjusted to a profoundly sick society”, right?… Those children know throughout their youth that not a lot makes sense in the infantile world of adults and that eventually they will need to smash some windows to make their voices heard. They know it is their responsibility to wake up the sleeper children. And they know that the only thing in the way of happiness, solidarity and respect in the world, are: a) the greedy 1% at the top who insist in dividing us by classes, ideologies, races and religions, b) their brain-washed servants positioned at the higher ranks, and c) the university loans that will condemn the youth to a precarious life of  indentured servitude to the banks.

So, one day, nearly 20 years ago in Portugal, and 20 years after the revolutionary constitution that guaranteed free education to all, one such can’t sit still youth, aware of the first step in the roll of decreased rights that would follow for the next 2 decades, did the only thing anyone could have done, really… he lowered his pants and showed his ass to the Minister of Tuition, formerly known as the Minister of Education. The Portuguese student movement of the 90’s was then trashed in the newspapers as the “Vulgar Generation” (Geração Rasca). In 2011, when it has been proven that the entire society should have then lowered their pants, and after the London student riots at the end of last year turned as violent as could be expected, the portuguese movement Geração À Rasca (Generation In Peril) acquired a much more plural form, when on march 12th, not only youth but all generations marched in 11 cities of tiny Portugal gathering 300.000 people. A fun, peaceful but assertive demonstration of resistance where people from all ages, colors, religions, ideologies and classes, found a  common language against corruption, greed and precarity, and which resulted in the fall of the so-called socialist government. Yesterday, the Spanish followed, united by the movement Juventud Sin Futuro (Youth Without Future), and tomorrow Italians take the streets in the well publicized protest Il Nostro Tempo è Adesso (Our Time is Now).

Across Europe, generations rise up and shout the obvious thing that we all know as children: happiness without debt is NOT demagogy. It was about time the kids turned the table and put politicians where they belong – In Peril. What did they think? That just because we show them our ass they can come after our skin? Grow-up!

"O Palhaço Estagiário" (Intern Clown). Photo by: Ana Batista Araújo (click for flickr). Sign in photo: "This is not a Carnival celebration"

Quando nascemos, deveria ser nos dado um período de graça para decidirmos se queremos voltar para o buraco negro de onde saímos. À medida que crescemos e olhamos em volta, percebemos que caímos num buraco de merda, o que é muito pior. Como não existe uma máquina para voltar no tempo – pelo menos que a gente saiba -, e uma vez que viemos sem instruções – também pelo menos que a gente saiba -, lutamos para entender a complexidade intensa de todas as regras, restrições, desigualdades e buRRocracias absuuuuurdas, num sistema que uma classe elitista de gente nascida antes, preparou para nós vivermos na civilização do mercado livre. Algumas crianças, mais tarde ou mais cedo, e em diferentes graus, são domesticadas. Ou antes, seus poderes de concentração são manipulados a um estado hipnótico. Algumas nunca acordam, esquecem a terra do nunca, rejeitam o Pan e quando adultos põe a gravata e reprimem os próprios filhos. Tornam-se parvos e dormentes, como a canção portuguesa Que Parva Que Eu Sou que catalisou o mais recente movimento estudantil português.

Outros, que não conseguem ficar quietos com os olhos no pêndulo, começam desde cedo a questionar as coisas. Estas são as chamadas “crianças problemáticas” e muitas nunca se tornam adultos “ajustados”. Mas também já dizia Jiddu Krishnamurti, “Não é sinal de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente”. Essas crianças continuam sabendo por toda a juventude que muito não faz sentido no mundo infantil dos adultos e que eventualmente terão de quebrar algumas coisas para se fazerem ouvir. Sabem que é sua responsabilidade acordar os amigos que adormeceram. E sabem que os únicos obstáculos à felicidade, à solidariedade e ao respeito, são: a) 1% do topo que insiste em nos dividir em classes, ideologias, raças e religiões, b) seus serventes sujeitos a altas lavagens cerebrais e colocados em altos cargos de poder, e c) os empréstimos e propinas universitárias que condenaram a juventude a uma vida de trabalho precário e à escravidão imposta pelos bancos.

Por isso, um dia, há mais ou menos 20 anos, 2 décadas depois da constituição revolucionária garantir a todos educação livre, uma dessas crianças que não param quietas, consciente de estar sendo dado o primeiro passo no rol de perda de direitos que se seguiriam nas 2 décadas seguintes, fez aquilo que tinha de ser feito: baixou as calças e mostrou o cú à ministra das propinas, anteriormente conhecida por ministra da educação. O movimento estudantil português dos anos 90 foi enxovalhado nos jornais e chamado de “Geração Rasca”. Em 2011, agora que já está provado que deveria ter sido a população inteira a mostrar o cú, e após os motins estudantis em Londres no final do ano passado se terem tornado tão violentos quanto tinham mesmo de ser, o movimento português Geração À Rasca adquiriu a sua forma mais plural. A 12 de março, todas as gerações marcharam com a juventude em 11 cidades de um país pequenino, juntando um total de 300.000 pessoas, e resultando na queda do governo. Foram protestos divertidos e pacificos, demonstrando uma assertiva manifestação de resistência onde gentes de todas as idades, cores, religiões, ideologias e classes, encontraram uma linguagem comum contra a corrupção, a ganância e a precariedade. Ontem, seguiram-se os protestos dos estudantes espanhóis unidos no movimento Juventud Sin Futuro e amanhã é a vez de os italianos ocuparem as ruas num protesto bem publicitado a que se chamou Il Nostro Tempo è Adesso (O Nosso Tempo é Agora).

Por toda a Europa, gerações se erguem e gritam o que é óbvio para qualquer criança: felicidade sem dividas NÃO é demagogia. Já era tempo dos putos virarem a mesa e colocarem os políticos em seu devido lugar – À Rasca. O que é que eles pensavam? Que só por que a gente mostra o cú eles podem nos levar a pele? Cresçam, pá!


The Crosses of Lisbon / As Cruzes de Lisboa

NATO, that perfectably dispensable war mongering machine hiding behind the excuse of “defense”, is meeting in my lovely birthplace city this weekend. It’s ok. My birthplace has been stained with war blood for centuries. It was born out of it.

But, I don’t think of Lisbon like that. I don’t think of its castle as the site of medieval battles where people tortured other people in manners inimaginable to me. I don’t think of its cathedral as a place of endoctrination fueling secular hatred between different faiths or creating fear to kill creativity. I don’t think of its squares as the place of public executions, burning witches, and chopping off independent thinking heads. History is present in every corner, and I know well the history of my birthplace. But in the end, Lisbon for me is an image, usually an image frozen like a photograph, from the bairro of Graça, with the castle above my head and the downtown and river mouth area at my feet. At sunset. Or the feeling of an image. Something rises above cities, something imagetic but difficult to articulate, and in Lisbon I feel a female energy quite distant, as if rising its chin above the actions of the flees inhabiting her.

But somehow today I feel my birthplace is glancing down on the crosses that anti-nato activists brought to town. Perhaps, Lisbon is remembering all the blood and death it has seen for the millenia she exists, long before christians and muslims and even romans. The cross being a christian symbol has become an universal sign not just of death, but of murder, mass murder, genocide, perpretated by those who claim to defend us. And to counterpoint the closed door discussions on the manners to expand death and destruction, anti-war protestors gather in open air to promote peace and cooperation. In Alameda in Lisbon, a name of muslim origin and a steep hill avenue where roads and green areas intercalate, the crosses there placed come to simbolize what is and has always been chronically wrong with the designs of the war lords of this world.  Now as before. In a city that saw it all.

And around the city, the creativity of the non-endoctrinated faced fear, as portuguese activists and others coming from all over Europe and North America, covered in red paint like the blood of war victims, were removed by the police in Parque das Nações, and a flashmob took over the famous Rossio Station dropping ‘dead’ on the floor, one by one. And as I write these words, many more actions are on course and dozens have been arrested at mid-afternoon. My Lisbon is looking down smiling. And my Lisbon is certainly proud.

NATO, aquela maquina perfeitamente dispensável, manobrada pelos negociantes de guerra e camuflada atrás do argumento “defesa”, está hoje reunida na minha querida cidade natal. Tudo bem. A minha cidade natal foi manchada com sangue de guerra durante séculos. Nasceu assim.

Mas eu não penso em Lisboa dessa forma. Não penso no seu castelo como o lugar de batalhas medievais onde pessoas torturavam outras pessoas de formas para mim inconcebíveis. Não penso na sua catedral como um lugar de endoctrinação que alimenta o ódio entre diferentes fés e cria o medo para matar a criatividade. Não penso nas suas praças como lugares de execuções públicas, queima de bruxas e decapitação de cabeças independentes. A história está presente em todas as esquinas e eu conheço bem a história da minha cidade natal. Mas no final, Lisboa para mim é uma imagem, geralmente capturada numa fotografia mental, do bairro da Graça, com o castelo atrás e a baixa e zona ribeirinha a meus pés. No pôr-do-sol. Ou é o sentimento de uma imagem. Algo que se levanta sobre as cidades, algo imagético mas dificil de articular, algo que em Lisboa eu sinto como uma energia feminina e algo distante, como uma personagem  levantando a cabeça acima das ações das pulgas que a pragam e tomaram conta do seu fisico.

No entanto, hoje sinto que a minha cidade natal baixou os olhos para ver as cruzes que os ativistas anti-nato trouxeram para a cidade. Talvez Lisboa recorde hoje o sangue e morte que viu durante os seus milénios de existência, antes de mouros e cristãos, antes até dos romanos. A cruz, sendo um símbolo cristão tornou-se num simbolo universal de morte, assassinio, assassinio em massa, genocidio, cometido por aqueles que dizem defender-nos. Assim, em contrapartida às discussões de porta fechada sobre como expandir morte e destruição, manifestantes anti-guerra reunem-se em espaços abertos para promover a paz e a cooperação. Na Alameda de Lisboa, nome de origem mçulmana, as cruzes foram colocadas para simbolizar o que há e sempre houve de crónicamente errado com os designios do senhores da guerra que mandam no mundo. Hoje como ontem. E numa cidade que já viu de tudo.

E é nessa cidade que a criatividade dos não-endoctrinados enfrenta o medo, enquanto ativistas portugueses e outros vindos de toda a Europa e América do Norte, cobertos em tinta vermelha como o sangue das vitimas de guerra, foram removidos pela policia no Parque das Nações, e uma flashmob tomou a famosa estação do Rossio caindo ‘morta’ no chão, uma pessoa de cada vez. Enquanto escrevo estas palavras ouço que muitas mais ações estão em curso e dezenas já foram presos até este meio de tarde. A minha Lisboa baixou os olhos para ver e sorriu. E está orgulhosa. Concerteza.


The Jewish Artist and her Palestinian Heart / A Artista Judia e o seu Coração Palestino

"She won't let that big bad thing behind her contain her curiosity" "Ela não deixará aquela coisa grande e má conter a sua curiosidade" Emily Henochowicz

Today I heard an interview with Emily Henochowicz. What an incredible woman. What an incredible artist. And what an incredible story. Emily is a 21 year old israeli-american, who lives and studies art in New York. Her grandparents were jews from Poland at Hitler’s time but escaped the nazis. Her grandfather later lived in Israel and was a border patrol officer. Her parents now live in the United States. And among all the jewishness, Emily found a Palestinian heart.

Last may, after the israeli army invaded the aid flotilla in international waters killing 9 people, Emily attended a demonstration in Gaza. During the protest, highly repressed by the ever present Israeli army, Emily was hit by a tear gas canister. She was assisted by a Palestinian woman and taken to a hospital. Emily lost her left eye. But not her spirit. Not her disposition to stand by the Palestinian cause. Or to sketch, sketch, sketch… a couple of weeks later she was back to posting her art in her blog and her flickr Thirsty Pixels.

Some people are simply incredible. Worth knowing.

Emily: hit during a protest in Gaza / atingida durante um protesto em Gaza.

Hoje ouvi uma entrevista com Emily Henochowicz. Que mulher incrível. Que artista incrível. E que história incrível. Emily tem 21 anos, é israelense-americana, e vive e estuda arte em Nova Iorque. Seus avós eram judeus da Polónia no tempo de Hitler mas escaparam dos nazis. O avô viveu mais tarde em Israel e foi oficial da patrulha de fronteira. Os pais de Emily vivem nos Estados Unidos. E entre toda a tradição judaica, Emily encontrou um coração Palestino.

Em maio passado, depois do exército de Israel invadir a frota humanitária, em águas internacionais, matando 9 pessoas, Emily participou de um protesto em Gaza, altamente reprimido pelo sempre presente exército de Israel. Emily foi atingida por uma lata de gás lacrimogêneo. Assistida por uma mulher Palestina foi levada para o hospital. Perdeu o olho esquerdo. Mas não o espirito. Nem a disposição para defender a causa Palestina. Ou para desenhar, desenhar, desenhar… duas semanas mais tarde recomeçou a postar a sua arte em seu blog Thirsty Pixels.

Existem pessoas simplesmente incríveis que vale a pena conhecer.

Apropriated Memory 2